A Internet estúpida

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A Internet estúpida


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A chamada inclusão digital é uma maravilha, no sentido de democratizar a informação. A Internet possibilita ao indivíduo uma inteiração em tempo real com o que acontece no mundo e dá acesso a qualquer tipo de informação. Que álbum, hoje, não está na rede, pronto para ser baixado?

O ambiente da Internet possui suas células. Há aqueles que se concentram em espaços virtuais para discutir a respeito de livros, de filmes, de culinária, etc. Entre os mais variados assuntos, está a música, o rock, o heavy metal. Há vários tipos de fóruns, espaços para comentários e divulgação em torno do assunto da música pesada.

Entre os problemas que vieram de brinde com as vantagens da Internet estão a indústria fonográfica de calças arriadas, discos com vendas baixíssimas, pirataria descarada e bons artistas prejudicados pelos downloads. Além do referido cenário problemático, há o fato de haver milhares de imbecis que se utilizam da Internet unicamente para esculhambar com o que puderem. Não posso falar dos espaços virtuais que se propõem a discutir saúde e higiene pessoal, porque não os frequento, mas posso falar dos espaços reservados a falar de música.

Aqui, nós podemos falar dos pontos negativos da inclusão digital: qualquer um pode dizer o que quiser e todos têm acesso à Internet e, assim, são esculhambadores em potencial. Os gênios que viabilizaram a Internet eram democratas de coração, mas nunca imaginaram que sua criação seria uma poderosa ferramenta para a estupidificação e para a intolerância. Falando dos ambientes onde se discute música, a presença de pífios, sem vocabulário ou ideologia é notável. Quando se fala em intolerância nos meios virtuais onde se discute música, é notável e flagrante a dificuldade dos usuários de tais veículos de aceitar a opinião de terceiras pessoas. Porque o indivíduo acredita que tal banda é a melhor do mundo, é um pecado mortal que qualquer um diga o que quer que seja contra essa ideia. O fã do Metallica, retardado mental, intolerante e limitado não admite que se elogie o “Reload” sem antes babar nos ovos de “Master Of Puppets”. O debiloide fã de Iron Maiden, intolerante e limitado, não admite que se diga que a banda parou no tempo ou que “The X Factor” é um baita álbum. Predominantemente, os usuários de espaços virtuais onde a música é discutida nunca ouviram falar na palavra subjetividade, que pressupõe que todos os indivíduos têm sua própria maneira de pensar.

Dessa forma, os ambientes de discussões a cerca de música se tornaram um circo e um campo minado. Usuário ridiculariza usuário. Usuário tenta humilhar usuário, e tudo porque há pensamentos diferentes e ninguém conhece a expressão “respeito o que você pensa, mas eu penso diferente”. Tais espaços virtuais também são uma mina de ouro para advogados que vasculham por causas e pretendem levar aos tribunais as chacotas que ocorrem. Quando o ponto de vista jurídico é posto em voga, aquele que o trouxe à tona é ridicularizado, porque ainda existe o mito de que a Internet é um território sem lei e que aquele que se esconde atrás de um “nick” está a salvo de qualquer medida legal ou retaliação. Não acontece dessa forma quando está na equação alguém que não quer levar desaforo para casa.

Assim, espaços que são reservados para debates que deveriam ser construtivos, acabam por se tornar rinhas de galo, onde um que não concorda com o ponto de vista de outro agride, ofende, xinga, desqualifica. A discordância se tornou justificativa para ser baixo, mal educado, deselegante. Mas, tudo bem... Estamos na Internet, território sem lei. Não é dessa forma e medidas drásticas podem ser tomadas à medida que o ofendido não quer levar desaforo para casa.

Gradualmente e rapidamente a Internet se torna um revolver engatilhado nas mãos de uma criança: porque as pessoas simplesmente não sabem usar a melhor ferramenta de comunicação já inventada pelo homem depois da escrita. Se combater a idiotice generalizada é combater uma epidemia, então os espaços para discussão deveriam ser banidos, porque não há limites para palhaçada e os danos são, normalmente, irreparáveis, tanto intelectualmente quando pessoalmente. Um idiota vê outro idiota fazendo idiotice e isso pode ser uma boa ideia, afinal, estamos na Internet, território sem lei.

A inclusão digital visa democratizar a informação, mas, ao mesmo tempo, coloca nas mãos de irresponsáveis uma arma carregada. Eles atiram em todas as direções sem medir consequências ou contribuir com o que quer que seja, além do burlesco, do ridículo, do pífio. Mas está tudo certo: estamos falando da Internet, território sem lei.

O fã de música pesada tem seu orgulho, mas não nota que, quando discute o tema, se torna um palhaço, um intolerante. Se o rock é libertário, seus fãs, quando debatem o tema, são ditadores, porque não toleram a opinião alheia. Ao invés de disparem suas AK-47s, disparam sua imundície retórica para todos os lados.

Os administradores e moderadores de redes sociais onde se discute música deveriam fazer um favor ao mundo e coibir com extrema rigidez a babaquice generalizada e tornar seus espaços para comentários e debates algo produtivo, não um tentáculo a mais da estupidez humana. Ou isso, ou chega.

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Sobre Igor Z. Martins

Jornalista do interior do Paraná, Igor entrou no mundo do rock pesado em 1998, com "The X Factor", do Iron Maiden. Posteriormente, cairam em seus ouvidos Metallica, Guns N'Roses, Dream Theater, Megadeth, etc. Eclético, consegue escutar Oasis, Death, Pantera e Pink Floyd em sequência! Gasta mais da metade do que ganha com CDs, sendo, assim, chamado de "burro" por aqueles que acreditam que "é só baixar da Internet". Quer lhe dar um presente, fazê-lo feliz? Dê-lhe um CD! Comportar-se como criança diante de um CD novo e sentir o cheiro de encartes são marcas de sua paixão louca pela música!

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