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Grandes artistas são aqueles que sempre mudam, certo? Bem, não necessariamente... Mas, é inegável que um artista "mutável" pode trazer surpresas que nos levem a escutar - e analisar - a sua obra de uma forma multidimensional, levando em conta aspectos como criatividade, tato para os negócios, ou mesmo o estado psicológico do compositor durante o trabalho em cima de um conjunto de músicas.
Caras como David Bowie e Neil Young, por exemplo, pareciam mostrar uma constante inquietação musical ao longo dos seus discos, o que sempre resultava em obras inesperadas, que dividiam opiniões até entre os seus fãs mais 'xiitas'. Caso duvide, procure por resenhas de fãs sobre os alguns dos melhores discos dos dois artistas, e verá que todos possuem lá suas críticas negativas...
Young elevou o seu "folk rock" a uma abrangência musical que certamente chocou todos aqueles que começaram a curtir o som do cara pelas suas belas canções "semi-acústicas" iniciais. Ao longo dos anos, o canadense investiu em álbuns puxados para o country, rock 'n' roll, southern rock, hard rock, new wave, grunge, e até noise rock! De músicas virtuosas a canções minimalistas, o velhinho continua "brincando" com vários tipos de sonoridades e produções.
Confira três exemplos de sonoridades distintas de Neil Young:
Heart of Gold:
Touch the Night:
Angry World:
E se estamos falando de variações absurdas, David Bowie é o principal exemplo das possibilidades de experimentações no rock. Dono de uma identidade melódica e lírica que pode ser facilmente notada até nos seus álbuns mais "peculiares", o cara impressionou do primeiro ao último disco (o ótimo "Reality", de 2003). Por sinal, até os detratores de grandes mudanças sentem falta de um novo trabalho do "camaleão do rock".
Confira três exemplos de sonoridades distintas de David Bowie:
Ziggy Stardust:
Little Wonder:
Thursday's Child:
Não sou daqueles que desvalorizam o rock atual, mas é fato que não temos mais tantos artistas com tamanha vontade de "brincar" com sons diversos ao longo das suas respectivas carreiras. Isso vale tanto para os novatos quanto para aqueles veteranos que já foram mais ousados nos seus tempos áureos. Independente de inovar a música ou não, nada impede um músico de ouvir coisas distintas e incorporá-las ao seu som.
Tudo bem que bandas como AC/DC, Status Quo e Motörhead são perfeitas (ou quase) do jeito que são, mas também precisamos de mais "Bowies" e "Youngs" no nosso querido rock 'n' roll. E que as novas gerações procurem escutar o maior número possível de álbuns desses dois artistas, além dos trabalhos de outros caras "inquietos" como Bob Dylan, Bruce Springsteen, e o saudoso Frank Zappa.
E caso você consiga pensar em mais exemplos - e eu sei que existem vários outros -, pode citá-los na parte de comentários!
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Baiano, sempre morou em Salvador. Trabalha na área de Informática e ¨brinca¨ na bateria em momentos vagos, sem maiores pretensões. Além disso, procura conhecer novas - e antigas - bandas dos mais variados subgêneros do rock. Por fim, luta para divulgar, sempre que possível, o pouco conhecido cenário rocker da tão sofrida ¨Terra do Axé¨.
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