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Rock em Análise: Quem sabe, faz... em estúdio!

Por Fábio Cavalcanti | Em 31/01/11 | Fonte: Rock em Análise
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Quem nunca ouviu a famosa frase "Quem sabe, faz ao vivo"? Tudo bem, estamos falando de um tipo de indireta crítica que pode incentivar um artista a mostrar que sabe tocar de verdade, o que é louvável. Por outro lado, como podemos saber realmente se todos os artistas que conhecemos possuem tal... hum, poder? Pior: e os artistas que adoramos, mas descobrimos posteriormente que são "ruins de palco"?

Há quem goste de considerar os álbuns ao vivo de um artista como amostras fundamentais do seu talento em cima de um palco, mas não devemos esquecer que tais trabalhos também passam por todo um refinamento em estúdio, o que os coloca em um meio-termo entre "álbum de estúdio" e "coletânea de sucessos". E o que falar então de um 'bootleg', com a sua quase obrigatória qualidade lamentável de gravação? Quem leva esse tipo de "registro" a sério, certamente tem problemas mentais...

No fundo, todos nós sabemos que a obra prima de uma artista é o seu trabalho registrado em estúdio. Seus grandes singles são músicas gravadas em estúdio, e seus álbuns de estúdio trazem um verdadeiro reflexo criativo (ainda que falho, em alguns casos) dos momentos em que foram gravados.

Claro que, com o tempo - e após pesquisas mais detalhadas acerca da produção de um álbum de estúdio -, podemos descobrir verdadeiras falcatruas acerca de muitas gravações, como por exemplo: certos instrumentos gravados por músicos contratados, milhares de 'overdubs' para "montar" uma música de difícil execução, correções brutais em cima de uma voz falha e/ou desgastada, etc...

Mas, o que é uma banda - especialmente uma famosa - senão uma "empresa"? Os integrantes não são apenas os músicos, são os "administradores" de sua obra, o que os leva a tomar decisões como as citadas anteriormente, sempre que a situação pede. Como as dimensões de uma banda vão além daquelas pessoas que aparecem nas fotos de divulgação e listagens de integrantes, podemos avaliar álbuns super produzidos como sendo legítimas obras daqueles indivíduos.

Voltando à questão da pseudo importância de um show, não é apenas o álbum ao vivo retocado que pode passar uma imagem equivocada da banda. Em um concerto, também podemos fazer uma avaliação injusta em cima de uma noite que foi pouco inspirada para o grupo, assim como podemos culpar o grupo por aspectos técnicos que dizem respeito a um local ruim. Sem contar que podemos tecer elogios a uma banda que manda muito bem... nos 'playbacks'!

No final das contas, fica a pergunta: do que adianta tal super valorização de um show? Não é mais interessante nos concentrarmos naquilo que podemos avaliar de forma mais concreta? Além do mais, quem disse que um artista "ruim de palco" não pode fazer música boa? Pense nisso ao escutar o maravilhoso álbum de estúdio daquela banda que mal sabe o que fazer em cima de um palco...

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Sobre Fábio Cavalcanti

Baiano, sempre morou em Salvador. Trabalha na área de Informática e ¨brinca¨ na bateria em momentos vagos, sem maiores pretensões. Além disso, procura conhecer novas - e antigas - bandas dos mais variados subgêneros do rock. Por fim, luta para divulgar, sempre que possível, o pouco conhecido cenário rocker da tão sofrida ¨Terra do Axé¨.

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