WHIPLASH.NET - Rock e Heavy Metal!

O Heavy Metal nos Limites da Simples Filosofia - Parte I

Idiota. “Substantivo. Membro de uma vasta e poderosa tribo cuja influência nos assuntos humanos tem sido sempre dominante e controladora. A atividade do (a) idiota não se limita a nenhum campo especial de pensamento ou ação, mas ‘impregna e controla o todo’. Sempre tem a última palavra; sua decisão é inapelável. Estabelece modas de opinião e gosto, dita as regras da linguagem e circunscreve os limites da conduta.” - Ambrose Gwinett Bierce (1842-1914)

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

O fulano (ou fulana), acima mencionado por Bierce, classifica as pessoas em todas as áreas humanas conhecidas, tendo uma queda especial no campo da Música. Canso-me de ouvir baboseiras, lelequices, estupidezes e papalvices da ordem de: “Essa música de louco, esse Rock Pauleira!”, “Nossa, esse som é coisa do Diabo!”,... Nocivas e infantis maledicências pronunciadas por papalvos dislógicos (01) [autênticos simulacros mal-acabados de panteístas (02) e/ou panenteístas (03) de araque] que, infelizmente, influenciam no discernimento de boa parte da população.

“(...) Quando o diabo Música, o demônio que agita um feixe cintilante de trinados e de harpejos, se apossou do pobre mudo (Quasímodo), então lhe voltou a felicidade, esqueceu tudo, e o seu coração que se dilatava fez-se expandir o rosto”(04). Victor-Marie Hugo (um dos maiores escritores de todos os tempos, 1802-1885) transcreve estas palavras de forma magnífica, demonstrando como a Música pode aliviar a dor de qualquer ser humano, até mesmo do totalmente disforme (e discriminado) personagem Quasímodo. Hugo aproveita, destarte, para sugerir a Música como um excelente substituto de dispendioso tratamento médico-psicológico, acalmando o ouvinte.

O célebre escritor francês, também, critica o hábito de atribuir à Música – eu acrescentaria: a certos estilos musicais – uma feição negativa ou demoníaca pelas reações físicas e emocionais que pudesse provocar nas pessoas. É uma questão que já vem sendo discutida por filósofos contemporâneos e clássicos (como: Aristóteles, Platão, Schopenhauer, etc.) ab initio (05) e continuará ad multos annos (06)!

“Em suma, os efeitos emocionais de você ouvir Rock são complexos, e as conseqüências morais generalizadas de experimentar essas emoções ainda não foram plenamente demonstradas” (FUDGE, Robert, Sussurrando coisas em meu cérebro: Metallica, emoção e moralidade apud IRWIN, William, Metallica e a Filosofia, Madras Editora LTDA, São Paulo-SP, 2008, pp.19, 24 e 25).

Tal qual antigamente – na época da caça às bruxas e feiticeiros, quando era praxe (e aceitável) condenar homens e mulheres ao fogo por cumplicidade de sortilégio com bodes ou cabras – criou-se a triste (e covarde) mania de discriminar em razão de preferência ou gosto musical. No Brasil, sempre, foi comum enxovalhar alguém que preferisse o Rock (no caso: o Heavy Metal) à MPB, por exemplo. Puro chauvinismo barato e retrógrado, embandeirado (e generalizado) por alguns nacos da imprensa ou como diria Henry L. Mencken (1880-1935): “(...) Por uma chusma de bestas comparáveis aos homens que pensam por nós...”.

O Rock é o gênero musical mais popular e mais difundido no Planeta. Há mais de cinqüenta anos vem encantando geração a geração. Os artistas e/ou grupos de Rock detêm as mais significativas marcas universais de vendagem de: LPs, CDs, DVDs, VHs, camisetas, jaquetas, calçados “de passeio”, adesivos, bonés, videojogos (Guitar Hero: I, II, III, etc.), enfim, de todos os produtos mercadológicos possíveis. O Brasil - malgrado a diferença linguística (o idioma oficial do Rock é o inglês) e da “Inquisição MPBista” engrossada, recentemente, pela onda Sertaneja – ocupa lugar de destaque entre os principais consumidores do Heavy Metal.

A título de ilustração, aparecem algumas cidades brasileiras (Vão ser sortudos assim na China!!!) e São Paulo que – com muita frequência, mas pouco se lixando com a crise nacional ou mundial – recebem excepcionalmente bem: o Iron Maiden (em março de 2008); o Ozzy Osbourne (em abril, 2008); o Queen (em novembro, 2008); o Kiss em abril (2009); e o AC/DC no dia 27 de novembro último (2009) . Em todos os estádios e/ou ginásios nos quais esses monstros sagrados do Hard Rock/Heavy Metal internacional se apresentaram, via-se uma harmoniosa conjunção de crianças, adolescentes, adultos, senhoras e senhores. Vinte, trinta, quarenta cinqüenta, sessenta mil pessoas, de uma só vez, em cada show! Tantos seres humanos unidos deveriam gerar muita confusão e violência. Claro, tratando-se de gente “normal” talvez, mas não de roqueiros (as). Durante todas as citadas apresentações a Polícia Militar registrou uma única assustadora ocorrência... De uma chave de carro perdida.

NOTAS:
(01) Dislogia. Perturbação medicinal do poder de raciocínio por razão de alterações mentais.
(02) Panteísmo. Geralmente associado à idéia de que Deus se identifica com tudo.
(03) Panenteísmo. Quase sinônimo de Panteísmo, confere a idéia de que Deus está em todas as coisas.
(04) HUGO, Victor-Marie. In: O Corcunda de Notre Dame. São Paulo-SP, Edições O Livreiro LTDA, p. 209.
(05) Desde o começo.
(06) Por muitos anos.

Esta é uma matéria antiga do site Whiplash.Net. Quer saber por que destacamos matérias antigas?

Heavy Metal nos Limites da Simples Filosofia

Todas as matérias sobre Heavy Metal nos Limites da Simples Filosofia

O Heavy Metal nos Limites da Simples Filosofia - Parte II

Todas as matérias da seção Opiniões
Todas as matérias sobre Heavy Metal nos Limites da Simples Filosofia

Os comentários são postados usando scripts do FACEBOOK e logins do FACEBOOK, HOTMAIL, AOL ou YAHOO, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que fizeram uso deste sistema (citados na assinatura de cada comentário). Caso você considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato. Os responsáveis pelo site podem excluir comentários que julguem inadequados e fornecer informações sobre os comentários a reclamantes se solicitados.

Pense antes de escrever. Ao comentar sobre alguém, lembre-se que este alguém é uma pessoa e merece respeito. Tenha cuidado especial ao comentar sobre colaboradores do Whiplash.Net; eles trabalham de graça para gerar o conteúdo que você está lendo. Mais chato do que uma matéria com erro, ou uma opinião com que você não concorda, são os chatos que apenas reclamam. Se acha que pode fazer melhor, clique no link ENVIAR MATERIAL no topo do site. Se achar um erro de digitação ou similar, envie pelo link de ENVIO DE CORREÇÕES; lembre-se que é falta de educação corrigir outras pessoas em público. E lembre-se de também elogiar quando encontrar bom conteúdo; isso é um bom incentivo aos colaboradores. :-)

Chatos, trolls e usuários que faltam com respeito a outras pessoas poderão ser banidos sem aviso prévio.

Sobre Adriano Alves Fiore

Possui graduação em Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL, conclusão em 1992 e colação de grau em 1993) e em Comunicação Social e Jornalismo pela Faculdade Pitágoras, Campus Metropolitana de Londrina, em 2009. Tem participado, como aluno especial na UEL, dos cursos de: Estudos da Linguagem (2004 e 2006), Ciências Sociais (2006) e História (2010). Obtém o título de mestre em Comunicação (área de concentração: Comunicação Visual) pela UEL (Universidade Estadual de Londrina) em 2011. Atualmente, é doutorando em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e pesquisador sob os auspícios da bolsa CNPq no Programa de Estudos de Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da mesma Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP, Brasil).Tem experiência na área de Letras, Literatura e Comunicação Social/Jornalismo com ênfase em: História, Filosofia, Psicologia, Semiótica, Música (sobretudo dos gêneros: Clássico ou Erudito, Heavy Metal e Hard Rock), Sociologia, Antropologia e Mitologia Clássica Greco-Romana. Atua em revistas e sites especializados em Rock qual crítico de Música e Comportamento Social (e do indivíduo). Também participa em variados tipos de sites e/ou periódicos impressos como colunista tratando dos mais diversos assuntos.

Mais matérias de Adriano Alves Fiore no Whiplash.Net.

Link que não funciona para email (ignore)

QUEM SOMOS | RSS | FACEBOOK | TWITTER | APPS | ANUNCIAR | ENVIAR MATERIAL | FALE CONOSCO

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria. Os textos não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será retirado do site.

Em abril de 2012 Whiplash.Net teve 1.211.297 visitantes, 3.149.841 visitas e 10.113.719 pageviews. Ver stats.

Use o botão abaixo para seguir o webmaster e receber as principais novidades em sua timeline.


Fuzz: revista elege os 10 maiores guitarristas dos anos 80Fuzz
Revista elege os 10 maiores guitarristas dos anos 80
Shaman: baixista desabafa sobre cena brasileiraShaman
Fernando Quesada desabafa sobre cena brasileira
Axl Rose: quatro páginas de pedidos para camarim no RIRAxl Rose
Quatro páginas de pedidos de ítens para camarim no RIR