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E então, minha opinião nada isenta é: o álbum é uma merda.
De doze músicas apenas quatro possivelmente serão lembradas para ouvir no futuro (a saber: “Because We Can”, “Pictures of You”, “I’m With You” e “Amen”).
Curiosamente nesta mesma semana Nikki Sixx, baixista e compositor do Mötley Crüe, anunciou que a banda gravará seu último álbum e acabará, dando tempo aos seus integrantes para seguirem com outros projetos (o próprio Nikki tem o SixxAM) e terminar por cima, como uma banda que inventou um gênero seguido ao longo da década de 80 e sobreviveu (essa é a parte mais impressionante) para contar a história.
O Aerosmith, megalodonte do Hard Rock, provavelmente também encerrou a carreira (ou ao menos os álbuns inéditos) com o excelente “Music From Another Dimension”, de 2012.
Ora, e por que eu daria estes exemplos? Para ilustrar as três possíveis atitudes que um músico ou qualquer outro artista pode ter ao perceber que a idade bateu e que ele não é mais o mesmo de antes.
Jon Bon Jovi e sua banda continuaram insistindo em álbuns insípidos, com poucos destaques e mais pontos baixos que altos, o que manchou a imagem da banda para muitos e conquistou pouquíssimos novos fãs. O que impressiona mais nessa atitude é que tanto Jon quanto Richie Sambora (guitarrista) e David Bryan (tecladista) tem excelentes projetos solos e podem viver confortavelmente da renda de seus primeiros álbuns.
É quase inacreditável que, ao ouvir “What About Now”, estamos ouvindo a mesma banda que um dia criou ‘Livin On A Prayer’, ‘Raise Your Hands’ ou ‘You Give Love a Bad Name’. Não que o grupo tenha que tocar a mesma coisa eternamente, mas a falta de energia e sentimento em “What About Now” incomoda os fãs da banda, que esperam ao menos, se não o mesmo som, a mesma paixão. Tá na hora de parar.
Nikki Sixx provavelmente percebeu que o barco Mötley Crüe ia afundar eventualmente, já que Vince Neil, que nunca foi um grande vocalista, definitivamente não consegue mais cantar as músicas inteiras e com as notas certas. Mick Mars, guitarrista, nunca mais foi o mesmo desde que teve boa parte de sua bacia substituída por placas de titânio e Tommy Lee… Tommy Lee é o mesmo.
O problema com o Crüe, percebido por Nikki Sixx, é que a idade dos integrantes parece impedi-los de serem os mesmos, e provavelmente o próprio Nikki não se identifica mais com a proposta da banda, que foi sua vida (segundo o próprio) pelos últimos 30 e alguma coisa anos.
Qualquer um que se dê ao trabalho de ler “This Is Gonna Hurt” percebe que Sixx se sente mais à vontade com sua nova banda, SixxAM do que com o Crue, e que seu ‘eu’ verdadeiro está no novo trabalho.
O Aerosmith, por sua vez, mostrou que quem é rei nunca perde a majestade. Com um álbum absurdo, mostrando todas as fases da banda e um tanto quanto autobiográfico.
“Making Love at seventeen, yeah we had the luck. But we traded our joys for other toys and we didn’t give a…”, diz a letra de Legendary Child, cujo clipe que já começa com um narrador dizendo “Esta é a história do Aerosmith”.
O Aerosmith deixou claro com este álbum que, se é pra terminar, que termine no auge, enquanto as pessoas ainda te olham e pensam “Ali vai um monstro sagrado”.
Steven Tyler destila sua habilidade vocal e Joe Perry mostra toda sua evolução, o mesmo valendo pra todos os membros da banda.
Se pararem agora, serão pra sempre lembrados como uma banda excelente e importante para a história do rock.

Concluindo: Resta saber agora o que outros artistas antigos ainda em atividade farão. Será o que AC/DC consegue manter a peteca? Será que o Bono Vox não tem pensado demais em ser bonzinho e esquecido do U2? Só o tempo dirá.
PS: Tudo dito para o Aerosmith vale para o KISS e seu "Monster".
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