On The Road: Água Brava, Bacamarte e Celso Blues Boy

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On The Road: Água Brava, Bacamarte e Celso Blues Boy


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Você começa a ficar preocupado quando tudo que se refere a sua juventude começa a fazer jubileu e a ser alvo de lançamentos comemorativos de 30 anos. Os discos que você ouvia são alvo de edições comemorativas com as sobras das sobras e um monte de fotos.

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Na verdade o que sobra disso, alem da inevitável puta dor de corno? Um pouco de bom humor é necessário não como o mal, como o sal que fica na borda deste daiquiri, da alma. Com este espírito agridoce recebi o recado do meu guru e amigo ,o maestro Antonio Saraiva que disse que agora está “torcendo os arames” na rediviva e antológica banda de Hard Rock Carioca Água Brava, que tinha voltado e gravado um CD.

Lembrei-me na hora da dita cuja, que fazia um som pesadíssimo e que era capitaneada pelo guitar hero Daniel Cheese, que conhecia de longa data de jams e ensaios na Niterói Natal. A coisa prometia, pois ia juntar no Circo Voador (onde eu não pisava há 25 anos) a banda prog cult Bacamarte (que assisti no próprio em 1983) e um tributo a Celso Blues Boy (com quem estive um mês antes de morrer e vi o último show). Pra completar tinha o relançamento do livro do Luis Antonio Melo sobre a Flu FM (Maldita!) e os trinta anos de comemoração da rádio. Era muita coisa junta. Não dava pra não ir!

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Levantei da poltrona, escondi de mim o sacarrolha e sacando do telefone vermelho convoquei o casal símbolo do underground oitentista: Zé e Mary Who, meus companheiros de tantas noites no Circo, quando chegar era uma meta e voltar uma possibilidade, se é que vocês me entendem. O relógio sempre quebrava seja nos requebros de um Mautner demiúrgico, de um Macalé lelé ou de todas aquelas bandas que estavam no inicio do inicio e hoje são medalhas no peito de um Brock que existiu. O vamos nessa foi inusitado e aceito e quando eu vi já estava numa camisa preta nem tão apertada como antes, rumando para Meca, num Lapa repaginada cheia de uma garotada que não percebia meus olhos perplexos.

O Água Brava nos recebeu com uma pancada na testa e um saudável esporro benigno. As músicas da época que nunca haviam sido gravadas agora constam num CD onde os heróis Ivo Ricardo (baixo) e Daniel Volpini (gtrs) marcam seu território que havia sido abandonado por força das circunstâncias. Agora com o auxílio luxuoso de Cesinha e o já citado Antonio Saraiva numa guitarra base de pura juvenília. Coisa de quem é experiente e tem tempo de estrada. Um postal da juventude em forma de Hard Rock com riffs e pedaleira. Reconheci um ou outro maluco local que me pareceram estar morando ali há 30 anos esperando a zoeira.

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Mandaram ver os hits da época. Revisitados, refrescados e repostos o som e a fúria. No intervalo após intrépidas rememorações com meus amigos de coisas acontecidas ali que a gente fingia lembrar, resolvi dar uma volta pra verificar a fauna e a flora presente e se possível ver se o vento ainda fazia a curva. Todos os presentes passavam pela mesma experiência pois tinham estado ali, vasculhavam suas memórias e trocavam casos hipotéticos e as vezes patéticos, mapeando o local. “Cara aqui eu vi Cazuza andando no arame, lobão comendo chapeuzinho, O Barão e o conde”. Lês ettoiles na mega noite da viadagem”, cara neste coqueiro eu tive uma viagem” e por aí ia... pão doce e fantasia.

Estive com Celso Blues Boy em Rio das Ostras no mesmo hotel e tentamos levar uma série de papos. Mas Lucille já fumava na escuridão e o sentimento que o pior já rondava era iminente. Todos os atalhos levavam pra rua, pra chuva na fazenda ou numa casinha de sapê. Na fila do LAM estava o Jefferson Gonçalves que me deu um toque. Vamos dar a coda do caboclo. Fazer uma homenagem, cantar pra subir. E foi feita a vontade do homem que colecionava latas vazias enquanto pedia: 'aumenta que isso aí é RocknRoll'. Faltou um copo d’água do Mississipi, barrenta bem barrenta e lamacenta. Mas a Juçá berrou, o retrato apareceu e tudo apaziguou.

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Nisso a noite corria longa, e varias amizades de infância eram retomadas às gargalhadas. Lembrávamos-nos de algumas verdades absolutas e revoltas relativas. Dos primórdios da Maldita saíram vários personagens que já não mais vagavam, mas juntavam pra rir. Do que? Do tempo... ora ora.... descobri a diferença dos subgraves na sexualidade das cervejas, que pianista cubano é bom porque aprendeu com os clássicos russos, Que Keith Richards parou de pintar o cabelo e mais um monte de outras utilidades que fazem revigorar a alma e o cerebelo. Um must!

Quando a lenda do Bacamarte entrou em cena com a competência habitual mesmo que bissexta, lembrei-me de 1983 quando fui ao show de lançamento do mitológico e cult ”Depois do fim”. Mario Neto e Cia, incluso uma inebriante e afinadíssima Jane Duboc. Lembrei o que disse a época para os meus amigos então: “cara se esse disco tivesse saído em 73 esses caras tinham pego a Barca do Sol e tinham estourado no Norte”. Lindo disco, lindo show.

A noite já ia longa e eu lembrei que mesmo que queira não consigo mais dormir uma manhã inteira. Vampiragem ou bobagem coisa da boa esperança do Cabo. Mas ainda faltava a pérola da noite e esta quem trouxe foi quem convidou: Maestro Saraiva cofiou seu bigode a La Lemmy e como se fora um vendedor de Sex Shop de algum subúrbio de Amsterdam soltou a obscenidade entre dentes: “O Rock progressivo nunca existiu!”. Até agora ouço a nossa gargalhada!

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