Angra: A saída de Edu e suas implicações

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Angra: A saída de Edu e suas implicações

Por Luizim Marques

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Edu Falaschi está fora do Angra. Da forma como as coisas estavam acontecendo, e da forma como estava tudo tão quieto, não é de surpreender que algo estivesse para acontecer. Também não é surpreendente, embora não fosse esperado, que Edu saísse da banda. Durante muitos anos, pouco mais de uma década, Falaschi foi, mais do que a voz e a cara, o para-raios da banda. Ainda vocalista do Symbols, ele se dispôs a carregar uma verdadeira cruz. Quando entrou na banda, o Angra já era grande. E muito de sua grandeza foi obtida devido ao vocalista anterior, absurdamente competente e extremamente carismático.

Quando Matos abandonou o barco, muitos acharam que seria o fim. E, mesmo não sendo, Edu sofreu com o estigma da enorme sombra de Andre, muito por culpa dos fãs xiitas da banda, que foram e são incapazes de consumir o trabalho de um bom artista sem compará-lo ao seu predecessor. Isso obviamente tirou muito da sua alegria de estar presente na banda, porém aguentou firme e sobreviveu dentro dela para lançar pelo menos dois bons álbuns, sendo um desses extremamente aclamado, competindo com o Holy Land como “O ÁLBUM” do Angra para a maioria de seus fãs e críticos especializados: falo do Temple of Shadows. O outro obviamente é o Rebirth. Completam sua discografia o Aurora Consurgens e o Aqua.

O período do Temple of Shadows também remete ao início de seus problemas mais visíveis de perda de saúde vocal, cujos quais Falaschi luta para se livrar até hoje, sendo estes problemas os responsáveis por boa parte das reclamações dos fãs, sobretudo ao vivo. Edu tem uma boa voz, mas foi notório o comprometimento de sua saúde, que foi caindo vertiginosamente ao longo dos anos, pois, no sacrifício, ele continuou a fazer shows sem parar para resolver seu problema. James La Brie parou de cantar por praticamente um ano para voltar a ficar em forma para o Dream Theater. Funcionou. Edu não parou de forma alguma, cantando num padrão vocal, numa tessitura que não era a sua. De fato, nem as próprias músicas que escreveu para si próprio no Angra parecem ser confortáveis para o vocalista. Então, além de “emular” as linhas vocais de Andre Matos nas músicas antigas, ainda compôs músicas que fugiam de sua extensão. É claro que ele conseguiu cantar, mas faça isso por dez anos e você perceberá os estragos mais na frente.

Seja como for, com o tempo, Edu Falaschi conseguiu dar uma cara para a banda. E a ela foi fiel durante anos. Em meados da década, contudo, passou a dividir seu tempo entre o Angra e o Almah, esta última sendo uma banda de sua própria criação. Integrar outra banda além do Angra não é propriamente uma infidelidade, mas de certo modo mostra como não havia plena felicidade dentro de sua banda principal, pois foi preciso criar um projeto próprio para poder acomodar sua produção musical excedente, algo que o Angra não aproveitaria. Edu mostrou seu valor como compositor de forma efetiva no Almah, embora também tenha boas composições no Angra. Percebe-se isso facilmente comparando a diferença de assimilação entre o Motion e o Aqua, que são dois discos praticamente contemporâneos. Sem sombra de dúvidas, o disco do Almah é melhor.

Diversos eventos ocorreram além desses, e alguns trouxeram repercussões bastante negativas. Por exemplo, no fatídico dia do metal nacional. Edu, em um momento de destempero, soltou um comentário no mínimo infeliz por mais ou menos 10 minutos acerca da cena Heavy Metal brasileira. Embora muita coisa que ele tenha dito seja verdade, existe um velho dito popular que diz: “quem bate perde a razão”. E foi exatamente isso que aconteceu. Embora suas criticas tenham, sim, fundamento, ele foi altamente contundente com seu público, de uma maneira até mesmo chula, pejorativa. E, a partir desse episódio, Edu protagonizou, na maioria das vezes por meio de seu Twitter, uma série de comentários polêmicos, divisores de opiniões, em sua maioria incitando a fúria dos Bangers. Como último exemplo disso, temos o seu comentário final (e positivo) sobre o Metal Open Air, gerando muita fúria e destempero por parte da nação metal em todo o Brasil, humilhada física, financeira e psicologicamente por uma produção, no mínimo, desastrosa.

O último grande show do Angra com Falaschi ocorreu no Rock N’ Rio, em 2011. Privado de vários recursos de palco, o Angra executou um show bem aquém de suas apresentações costumeiras. Talvez por isso (ou não) Edu fez realmente um show bem abaixo de sua capacidade e a banda então entrou em um hiato.

Todos nós paramos e certamente refletimos por alguns minutos, certamente sobre seu comunicado na madrugada dessa quinta feira (24/05/2012), principalmente porque ele veio acompanhado do comunicado de Felipe Andreoli, baixista do Angra e do Almah, sobre seu desligamento desta última banda. Felipe mencionou um desgaste da relação em âmbito pessoal. Isso pode ter sido o real motivo de sua saída do Almah, mas esse desgaste também pode ter chegado a “alta-cúpula” do Angra, formada por Loureiro e Bittencourt. É muito estranha uma saída dupla desse nível, com Falaschi se desligando do Angra e Andreoli, o único do Angra além de Falaschi, saindo do Almah ao mesmo tempo. Tudo isso, claro, é especulação, mas já nos traz um direcionamento de que a ligação entre Edu e Angra já vinha fraca.

Como não podia deixar de ser, óbvio, todas as atenções agora se voltam para Andre Matos. Com sua volta ao Viper, em princípio até julho (e então com data certa para acabar, teoricamente), com sua saída do Symfonia e gerenciando de forma branda e sóbria sua carreira solo, tempo é algo que o vocalista deve ter sem maiores problemas. Livre de Toninho Pirani, o Angra já não mais parece ser um ambiente tão improvável assim para a sua volta. Por outro lado, Ricardo Confessori pode ser o grande obstáculo, já que os dois tiveram problemas sérios no Shaman.

Outro caminho lógico seria Rafael Bittencourt assumir em definitivo os vocais do Angra. Rafa já mostrou que isso é possível. O Brainworms I é um grande trabalho, onde ele mostra toda sua desenvoltura como guitarrista e também como vocalista. Os shows desse disco também mostraram que ao vivo ele é tão competente quanto em estúdio.

Não acredito em um novo vocalista para a banda e acho que isso está passando pela cabeça deles também: uma solução “doméstica”. Foi isso que eles fizeram quando da saída do Aquiles, promovendo o retorno do Ricardo.

Seja como for, sorte ao Angra. Sorte ao Edu Falaschi também. Independente de seus problemas e críticas (justas ou não) escreveu seu nome na banda e com ela fez grandes trabalhos. Nasceu para o mundo como artista. A banda provavelmente também se sente grata, por todo o legado que este ajudou a criar e carregar. Aparentemente, a saída de Edu parece ser menos traumática que a de André em 2000. Tomara que seja mesmo. Se tem uma coisa que não faz falta ao Metal e que o já prejudicou diversas vezes foi essa segregação raivosa sem motivo aparente, algo tão incurável na cabeça dos homens e tão passível de melhora para o tempo, já que as vezes o tempo passa, o ressentimento fica e ninguém nem lembra ao certo do motivo. Tomara que, da mesma forma, se não for possível uma volta, que Andre Matos possa, sim, se aproximar mais dos músicos da banda, pelo menos em nível de amizade, companheirismo, ou que pelo menos seja possível mantê-los em um nível profissional. A música só iria se beneficiar com isso, bem como os fãs, seja no Angra ou em alguma outra possibilidade vindoura de trabalho. Todos nós agradecemos.

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