Cuzões em shows: como músicos devem lidar com essa raça maldita

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Por Nacho Belgrande, Fonte: Playa Del Nacho
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Texto original de Ari Herstand para o site do próprio

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Eu acabo de voltar de uma turnê de 3 semanas visitando 15 estados. A maioria desses shows foram em campus universitários. Eu faço mesmo muitos shows em faculdades. São divertidos. Pagam bem. E o público é, em sua maioria, muito atencioso.

Contudo, de vez em quando tem uns dois cuzões bêbados que dão as caras. Não sempre, mas ocasionalmente. Na verdade, isso acontece muito mais em bares. Eu tenho certeza que você já passou por isso. Os otários que gritam ‘Toca Raul’ como se isso não tivesse perdido a graça em 1997. As moças barulhentas [bêbadas] berrando pedindo covers de Bruno Mars. Gente bêbada.

Mas também há os cuzões mais sutis. Como o sujeito de costas para você no bar conversando bem alto, ignorando completamente o seu show. Ou a mulher caindo de sono bem na primeira fileira. Ou, mais comum, aqueles que ficam olhando para seus fones o tempo todo. Eu já vi de tudo.

Meu primeiro impulso com os cuzões chatos é sempre retaliar. De vez em quando você tem que agir. Se eles estão querendo fazer parte do show [como gritando para você ou falando alto e atrapalhando o show para os outros], você tem que interferir. Fica feio não o fazer. MAS você não tem que fazer o que eles pedem. Na verdade, você NUNCA deveria atender ao que eles pedem. Isso só faz com que eles cresçam.

Há uma enorme diferença entre aceitar pedidos dos fãs e adular cuzões cachaçados. Esses otários estão ali apenas para farrear e aparecer para os amigos. A menos que você seja de uma banda cover, essa gente não é seu público. Você não quer eles nos seus shows. Elas são uma distração indesejada para as pessoas que SÃO suas fãs e estão ali realmente para lhe ver.

Lembre-se, sempre há gente ali que quer ouvir o SEU SHOW. Elas estão seguindo cada palavra que você canta e cada nota que você toca. Não toque para os cuzões porque o show não é para eles. É para os fãs [ou fãs em potencial] que de fato curtem o seu trabalho e lhe seguirão pelo resto de sua carreira.

Você não ganha fãs adulando cuzões com o rabo cheio de pinga. Você ganha fãs calando a boca desses tipos [com bom humor] e arrebentando na sua apresentação. Se o cuzão for embora, que seja!

Sendo um cantor/compositor que toca sozinho na maioria das vezes, eu fiquei muito bom em quebrar as pernas desse tipo de gente. Eu uso uma abordagem de 3 passos:

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Primeiro Passo: Reaja com Bom Humor

Se há uma conversa muito alta de fundo no ambiente e todo mundo está em silêncio tentando ouvir, eu sussurro ao microfone como se estivesse cochichando e [educadamente] comento a respeito das roupas que os presentes em questão estão usando até que eles entendam e se toquem. Se há alguém pedindo covers o tempo todo, eu posso dizer, “Então, eu só sei 2 covers e já toquei eles. Contudo, se tem alguma música composta por Ari Herstand que você gostaria que eu tocasse, é só dizer!” Isso geralmente os aquieta. Muitas vezes eles percebem que eu não estou ali para priorizar a eles e vão embora. Vão pela sombra!

Segundo Passo: Demonstre Certo [e Contido] Incômodo

Se o bom humor não funcionar [quase sempre dá certo], talvez eu aja de modo mais abrasivo, ainda que ainda educado. Eu olho para eles olho no olho com aquele olhar ‘por que é que você está zoando o meu show? ’ que eles reconhecem de pronto, e os outros agradecerão. Ou se eles estiverem perto do palco, eu me afasto do microfone e peço que eles parem. Sorrindo.

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Terceiro Passo: Chute-os na Cabeça

Agora, eu só soube do Brian Jonestown Massacre fazendo isso para valer. E eu com certeza não recomendo. Mas aborde a ideia metaforicamente. Pare o show. Anuncie abertamente que você não gosta do que eles estão fazendo. Bote eles para fora [ou peça que saiam]. Florence And The Machine parou o show por causa de uma briga. O modo que ela conduziu a coisa foi brilhante.

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Em meus mais de 600 shows eu só tive que conduzir o terceiro passo uma vez. O lugar todo estava em silêncio ouvindo e curtindo o show, exceto pelo cara que tinha feito a apresentação de abertura [vai entender] e seus amigos trouxas no bar – que por acaso era do lado do palco. Eu conseguia ouvir cada palavra [eu e todo mundo]. Eu executei o primeiro passo. Nada. Passo 2, um pouco de silêncio, mas não demorou, começaram de novo. E finalmente, terceiro passo: eu parei o show, fui até eles e pedi que eles por favor parassem de conversar. O barman botou eles para fora [depois de, aparentemente, ter pedido várias vezes que eles ficassem em silêncio]. Todo mundo no lugar aplaudiu. Em seguida, eu falei um gracejo para deixar o ambiente mais leve e tirar todo o desconforto.

Você não quer cuzões no seu show. Fica ruim para você. As pessoas vão a shows pela cena tanto quanto pela música. Se os seus shows viram festivais de cuzões, então a plateia que você realmente almeja vai ser afastada. Aprenda isso cedo. Faça com que cada show seu seja O SEU SHOW. Tome controle. Comande o SEU palco. Toque para os que te apoiam ali. Toque para os que querem estar ali. Para aqueles que acabaram indo e estão trabalhando duro para te fuder? Chute a cabeça deles. Em sentido figurado, claro.

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)

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