Janick Gers: descartável ou essencial ao Iron Maiden?

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Por Ivan Carlos Miranda
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Baseado na opinião de alguns amigos e nos comentários que leio, desfavoráveis ao músico, escrevi esse breve texto sobre o assunto, expondo algumas percepções e pontos de vista, sem a intenção de dar uma resposta pronta à pergunta que, claro, dependerá do julgamento de cada um.

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Em 1989, o guitarrista Janick Gers foi convidado por Bruce Dickinson para assumir a vaga deixada por Adrian Smith no Iron Maiden e permanece no posto até os dias de hoje. Sua trajetória foi marcada por períodos turbulentos: a traumática saída de Dickinson, em 1993; a nefasta era Blaze Bayley, de 1994 a 1999; (a "idade das trevas" da banda¹) e a maior de todas as provações de sua carreira, o retorno de Adrian Smith em 1999. Há quem diga que esse último evento serviu para consolidar sua presença no sexteto. Por outro lado, há quem anseie sua queda. Enfim, Janick Gers é uma peça fundamental para o Maiden ou poderia ser descartado sem maiores problemas?

A segunda metade da década de 90 foi marcada por acontecimentos um tanto quanto insólitos no que se refere ao Iron Maiden. O desgaste de Blaze Bayley com o grupo e o público era notório. Em contrapartida, Dickinson voltava ao Heavy Metal lançando álbuns fantásticos como Accident of Birth e The Chemical Wedding, ambos com Adrian Smith ao lado de Roy Z nas guitarras. Trabalhos que foram considerados por muitos fãs como melhores que The X Factor e Virtual XI.

Parecia, definitivamente, o fim da linha para a Donzela de Ferro... Entre inúmeros acontecimentos nebulosos o auge da crise se deu no final da Virtual XI World Tour, em 1998, na nossa gloriosa América do Sul. Dois shows cancelados, um no Brasil, em Campinas, e o outro na capital do Chile, Santiago, (cidade que viria a ser palco das gravações do Em Vivo em 2011). Estes foram fatos que ocorreram após a apresentação desastrosa no Metropolitan, Rio de Janeiro. Neste, que foi o primeiro show dessa última fase da tour, no dia 02/dez/98, eu estava presente. Vivenciei algo que talvez nunca tenha acontecido em uma apresentação do Iron Maiden. A banda não voltou para o bis, o esperado bis! Só com os clássicos! Deixaram de tocar até mesmo The Number of The Beast, música simplesmente obrigatória em um setlist do Maiden, ficou de fora, entre outras. O público se dispersou aos poucos, contrariado. Eu e um amigo permanecemos firmes, parados, aguardando o retorno da banda para o bis. E dizíamos: “Nossa! Que povo otário. Não sabem que o Maiden sempre volta pro o bis? ” .... É, mas não voltou. Só saímos da frente do palco quando começaram a tirar as cortinas de fundo do cenário, foi deprimente.

Se aquela noite teve um ponto forte, com certeza foi o show espetacular do Helloween (abertura) cujo som “engoliu” o da atração principal. O forte calor, o sistema de ar condicionado em mal funcionamento e a superlotação foram alguns dos argumentos de Steve Harris para a decisão de não tocar o bis. Mas a hostilidade de parte do público contra Blaze e uma lata de cerveja atirada em Janick teriam pesado na decisão e aumentado o estresse. Comentários posteriores afirmavam que a banda teria saído do show em uma van e o vocalista em outra. Além disso, Janick teria dito que não estavam mais suportando Blaze Bayley.

Os dias que se seguiram foram estranhos. Havia uma certa melancolia em tudo que se referia ao Iron Maiden daquele fim de século. Foi então que a grande bomba estourou nas capas das revistas de Rock da época: “Bruce Dickinson estava de volta e Adrian Smith também! ” ... Quando li aquilo me perguntei imediatamente: “e o Janick?!!! Saiu com o Blaze? ” ... Não! Ele resistiu. Ao confirmar sua permanência outra pergunta veio à mente: “qual seria então o seu papel ao lado da dupla de guitarras mais famosa dos anos 80? ” ... A resposta veio, em entrevista, do próprio Steve Harris: “Vamos fazer no palco o que já fazemos em estúdio”.

De fato, a prática de gravar duas, três, ou até mais guitarras em uma mesma faixa é comum em estúdio. O legal de manter os três guitarristas é que a banda não precisaria mais decidir qual faixa seria eliminada ao vivo e qual seria mantida. Você pode ver isso sendo aplicado na música Revelations. Em Flight 666, 2009, Dave Murray e Janick Gers fazem o riff dobrado enquanto Adrian Smith segura a base. Na hora do solo, duas guitarras marcam a base, mais peso e fidelidade ao original. Na versão de Live After Death, em 85, isso simplesmente não acontece. Tanto que, naquele show, Bruce inicia a apresentação tocando uma guitarra, o que mostra a importância de uma terceira harmonia nessa música em especial e em outras.

Como não mencionar, também, sua performance nos shows. Poucos guitarristas tem uma presença de palco tão marcante e intensa como Janick. Claro que esse é um ponto que divide opiniões. Uns gostam, outros criticam. E a vida segue... De fato, executar todos aqueles movimentos enquanto toca clássicos do Maiden é, no mínimo, difícil. Além disso, se puxarmos o histórico do cara, veremos que ele sempre teve essa verve underground, uma atitude mais agressiva, um som mais sujo, distorcido e, às vezes, dissonante, sempre foi assim, e parece que continuará até quando ele tiver forças. Acredito que se o Maiden não o tivesse mantido, acabaria ficando técnico demais. Tem que ter um cara com uma pegada propositadamente desleixada, para fazer barulho mesmo. Embora sua característica Rock n’ Roll se evidencie em seus solos e sua performance, Janick, nos shows, é responsável por grande parte dos riff’s marcantes da banda, aqueles que não aceitariam nenhuma nota fora, e os executa com perfeição.

Enfim... lá se vão 26 anos de trabalhos junto ao Iron Maiden, 9 álbuns de estúdio lançados e várias turnês mundiais. Janick, embora não tenha assinado nenhuma canção da banda sozinho, alcançou a marca de 26 parcerias em composições. No The X Factor, 1995, o primeiro após a saída de Bruce, compôs em parceria com Bayley e Harris, 7 músicas, álbum em que teve maior participação como compositor. Curiosamente Dave Murray não tem nenhuma composição nesse trabalho. Em The Book of Souls, participou de 2 faixas: The Book Of Souls e Shadows Of The Valley, ambas com Steve Harris.

Outras composições em coautoria: Be Quick Or Be Dead, Wasting Love, Lord of the Flies, The Edge of Darkness, Dream Of Mirrors, Ghost Of The Navigator, Como Estais Amigos, The Pilgrim, The Talisman, Dance Of Death, e mais...

Seriam esses argumentos suficientes para tornar o terceiro nome na linha sucessiva dos fãs indispensável ao Iron Maiden? ...

¹Não que os álbuns com Blaze Bayley fossem péssimos, pelo contrário, mas, em termos gerais, a banda passou por profundo processo de perda de popularidade e de fãs nesse período, além de amargar tocar em casas de shows pequenas para os padrões do Iron Maiden.

Up the Irons!!!

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Sobre Ivan Carlos Miranda

Nascido em 81, meu primeiro contato com o mundo do Rock foi ainda na década de 80. Uma década em que tocavam no rádio bandas como Queen, Scorpions, The Police e etc. Sem falar em Tom Sawyer (Rush) cujo riff inicial era executado na abertura do seriado MacGyver. Outra grande influência foi o Rock Nacional, que viveu nesse período seu melhor momento. Mas foi em meados de 95 que a coisa ficou séria… Foi neste ano que conheci o Iron Maiden, banda pela qual fui influenciado em vários sentidos e que me despertou um interesse mais profundo pela música. Hoje sou músico amador e amante de Heavy Metal! Um abraço a todos, viva o Metal!

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