Polêmica eterna: O rock pesado tem um "pai"?

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Polêmica eterna: O rock pesado tem um "pai"?


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Não é de hoje que muitos dos amantes das vertentes mais pesadas e vigorosas do rock se vêem por várias vezes às voltas com um assunto que sempre gera debates polêmicos e, em certos momentos, até mesmo acalorados. Embora não seja algo que vá definir o apreço maior ou menor por determinado tipo de som ou de artista, você, muito provavelmente, algum dia já se deparou com uma velha discussão: qual foi a primeira banda de rock pesado?

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

A resposta para esse tipo de pergunta é algo praticamente impossível de se precisar. Muita gente pode até mesmo questionar: “o que importa isso”? O peso associado ao rock foi algo que veio se agregando com o passar dos anos, por meio de um sem-fim de grupos com estilos extremamente variados. Alguns acabaram se tornando mais famosos e levaram a fama pela coisa toda, mas, na verdade, a origem do rock pesado veio por meio de uma tendência levada adiante por bandas das mais diversas. Muitos dos nomes que aparecerão aqui poderão assustar o leitor mais desavisado, já que vários deles são desconhecidos de boa parte do público, sem contar com aqueles que são conhecidos mas desprezados ou, até mesmo, ridicularizados. No entanto, a contribuição deles para o desenvolvimento da música pesada é mais importante do que muita gente possa imaginar. Perceba que até agora só foi usado o termo ‘rock pesado’, pois a diferenciação desse tipo de som por estilos só ocorreu muitos anos depois de ele, de fato, existir. Tanto é que os dois grandes subgêneros ‘hard rock’ e ‘heavy metal’ só viriam a ser vistos como coisas diferentes quando já havia inúmeras bandas levando essas formas de sonoridade adiante.

Se o leitor tentar puxar pela memória qual ou quais foram as primeiras bandas a tocar mais pesado, logo vem à cabeça a famosa “Trindade”, composta por Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath. No entanto, para entender a evolução do peso na música, é preciso viajar um pouco mais ‘pra trás’ no tempo e tentar visualizar uma verdadeira ‘colcha de retalhos’ que confluiu para a formação desse tipo de som. No início dos anos 60, os Beatles representavam um fenômeno na história da música popular. No entanto, embora fosse algo revolucionário para aquela época, seu rock de início de carreira ainda era bem comportado e transmitia um espírito juvenil e de certa inocência. A rebeldia, o ar cafajeste e a sujeira seriam melhor representados pelos Rolling Stones que, a princípio, representavam o contraponto perfeito ao som de seus contemporâneos de Liverpool. Os Stones, em seu início, começaram a se apresentar de forma fixa em alguns clubes e, já naquele momento, atraíam um grande número de jovens para suas apresentações. Dentre os que eram assíduos nos shows da banda, estavam o baixista Paul Samwell-Smith e o baterista Jim McCarty. O gosto cada vez maior por aquele tipo de som fez com que os dois vislumbrassem a formação de uma banda. Com a idéia firme na cabeça, acabam convidando um conhecido chamado Keith Relf, freqüentador do Art College que, por sua vez, traz consigo o colega Chris Dreja, guitarrista, para montarem um grupo. Junta-se a eles o jovem guitarrista Anthony ‘Top’ Topham e, com essa formação, inauguram uma nova banda, que se chamaria “The Yardbirds”.

O jovem Topham acabaria se desligando do grupo rapidamente, ao que Keith Relf convida um antigo conhecido, também do Art College, chamado Eric Clapton, que tocava na banda The Roosters. Clapton conhecia e admirava o trabalho de um outro jovem guitarrista da época, chamado Jimmy Page, um músico que então trabalhava apenas em estúdio. Dentre várias idas e vindas, o The Yardbirds começava a construir uma carreira em torno do ‘rhythm & blues’, com alguns toques de Stones. Como tinham um número bem limitado de músicas em seu repertório, a banda tem a idéia de aumentar o tamanho das canções por meio de uma improvisação no seu meio, mas não nos moldes tradicionais da época, com cada músico fazendo um solo de seu instrumento, e, sim, com a banda toda tocando junta num ritmo crescente, intenso, até atingir um clímax e retornar ao refrão da música. Esse estilo ficaria conhecido como “rave-up” e pode ser visto como o primeiro indício da idéia e da tendência de volume alto e peso associada à música. À medida que a banda tomava corpo, os problemas começavam também a surgir. Descontente com o direcionamento que o manager queria dar ao som praticado pela banda, Clapton resolve pular fora. Para seu lugar, convidam o jovem Jimmy Page, que não demonstra interesse e indica um amigo e vizinho chamado Jeff Beck.

O novo guitarrista, ao se juntar à banda, impõe um estilo peculiar de tocar. Distorcia o som de sua guitarra, introduzia vários efeitos no som, estourava amplificadores, além de trazer uma performance de palco exótica. Sua técnica rivalizava apenas com o temperamento difícil e instável. De tanto causar problemas em shows e no backstage, Beck acaba provocando o desgosto dos companheiros, ao ponto do baixista Paul Samwell-Smith desistir de tocar na banda. Para o lugar do recém-saído baixista, Beck tenta de todas as formas convencer Jimmy Page a entrar no grupo, até que a insistência acaba dando certo e Page assume o posto no baixo da banda. Numa dessas andanças, Beck se recusa a tocar em um show, alegando problemas de saúde. A banda, que teria então que se apresentar com um guitarrista único, opta pela troca de posto entre Page, que assume a guitarra, e Chris Dreja, que vai para o baixo. A performance de Page deixa todos (banda, público, etc.) boquiabertos e a banda opta, com a volta de Beck, a manter Page na guitarra. Com essa formação, a banda passa a fazer o som mais alto e pesado que se tinha visto ou escutado até então. Eram tão altos os decibéis, que o vocalista e o baterista da banda passavam sufoco para se fazerem ouvir e mesmo para ouvirem a si próprios.

Paralelo a isso, até mesmo um pouco antes, no ano de 1963, em Londres, os jovens Ray e Dave Davies, junto a Peter Quaife, formavam outra banda de rock, inicialmente chamada Ravens e posteriormente rebatizada de The Kinks. Com uma popularidade menor que a de seus contemporâneos Beatles, Rolling Stones e The Who, durante a composição de um arranjo para uma música inicialmente composto para ser tocado num saxofone, Dave Davies resolve tocar os arranjos com uma guitarra distorcida e, dessa forma, a banda introduz em 1964, por meio de seu terceiro single e maior sucesso de sua carreira, intitulado “You Really Got Me”, um expediente que se tornaria a unidade básica sobre a qual se desenvolveria tudo o que musicalmente é dito como hard rock e heavy metal: o power chord.

Eric Clapton, quando saiu dos Yardbirds, passou um tempo com uma banda chamada Bluesbreakers, da qual saiu para formar um novo grupo, denominado Cream. O som, eletrificado como nunca havia sido observado antes, influenciou de forma definitiva na evolução do hard rock, sendo inclusive a influência básica de outro nome seminal na evolução do peso no rock: o guitarrista Jimi Hendrix. Da capacidade ímpar de Hendrix em desenvolver o som de sua guitarra, ficaram para a posteridade alguns efeitos e técnicas que influenciaram todos os guitarristas que vieram depois, como o uso constante e aperfeiçoado da alavanca da guitarra e o ‘wha-wha’. Não bastasse isso, sua performance de palco ensandecida e a relação quase sexual com o instrumento tornaram a figura do guitarrista algo mais destacado ainda dentro das bandas de rock.

Voltando lá para os Yardbirds, após alguns poucos anos, a banda terminaria por encerrar as atividades, em 1968. Jeff Beck, cada vez mais problemático, acabara por ser afastado do grupo. O interesse dos produtores em transformar o Yardbirds em algo mais palatável fez com que o desinteresse dos remanescentes se tornasse cada vez maior, até que vocalista e baterista resolvem pular fora do barco de uma vez. Page e o baixista Dreja optam por continuar a banda com novos membros. Recrutam o vocalista Robert Plant (Band of Joy, Hobbstweedble), que traz a tira-colo o batera John Bonham, e passam a se apresentar sob o nome de “The New Yardbirds”. Chris Dreja desiste da empreitada bem no início e para seu lugar é chamado um músico de estúdio da época, de nome John Paul Jones. Mediante sugestão do baterista do The Who, Keith Moon, mudam o nome para Led Zeppelin. Era um tipo de música original, que se aproveitava de todas aquelas novidades sonoras criadas nos anos anteriores e até mesmo de composições dos tempos de Yardbirds. Trazia uma influência bem clara de blues, com alguns toques de psicodelismo, mas se destacava por ser um som pesado para os padrões da época, mais pesado que os próprios Yardbirds. Algumas pessoas acusavam o Led de ‘chupar’ o som de outros artistas, mas, com essa formação, o Zeppelin fez história, tornou-se a maior banda do mundo e influenciou quase tudo o que veio depois deles em termos de rock.

Na mesma época, uma outra banda, chamada Deep Purple, fazia um rock direto, que rendeu 3 discos de estúdio, “Shades of Deep Purple”, “Book of Talyesin” e “Deep Purple”, nenhum dos quais encontrou grande repercussão dentro da cena naquele período. Foi quando a banda inclinou-se a desenvolver um estilo de música que soasse como uma fusão do incipiente hard rock que tinha o Zeppelin como exemplo mais bem acabado e toques de música clássica, com boas doses de virtuosismo de seus integrantes, fato que influenciaria de forma determinante os seguimentos hard rock e heavy metal que se desenvolveriam nos anos posteriores. Seguindo essa linha, construíram uma das carreiras mais brilhantes da música mais pesada nos anos 70, sendo considerada até hoje como um dos pilares básicos dos já citados hard rock e heavy metal. O Uriah Heep, também do final dos anos 60 e início dos 70, seria um dos grupos a entrar de cabeça no universo do hard rock, com sua mistura de rock, blues e até mesmo pitadas de jazz em seu som. Alice Cooper, tanto pelo seu rock quanto pela performance teatral nos shows, com grande apelo visual e introduzindo a idéia do terror, do horror associado à música, foi outro que teve influência decisiva na tendência do estilo a enveredar por uma corrente mais obscura.

Para muita gente, uma outra banda nascida na segunda metade dos anos 60, na Alemanha, tem importância tão grande quanto a de qualquer outra que se queira citar na definição do estilo hard rock. Formado pelos irmãos Rudolph e Michael Schenker, Klaus Meine nos vocais, além do baixista Lothar Heinberg e o batera Wolfgang Dziony, o Scorpions trouxe contribuição significativa na evolução da temática referente àquele tipo de som. Eram várias as bandas que iam surgindo em todos os cantos e que se somavam a essa nova tendência de um som mais pesado e trabalhado. Muitas traziam influências de progressivo ao som mais pesado. Outras buscavam seu diferencial no virtuosismo e classicismo de seus músicos. UFO, Thin Lizzy, dentre tantos outros, eram grupos que não apenas traziam contribuições ao novo estilo de som em constante metamorfose, como também se deixavam influenciar pelas novidades daquele mesmo movimento do qual faziam parte.

Mas foi uma outra banda que seria considerada posteriormente a base principal de toda a temática do que o mundo chamaria de heavy metal. Formado no ano de 1968 em Birmingham, Inglaterra, por Tony Iommi, Ozzy Osbourne, Terry ‘Geezer’ Butler e Bill Ward, o Black Sabbath veio ao mundo como uma das maiores inovações na história do rock. Tudo se encaixava na formação do som mais agressivo que já tinha sido visto até então. Os timbres de guitarra sugeriam uma temática forte, violenta (em termos musicais), com uma melodia intrínseca sombria. Era um som pesado não apenas pelo tipo de distorção diferente, inigualável, absurdo naquela época. Era pesado em sua essência e ainda se associava a um vocal com característica única, que, fosse pelo timbre ou pela forma de cantar, passava um ar doentio que casava perfeitamente com as músicas. Os temas eram obscuros, ocultos, sombrios. Criavam uma nova concepção de som, embora àquela época ainda não fossem claramente caracterizados como uma banda de heavy metal como se considera hoje.

Só que a evolução do peso na música não pararia por aí. O heavy metal moderno, como o conhecemos hoje, teve uma contribuição importantíssima de outra banda inglesa, o lendário Judas Priest. O grupo deu ao peso e temática agressiva que o Black Sabbath executava em suas músicas uma velocidade bem maior. Trouxe a idéia das guitarras dobradas aplicadas ao heavy metal, fato este que serviria de inspiração e influência para toda a avalanche de bandas que surgiria depois. Não bastasse isso, a banda ainda inovou com relação ao visual das bandas de metal, introduzindo boa parte das características que se tornaram clichê no gênero, como roupas de couro, tachas de metal e outros adereços que se tornariam populares dentro do séqüito headbanger. Começaram a aparecer bandas de metal aos borbotões, o que chegou a configurar um movimento, a famosa ‘New Wave Of British Heavy Metal’, que posteriormente redefiniria o heavy metal e traria a última grande revolução dessa forma de som enquanto conceito, tornando-o ainda mais acelerado e enérgico, sobretudo pela influência da banda que mais se destacou nesse período, o Iron Maiden, que trazia em seu som uma rapidez ainda maior, assim como uma maior preocupação com a parte melódica, com influências discretas de rock progressivo e uma energia absurda, sobretudo ao vivo, que tinha até mesmo um ‘quê’ da energia punk que era moda na época.

Como é fácil perceber, o rock pesado foi formado por uma confluência de circunstâncias nas quais cada banda acrescentava algo novo a seu som e que servia de influência para todas as outras bandas contemporâneas. Mais do que isso, se alguma dessas bandas que se tornaram famosas dentro desse estilo não tivesse existido, provavelmente alguma outra banda teria ocupado o seu lugar e dado contribuição semelhante. O fato é que se tivéssemos mesmo que definir uma paternidade para o rock pesado dentro dessa ‘árvore genealógica’, talvez teríamos que considerar o heavy metal como sendo mesmo cria da trindade Zeppelin/Purple/Sabbath, que foram as bandas que talvez melhor tenham estabelecido a idéia do “riff” como algo de importância extraordinária em sua música, sobretudo o Sabbath, que não só apontou com a questão do peso absurdo mas, sobretudo, da temática, do clima dentro das músicas, que é o que mais as torna pesadas, mais até mesmo que a distorção empregada nessas canções. E caberia uma menção honrosa ao Priest, que estabeleceu muitas das bases do que se configurou como o heavy metal moderno.

Já no caso do hard rock, como o conhecemos hoje, a conversa é muito mais complicada. Aqui, a dúvida é maior, já que foram inúmeras bandas dos anos 60 que deixaram rastros de seu DNA como herança para os que mergulharam de cabeça nesse som nos anos seguintes. No entanto, bandas desconhecidas de parte dos fãs de heavy rock ou menosprezadas pelos mesmos são de importância fundamental na evolução dessa forma de som, já que foi por meio de sua influência e de coisas que eles criaram é que os ditos pais do metal desenvolveram sua forma de tocar e compor. Kinks, Cream, Yardbirds, Hendrix, a tia Alice Cooper, Uriah Heep, todos esses e muitos outros que não foram citados (pois é impossível falar sobre todas as bandas) tiveram sua parcela de contribuição e influência na evolução do peso no rock. Talvez, desde o fã de Mötley Crüe até o fã de Morbid Angel não gostem de muitas dessas bandas citadas a pouco, mas é importante saber que, mesmo o som não se parecendo em nada, muito do que se faz hoje em termos de conceito nesse tipo de música foi desenvolvido por esses nomes. A polêmica sempre existirá nesse assunto, mas o interessante é perceber como a música vai mudando com o passar do tempo, fato que nos faz pensar: como será o rock daqui a 30 ou 40 anos?

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Sobre Ronaldo Costa

Nascido na capital paulista em meados dos anos 70, teve a sorte de, ainda bem jovem, descobrir por meio de um primo o debut do Iron Maiden. Quando ouviu “Prowler” pela primeira vez, logo entendeu que aquilo passaria a fazer parte de sua vida. Gosta sobretudo dos clássicos, como Maiden, Judas, Sabbath, Purple, Zeppelin, Metallica, AC/DC, Slayer, mas ouve desde um hard bem leve até um bom death metal. Além da paixão pelo metal e pelo rock em geral, também adora cinema e um bom futebol.

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