Metallica comercial: sem problema algum

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Metallica comercial: sem problema algum

Por Denner Maxwell

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Hoje em dia, seguir padrões pré-fabricados é quase um clichê entre quem deseja iniciar-se no verdadeiro “produto” que se tornou a música. É tudo muito “visual”, e pouco “audível”, ao ponto de parecer que as pessoas estão mais interessadas se um artista sai ou não vestido com “bifes”, se é bonito (ou bonita), e a música em si fica em segundo plano. A indústria fonográfica se adaptou bem a essa idéia. Sem a mínima inovação e senso de ridículo, não seria de admirar se gente como Justin Bieber e Lady Gaga, lançassem um disco sem músicas, já que tudo que estes precisam para vendê-lo são suas fotos na capa.

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Este conceito é chamado de “música comercial”. É claro que todo artista que se lança no “mercado” têm como objetivo vender-se - camisetas, pôsteres, capa de revistas, bebidas, tudo isso é uma forma não musical de fazer com que o dinheiro continue sempre circulando. Mudar o tipo de música para adaptar-se ao que é sucesso no momento é outra forma de negócio. Uma forma de comercializar o próprio som, diria.

Não que se dê para dizer se é certo ou errado, mas isso sempre gerou controvérsias, pois rejeição é geralmente um dos primeiros sintomas a nova informação que chega ao nosso cérebro. Especialmente no rock. “É música feita por imbecis e ouvida por retardados”, disse gente do calibre de FRANK SINATRA sobre o estilo ainda em seus primórdios alavancados por gente como ELVIS PRESLEY.

Mas se pessoas como essas não misturassem tanto o improvável – como acrescentar guitarras elétricas e pesadas no rock , coisa que na época foi muito perseguida, mas que deu origem a um dos pais do nosso querido metal – o cenário musical seria insuportável, repetitivo e sem graça.

É claro que não há nenhum problema em artistas que conseguem a façanha de gravar excelentes álbuns com a mesma “pegada” (AC/DC, IRON MAIDEN, RAMONES, MOTORHEAD e BLACK SABBATH estão entre as bandas que mais gosto de ouvir) e isso é muito legal desde que o artista realmente esteja satisfeito. Só que há quem simplesmente não conseguiria passar o resto da vida tocando a mesma coisa – bandas como THE BEATLES, THE WHO, LYNYRD SKYNYRD e BEE GEES são bons exemplos.

O METALLICA, apesar de explicitamente ser uma banda que toca Heavy Metal (o termo "Heavy Metal" abrange todos os subgêneros do estilo - do thrash ao viking, tudo é chamado de metal, que é a abreviação do termo "Heavy Metal". O mesmo acontece com o termo "Rock N' Roll". Led Zeppelin tocava Hard Rock nos anos 70, mas não deixa de ser Rock, que é a abreviação do termo "Rock N´ Roll") se encaixa perfeitamente neste escalão. Nunca se tornou a máxima referência [apenas] do gênero, e está num patamar um tanto acima da maioria das outras bandas do estilo. “A mais bem sucedida banda de metal do mundo”. Ao contrário de tantas outras bandas do heavy metal, o perfil do fã do Metallica é o mesmo do fã do LED ZEPPELIN e QUEEN a época: Não pertence a nenhum subgrupo – É o fã de música como um todo.

Assim como LED ZEPPELIN e QUEEN, não dá para apontar com precisão o real motivo pelo qual o METALLICA caiu na graça do grande público. Mas entrar nas rádios com boas baladas foi um bom começo. Essa estratégia, manjada por outros monstros do rock mundial (tendo AEROSMITH como um dos maiores beneficiados), permitiu que o grande público ouvinte de música pop chegasse a conhecer um pouco das bandas de rock/metal, pelo menos na época que o rádio era uma das principais propagandas para a divulgação de um artista. Isso não é errado.

O mais interessante é que a diversidade de estilos musicais era uma característica comum entre as bandas de rock que penetravam nas rádios.

No geral, os discos do METALLICA sempre possuem um núcleo diferenciado, e isso possibilita que a banda alcance diferentes tipos de público. Com artistas assim, não existe essa de “ou você ama ou odeia”, porque não é uma única música que vai definir todo o seu conteúdo. E a principal conseqüência da liberdade criativa, é a perda de parte de seu publico original.

Se no primeiro período entre Kill ‘Em All – ...And Justice For All o METALLICA conquistou o fã de heavy metal, nas fazes seguintes, entre o “Black Album” (o início da decadência da banda para alguns roqueiros mais sisudos) – ST. Anger, o METALLICA ganhou críticas banhadas a ódio dos mesmos. Aí está um problema.

Em GRANDE parte dos casos, as críticas feitas a Load/ReLoad não podem ser levadas a sério. É claro que há aqueles que realmente escutaram os discos e realmente não gostaram do que ouviram, e esses devem ter suas opiniões respeitadas. Mas em lugares como aqui no WHIPLASH, já vi muitos comentários dizendo que os discos são “diferentes”, “comerciais, “pop”, que a banda mudou o visual, mas raramente o ataque vai as próprias canções. Crítica proveitosa é aquela que não sai do seu contexto original – no caso dos discos, é aquela que seria contra a música propriamente dita.

Mas foi sempre assim. Ainda nos anos 80, quando se imaginava que o heavy metal não poderia ficar [ainda] mais intenso do que o que era feito por bandas como MOTORHEAD e IRON MAIDEN; Kill ‘Em All, o primeiro disco do METALLICA, elevou o conceito de “peso” ao quadrado (leia-se de heavy a Thrash). A banda foi criticada pelos “especialistas de música” na época – os mesmos que os enaltecem hoje – que só viam uma banda imatura, com um som altamente apelativo, sem pudores para lançar truques que envergonhavam músicos sérios. Porém, o METALLICA estabeleceu parte de sua carreira passando ao largo da opinião crítica, sendo adotado principalmente pelo público jovem, que pouco se importava com o palpite dos outros.

Talvez James Hetfield seja uma das principais razões para a constante inovação da banda, já que sempre foi contra as “tendências” pré-estabelecidas do gênero. Como vocalista, optou por tons graves, fugindo do “padrão sempre agudo” ditado por quase todo o resto na época. Como guitarrista, sempre procurou diversificar-se. Ele não só criou poderosas passagens de riffs como “Hit the Lights” e “Seek and Destroy” (esse, o melhor riff já feito no metal), mas também melodias marcantes, como em “Nothing Else Matters”, e o belíssimo country “Mama Said”. Uma vez questionado sobre o que seria algo “novo” para a banda em Lulu, disco gravado por Lou Reed que teve o METALLICA como banda de apoio, James repreendeu firmemente: “Não é algo novo, éramos nós. Estávamos sendo o METALLICA. E se você quer seguir esse espírito de liberdade, então venha. Se não, fique com seu disco favorito... Sei lá, nós não gostamos de ficar aprisionados”. Melhor definição impossível!

Mas há Lars Ulrich, também. Na vida, há aqueles que desde o inicio tem certas facilidades (entenda-se como vantagem, ou o que muitas pessoas chamam de “talento”) para determinadas tarefas. E há outros que tem que dar duro desde cedo pra se aperfeiçoar em algo. Lars Ulrich é o segundo. Não é um prodígio da bateria, mas está sempre em qualquer lugar onde se comece uma boa batida, revirando incontáveis estilos (dos mais novos aos mais velhos), e buscando neles, aprimorar a si próprio.

O METALLICA é assim. Tocam o que querem, gravam o que gostam, e fazem diversos covers para homenagear os artistas que admiram. São como em uma banda de garagem. Nem sempre acertam - mas esse é o preço pago pela liberdade criativa. E odeiam monotonia. Até ao vivo. O set list da banda é sempre alterado em cada uma de suas apresentações – assim possibilitando que o fã possa assistir a mais de um show durante as turnês.

Para finalizar, diria que a música não pode se definir pelo certo, nem pelo errado, nem pelo bom, e nem pelo ruim – ou, posto de outra forma; a música constitui-se pelo certo, o errado, o bom e o ruim. Isso se dá por que quem decide o que é bom e ruim são as pessoas, e as próprias pessoas têm diversas opiniões sobre o que é ou não bom.

Adaptando as palavras de outro escritor aqui no Whiplash: “Sãos os caras mais autênticos do heavy metal, e, por isso, os que mais respeito!” E, a propósito, isso é só a minha opinião!

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