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Rock na Velha: "A crítica musical no Brasil é uma bosta"

Postado por Breno Airan | Fonte: Rock na Velha |

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Eu sei, o título fala de NANDO REIS logo de cara, mas entendam: num total de 26 músicas cantadas no show-tributo à LEGIÃO URBANA - que mais tarde virará um "MTV Ao Vivo" -, o ator WAGNER MOURA desafinou, nesta terça (29), aqui e ali. Meio tom acolá.

Ele, o eterno capitão Nascimento, inclusive, é também cantor de um grupo brega dos tempos de faculdade, o Sua Mãe.

Pois bem. O artista foi escalado para cantar músicas da banda de Brasília e não para encarnar no palco o saudoso RENATO RUSSO no palco, este falecido em meados de outubro de 1996. Se fosse um outro cantor - e de rock -, as comparações seriam bem mais escancaradas. Mesmo assim, houve.

O que se viu foi um fã em cima do palco, por vezes com a voz falha devido à emoção fulgente. Engolindo o choro. Afinal, aquele momento seria histórico para os 7 mil que estavam ali em sua frente, no Espaço das Américas, em São Paulo.

A cartase foi garantida e o público ajudou os soluços emocionados de Moura, cantando junto muitos dos hits do grupo.

MARCELO BONFÁ e DADO VILLA-LOBOS, integrantes da Legião, disseram que estas seriam as últimas investidas deles usando o nome da banda. Antes mesmo do espetáculo, eles comentaram que este não era para ser levado tão a sério.

Ademais, críticas ferrenhas choveram em se tratando da voz "desafinada" de Wagner Moura e do entrosamento de todos. Mas ele era só mais um fã. O único que realizou o sonho de cantar com seus ídolos de infância. E o melhor: nada de imitações. Os trejeitos dele não tentavam ser iguais aos de Renato, mas sim eram de um nervosismo misturado com um sorriso sempre a postos, quase que indicando segurança.

O que vem à tona é a crítica. Se a experiência era somente para ficar como a despedida dos músicos originais dos palcos e não um espetáculo telúrico impecável, para que se importar tanto com a performance de Moura? Mas os especialistas caíram em cima. E é aí que Nando Reis entra, falando do 'criticar por criticar'.

Desta feita, um destaque a uma entrevista feita com o ex-titã é de crucial relevância nesse momento. Em setembro de 2011, à revista Playboy, ele disse que a crítica musical no Brasil não presta.

Quando perguntado se ela o irritava, ele retrucou com um "pra caralho!" E continuou: "A crítica musical é uma bosta. Aliás, não existe. Crítica musical no Brasil é ir com a onda da fofoca. É exatamente o lugar onde tem um monte de caras que na verdade gostariam de subir ao palco e só escrevem bobagem. Bicho, é uma bosta".

Mais adiante, Nando Reis pontua o fato de muitos questionarem que "artista tal quer ganhar dinheiro", como se a música não fosse sua arte a ser, com efeito, vendida.

"Há um pressuposto de que a conta de luz de um artista é paga pelo governo, pelo céu, pela luz divina. Não! Qual é o problema de querer ganhar dinheiro? De precisar de dinheiro?", questiona ele.

E o ex-titã ainda considera que "a crítica musical trata daquilo que faz sucesso como se fosse algo apenas procurando lucro. É uma inversão de valores completa tratar uma música que faz sucesso como algo sem qualidade [por exemplo]. Justamente vindo de quem está sendo pago e deveria se profissionalizar e [Nando fica muito exaltado] produzir análise e crítica musical com qualidade! E daí fica essa disputa, esse braço de ferro. Um monte de jornalistas cuzões, despreparados, gente que gostaria de ser músico e ter uma banda de sucesso falando mal de quem faz sucesso! Num jornal popular!".

Em outro trecho da conversa, ele ainda revela que não escuta música brasileira, pois não o satisfaz.

Desta feita, o detalhe é que música de qualidade é necessária, claro, mas sejamos mais razoáveis. Ou pelo menos nos inteiremos do assunto.

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Sobre Breno Airan

Acima de tudo, um forte. Ser roqueiro no Nordeste é estar cercado de olhares de soslaio. Mas ele sabe ser simpático. Começou a escutar Heavy Metal ainda na barriga da mãe. A seu pai, uma verdadeira enciclopédia do estilo, deve tudo. Aos 14 anos, pediu para uma tia R$ 12 de presente de Natal, foi a uma loja de CDs usados e catou logo o "Rust in Peace", do Megadeth - em perfeito estado, inclusive. Daí por diante, a paixão só vem aumentando. É editor do blog Rock na Velha, integrante do blog Combe do Iommi e colaborador da revista alagoana Rock Meeting. Ainda tem tempo para ser jornalista e de tocar baixo em sua banda de Hard Rock, a Azul Manteiga.

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