Álbuns na íntegra em shows: o acústico do novo milênio.

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Álbuns na íntegra em shows: o acústico do novo milênio.


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Se voltarmos na história recente do rock, todos se lembrarão facilmente da época em que duas modas assolaram o gênero, não necessariamente nesta ordem: os discos ao vivo com orquestra e os acústicos.

No primeiro caso, bastava que algum grande nome do gênero lançasse um “ao vivo com a Orquestra Filarmônica de Não Sei Aonde”, e logo começavam a brotar diversos álbuns no mesmo estilo. Talvez o de maior sucesso, comercialmente falando, tenha sido o do Metallica. Mas tivemos muitos outros: Kiss, Yes, Scorpions, Dream Theater, Yngwie Malmsteen...

Fenômeno maior ainda, em proporções bem mais largas, foi o caso dos acústicos. Catapultados principalmente por aqueles que levavam o selo da MTV (talvez a maior precursora, devido ao seu programa de TV neste formato), o que se viu foi uma verdadeira avalanche de “Unpluggeds” nas prateleiras das lojas de discos (sim, nesta época ainda se vendiam discos), muito mais do que os “sinfônicos” citados anteriormente. Eric Clapton, Kiss, Nirvana, Bryan Adams... todos venderam horrores com seus “MTV Unplugged”. Havia inclusive uma pirataria em larga escala dos registros mais antigos, exibidos apenas na TV e não lançados oficialmente (como ocorreu com Pearl Jam, Stevie Ray Vaughan e Joe Satriani, Aerosmith, Queensryche), tanto que Paul McCartney se viu “forçado” a lançar o seu acústico (com o sugestivo subtítulo de “Official Bootleg” – pirata oficial). E houve ainda quem corresse por fora, mesmo sem a marca da emissora: Yes, Mr. Big, Scorpions, Firehouse, entre muitos outros, também lançaram seus acústicos da vida.

O Brasil obviamente não passou incólume ao fenômeno. Grandes nomes do rock brasileiro, como Titãs, Rita Lee, Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Ira! e Ultraje a Rigor, entre muitos outros, deram uma verdadeira turbinada em suas carreiras com o sucesso de seus álbuns acústicos, engatando turnês extremamente lucrativas com shows inteiramente “sem guitarras”. O Titãs bateu recordes de vendas com seu exemplar, tanto que chegou a gravar em estúdio um “Volume 2”. Até mesmo bandas já extintas faturaram em cima do formato, como foi o caso do Legião Urbana, que havia gravado o programa muito antes desta febre, e teve CD e DVD lançados postumamente – até então só havia sido lançado em VHS. Como consequências por aqui, ainda podemos citar o surgimento de nomes como Emmerson Nogueira, fazendo carreira regravando clássicos do rock em formato violão e voz, além do fato de que houve um verdadeiro “boom” com a molecada querendo aprender a tocar violão.

Pois bem, eis que chegamos ao século 21 e uma nova onda predomina entre as bandas de rock, talvez na esperança de aumento de vendas de ingressos em seus shows – visto que hoje em dia já não se vende mais CDs e DVDs como antigamente. Qual o grande barato do momento? Tocar discos na íntegra.

Houve um tempo em que dava para se contar nos dedos quem fazia isso. Tudo começou quando o The Who gravou sua ópera-rock “Tommy”, em 1969, e passou a executá-la na íntegra ao vivo. Havia naquele caso uma história sendo contada, a interligação das músicas entre si. Este segundo fator também foi o que levou o Pink Floyd a executar “Dark Side Of The Moon” de cabo a rabo na turnê de promoção daquele álbum, assim como fariam com “The Wall” que, assim como “Tommy”, era uma ópera-rock contando uma história (aliás, tanto “Dark Side” quanto “The Wall” foram tocados na íntegra por Roger Waters em suas duas últimas turnês solo). Ainda na década de 1970, o Genesis, em sua última turnê com Peter Gabriel na formação, promovia “The Lamb Lies Down On Broadway” da mesma maneira. Anos mais tarde, foi a vez do Queensryche e seu “Operation: Mindcrime”, além do The Who, que saiu em turnês comemorativas de “Tommy” e “Quadrophenia”, e posteriormente o Dream Theater e seu “Metropolis Pt. 2 – Scenes From a Memory”.

Observemos que nos casos citados acima havia relevância em se executar o trabalho na íntegra. Mas de uns tempos para cá, a moda se alastrou e as bandas começaram a tocar seus discos mais conhecidos na íntegra. Tudo bem que em muitos casos, os fãs agradecem, pois existem trabalhos que são realmente clássicos essenciais em suas discografias – vide o Rush, que na turnê “Time Machine” (que passou pelo Brasil) executou “Moving Pictures” inteiro, assim como o Judas Priest com seu “British Steel” e, recentemente, o Metallica, que em alguns shows tocou seus primeiros discos inteiros (um deleite para os fãs das antigas). Talvez seja esta a justificativa válida, já que não há unicidade entre os temas. Já o Megadeth usou do fator “aniversário” para tocar “Rust In Peace” e “Countdown to Extinction” inteiros.

Porém, há casos bem mais controversos. Vejamos o Yes, que recentemente passou por aqui, executando 3 álbuns na íntegra (!): “The Yes Album”, “Close To The Edge” e “Going For The One”. Quanto aos dois primeiros, com certeza são uma unanimidade entre seus fãs. Mas por que não tocar então “Fragile”, talvez o melhor momento do grupo, ao invés de “Going For The One”? Com certeza sua plateia ficaria bem mais satisfeita do que já tem ficado...

E que tal o Def Leppard, que em sua turnê atual tem tocado “Hysteria” na íntegra? Tá certo, foi seu trabalho multi-platinado, mas está muito longe de ser o melhor momento do grupo (alguém aí falou em “High & Dry”? “Pyromania”?). Neste caso podemos enquadrar também o Metallica, quando resolveu tocar seu “Black Album” inteiro – que, por mais clássico que seja, não chega aos pés de um “Kill ‘Em All” ou de um “Ride The Lightning”. Até que finalmente chegamos ao Green Day, que dias atrás mandou ver seu “Dookie” na íntegra – assim como nos casos anteriores, não há aquela interligação entre as canções que justifiquem sua execução na íntegra (diferentemente, por exemplo, de seu “American Idiot”, este sim um trabalho conceitual). Nestes casos, faz sentido tocar o álbum inteiro? Qual a relevância, por exemplo, do Def Leppard tocar temas como “Run Riot” e “Excitable” e deixar de fora do set “Foolin’”, “Photograph” ou “Bringin’ On The Heartbreak”?

E este fenômeno, chegou ao Brasil? Claro que sim... Não faz muito tempo, tivemos o Titãs lançando seu “Cabeça Dinossauro Ao Vivo”. E a Mix TV, que se tornou uma especialista no assunto, já convocou o Capital Inicial a executar seu álbum de estreia no mesmo formato, do mesmo modo como fez com o RPM e seu primeiro disco e com o Planet Hemp e seu “Usuário”. Por fim, no cenário pesado, André Matos esteve recentemente excursionando com o Viper, tocando “Soldiers of Sunrise” e “Theater of Fate” inteiros, além de em sua banda solo estar comemorando os 20 anos de “Angels Cry”, do Angra, da mesma maneira.

Se você ainda duvida do “fenômeno”, abra seu Google e digite “toca álbum na íntegra”... acompanhe só o grande número de notícias dos mais diversos artistas brasileiros e estrangeiros dos mais diversos gêneros que surgirão: The Offspring, Dead Fish, Picassos Falsos, The Breeders, John Fogerty (Creedence Clearwater Revival), The Stone Roses, Os Mutantes, Ratos de Porão, Queens Of The Stone Age...

Finalizando, lanço duas perguntas para o leitor do Whiplash.Net:

Você é a favor do artista tocar um álbum na íntegra, em detrimento de muitas outras músicas melhores que possam ficar de fora do show?

Qual artista e qual álbum você gostaria de ver neste formato?

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Sobre Doctor Robert

Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.

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