Saudades dos holofotes ou das cifras milionárias?

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Saudades dos holofotes ou das cifras milionárias?


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O grande assunto do ano nos sites e revistas especializadas em rock sem dúvidas é o Led Zeppelin. Volta ou não volta? Robert Plant aceita ou não juntar-se para a turnê? O fato é que esses chamados “Revivals”, ou seja, reuniões de membros de bandas extintas para tentar reviver mais uma vez seus momentos de glória, acabam sempre gerando polêmicas e debates. Talvez pelo fato de muitos serem acusados de estarem apenas se reunindo para ganhar dinheiro (como disse certa vez Rita Lee, que se recusou a participar do retorno dos Mutantes alguns anos atrás, dizendo se tratar apenas de uma boa oportunidade para arrecadar alguns tostões para “poderem pagar seus médicos geriatras”). Ou, como disse Dinho Ouro Preto, do Capital inicial, afirmando qua tais shows são típicos para quem gosta de viver no passado, coisa que ele detestaria fazer parte.

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O que não se pode negar, porém, são as polêmicas que surgem quando músicos se reúnem, muito tempo depois, sem a presença de antigos parceiros e levam adiante o nome de suas bandas. Mais polêmico ainda quando se trata de membros que já faleceram. Atualmente, muito se fala da reunião Queen + Paul Rodgers, com os mais fanáticos sempre dizendo ser uma falta de respeito chamar de Queen uma banda sem Freddie Mercury (por favor, não nos esqueçamos de John Deacon!). Não dá para deixar de citar também que há algum tempo atrás surgiu um tal de The Doors of the 21st Century, que rodou o mundo tocando clássicos do The Doors com a participação de dois dos membros originais (o tecladista Ray Manzarek e o guitarrista Robbie Krieger) e tendo nos vocais Ian Astbury, do The Cult. Em ambos os casos, a ligeira alteração no nome da banda com certeza visa acalmar os mais enfurecidos, como ocorre também já há mais tempo com o Creedence Clearwater Revisited, ao invés do Revival no nome original. Seja Freddie, Jim Morrison, ou John Fogerty, o que todos concordam é que não dá para substituir nenhum deles. Acaba tendo o mesmo efeito, no mínimo, que comer uma pizza só com vegetais...

Agora, talvez o pior de todos os casos tenha sido o chamado Thin Lizzy, que John Sykes resolver remodelar recentemente. Se Phil Lynnot, o líder, frontman e, para muitos, o Thin Lizzy em pessoa, faleceu há bem mais de 20 anos, não faz o menor sentido uma banda com esse mesmo nome. Alguém afinal imaginaria um Whitesnake sem David Coverdale ou um Megadeth sem Dave Mustaine? Parece meio impossível, não?

Outros casos, felizmente, acabam ocorrendo de forma mais digna. Como aconteceu com o Police e com o Cream, que reuniram seus legendários membros originais em concertos muito bem sucedidos, deixando as (muitíssimas) diferenças pessoais de lado, e com todas as canções executadas no tom original (aliás esta foi uma das várias alfinetadas que Jack Bruce, do Cream, deu no Led Zeppelin recentemente). Mais um bom exemplo foi dado pelo Genesis. A princípio, os membros da formação tida como mais clássica pelos fãs, ou seja, com Peter Gabriel nos vocais e Steve Hackett nas guitarras, além de Phil Collins, Mike Rutherford e Tony Banks, chegaram a se reunir e discutir sobre essa turnê, que seria uma bela forma de se despedirem dos fãs. Diante da recusa de Gabriel e Hackett, os demais decidiram por fazerem eles mesmo a excursão, levando junto os eternos fiéis escudeiros Chester Thompson e Darryl Stuermer para completar o time. Belíssimos shows foram realizados e os fãs ficaram satisfeitos (pelo menos os norte-americanos e europeus, já que as apresentações aconteceram apenas por lá). Pena que Phil já não dá conta mais de cantar como antigamente...

Temos também o chamado Heaven and Hell, assim rebatizado pelos seus membros para se diferenciarem do Black Sabbath com Ozzy Osbourne nos vocais. Tendo Ronnie James Dio à frente, realmente eles soam como se fossem outra banda. Assim sendo, Tony Iommi, Geezer Butler e Dio (além de Vinnie Appice, claro) optaram por essa estratégia que foi aplaudida ao redor do mundo, com shows lotados e CD e DVD ao vivo elogiadíssimos.

Voltando às críticas, outros dois alvos são o The Who e o Van Halen. O primeiro pelo fato de terem seguido adiante após a morte de dois de seus carismáticos membros originais (o baterista doidão Keith Moon, ainda nos anos 1970, e o exímio baixista John Entwistle, mais recentemente). O segundo devido a ter vivido ultimamente basicamente de reunir-se esporadicamente, ora com Sammy Hagar nos vocais, ora com David Lee Roth (a formação favorita de, pelo menos, 90% dos fãs). O que mais acirrou as tais críticas nesta nova reunião do Van Halen foi a ausência do baixista Michael Anthony, que junto aos irmãos holandeses, havia participado de todas as formações da banda, e agora nem sequer foi procurado, tendo sido simplesmente substituído pelo filho de Eddie, Wolfgang Van Halen, de 15 anos de idade.

Chegamos então ao Led Zeppelin. Após o comentadíssimo concerto realizado na Inglaterra no ano passado, tendo Jason Bonham mais uma vez substituindo seu insubstituível pai John (como foi feito no Live Aid, em 1985, e no aniversário da Atlantic Records alguns anos depois), rumores e mais rumores surgiram sobre uma possível turnê mundial. Robert Plant tem negado e se recusado veementemente. Ensaiando com outros vocalistas, segundo boatos, Jimmy Page, John Paul Jones e Jason estão cada vez mais empolgados. Jones principalmente, já que este ficou de fora quando Page e Plant se juntaram nos anos 1990. Aos fãs fica a torcida para que não aconteça o mesmo que houve com o Pink Floyd...

Basta lembrar que o Floyd tocou junto, para a emoção de fãs ao redor do mundo, no Live 8 em 2005 e, desde então, milhões de boatos, rumores e tudo mais neste gênero tomaram o mundo. Roger Waters e Nick Mason eram totalmente a favor. Rick Wright tinha suas ressalvas, mas com certeza estaria lá. David Gilmour, rancoroso com todos os problemas enfrentados no passado, sempre negou. E agora, pouco depois da morte de Wright, Gilmour deixou escapar que eles realmente fariam um último show, em Glastonbury. Mas colocou a culpa na realização do festival pelo não acontecimento da reunião. Resumindo: foram criados tantos “obstáculos” e depois veio o arrependimento. Afinal de contas, alguém acredita em sã consciência que uma banda da grandeza do Pink Floyd dependeria apenas da boa vontade de realizadores de festivais para se reunir?

Concluindo tudo o que foi exposto aqui ficam as “perguntas que não querem calar”: será que realmente o público de rock gosta de viver no passado? Ou os tais “revivals” apenas confirmam o que dizem os fãs, que afirmam não existirem mais grandes bandas como antigamente? E, por fim, fica a torcida para que Robert Plant tome uma atitude enquanto ainda há tempo...

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Sobre Doctor Robert

Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.

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