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1. Vendas de gravações fonográficas não vão gerar renda significante
Os ouvintes de música estão dizendo em alto e bom tom que acesso e conveniência são mais importantes do que objetos físicos e qualidade de som. Um passo já foi dado com a mudança do CD para propriedade de arquivos digitais, e o próximo passo está chegando quando a propriedade de arquivos digitais mudar para o streaming de tudo a partir de sistemas de ‘nuvem’ (seja via Spotify, MOG, um serviço fornecido pela Apple ou pelo Google, ou algo do tipo). As gravadoras estão putas da vida porque você não pode marcar um arquivo ou um stream como você poderia a um objeto físico, então as margens de lucro são menores; é uma merda, mas os fãs se pronunciaram e é assim que eles querem música, e é assim que rola. A renda vai ter que vir de outras fontes.
2. Tocar Metal vai ser coisa de jovens
Ainda mais do que é agora. Sem renda significativa de produtos gravados, as bandas vão ter que ficar na estrada mais tempo para terem exposição, e com mais bandas na estrada o tempo todo, as bandas vão começar a tomar a renda uma das outras. Os fãs terão uma quantia limitada de dinheiro para pagar por shows e merchandise. Mais tempo na estrada implica em menos confortos materiais na vida e menos tempo com parentes e entes queridos; isso é muito divertido quando você tem 20 anos de idade, mas cansa à medida que você se aproxima dos 30. Espere que mais bandas se separem mais cedo e que troquem de membros mais frequentemente do que jamais foi visto antes. Isso já está acontecendo.
3. Seu disco será uma ferramenta para promover sua turnê
Essa é uma guinada de 180 graus em relação à maneira que era, quando você ia para a estrada para arrecadar vendas pro seu álbum. Hoje em dia música nova é uma desculpa para gerar interesse suficiente por parte do público para permitir que você volte à estrada onde o grosso do dinheiro está: vendas de ingressos e claro, merchandise.
4. Todo mundo vai ganhar menos dinheiro
Desde os membros das bandas até as gravadoras, empresários, promotores de shows, revistas, web sites, assistentes, etc. O resultado de menos dinheiro na cena é que aqueles que ainda trabalham na indústria são aqueles que realmente amam a música e não estão nessa por causa de vadias e farinha; o resultado disso será um produto melhor para todos.
5. Se você quiser ganhar muito dinheiro, funde uma empresa de merchandise
O único setor da indústria que parece à prova de queda é o merchandise; as empresas de merchandise deviam estar imprimindo cédulas de dinheiro nas camisetas hoje em dia e eu não vejo isso mudando tão cedo a menos que o mercado de merchandise seja inundado com novas marcas, diluindo a garapa. Isso provavelmente vai acontecer um dia, mas no momento, o negócio de merchandise é muito bom.
6. Empresários serão Reis
Empresários já existentes podem se destacar, novos aparecerem, ou gravadoras mudarem seu estilo de negócio e se mutarem em algo parecido com grupos de promoção ou empresariamento, isso ainda veremos… mas no futuro próximo, tudo vai girar em torno do quão bom é seu empresário. O Diabo quer levar sua alma, e você precisa de alguém que ‘manje do assunto’ e faça a coisa certa toda vez. Alguém que esteja em sintonia com a cena moderna do Metal, alguém que fique a par de tendências em ascensão na internet e novas tecnologias, alguém que entenda de vendas de merchandise na estrada e coordene distribuição via correio, alguém que bote os pingos nos ‘I’ em todo e qualquer contrato que chegue até você. Alguém em quem você confie.
7. Corretores de shows serão os Príncipes
O empresário pode tomar as decisões finais, mas o corretor de shows tem o conhecimento de cada mercado local e as relações para fazer com que as boas turnês aconteçam. Com o aumento no tráfego de turnês, as boas turnês ficarão mais importantes do que nunca. As gravadoras terão agentes internos para tomar conta das bandas menores enquanto as grandes bandas ficarão com os cachorros grandes do The Agency Group, Paradigm, etc. ou as gravadoras terão agências independentes. Homens de negócios astutos como Ash e EJ já estão fazendo isso… eles viram o futuro.
8. Membros de bandas vão precisar se envolver mais com os negócios da banda
Acabaram-se os dias em que você podia simplesmente deixar seus encarregados fazerem o trabalho. Isso já acontece, mesmo com as bandas que têm bons empresários; converse com gente como Misha Mansoor em um show e você aprenderá que eles estão a par de todo e qualquer aspecto dos negócios da banda.
9. Sua banda tem que ser DO CARALHO
Ser simplesmente medíocre ou muito boa não vai te levar a lugar algum. A internet e a tecnologia cada vez mais barata nivelaram o campo e resultaram em um mercado abarrotado de bandas medíocres e boas [essas bandas existiam no passado, mas não conseguiam divulgação mundo afora]. O que torna sua banda diferente? O que lhe faz melhor do que todas as outras bandas que estão fazendo algo similar? Gravadoras e empresários vão continuar a fazer suas apostas ao contratarem uma vasta gama de artistas incluindo alguns que estão na crista da onda, mas só haverá retorno verdadeiro ao arriscarem-se em algo único. Foram-se os dias quando você contratava uma banda somente porque o estilo que ela toca está na moda e você as enfiava na mídia.
10. Somente as bandas maiores poderão fazer turnês internacionais
Levar uma banda para outro país é caro; com vôos e vistos você já gastou mais de 10 mil reais, e daí você tem que correr atrás de aluguel de equipamento, uma van, acomodações, e possivelmente um agente de turnê, alguém pro merchandise e equipe técnica. Já que discos são agora uma ferramenta para promover turnês e não o contrário, as gravadoras não têm mais incentivo financeiro para fornecer ‘logística de turnê’- empréstimos compulsórios que as gravadoras dão ás bandas para que saiam excursionando – o que quer dizer que se sua banda vai viajar para o exterior, vocês tem que estar fazendo um bom dinheiro para que dê certo. O número de bandas de porte médio e pequeno excursionando for a de seus países/regiões irá encolher. Isso não é necessariamente algo ruim, já que menos aparições no mercado colocarão os shows da banda em maior demanda, fazendo com o que o valor de seu show suba.
Fonte: site Metal Sucks
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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