Há algum tempo andei escrevendo por aqui sobre o maravilhoso primeiro disco solo de John Paul Jones, que se chamava "Zooma". Pois não é que esta semana me caiu na mão o segundo, lançado ano passado chamado "Thunderthief", que consegue a façanha de ser melhor que o anterior. Ao contrário de Page e Plant, que continuam sua descida ladeira abaixo, parece que o mais obscuro dos quatro cavalheiros continua cada vez mais criativo e olhando pro futuro. Dinossauro que nada. O som de Jones é um passo a frente e imprevisível.
Lançado pelo mesmo selo do King Crimson (Discipline Global Mobile) em 2001, "Thunderthief" é um tour de fource onde John Paul Jones demonstra seu talento de multinstrumentista tocando e cantando (bem) de tudo um pouco. Ou seja, Baixo (4, 6, 10 e 12 cordas), guitarra de forma surpreendente, mandolin, mandolin elétrico, piano, órgão, sintetizadores e uma multidão de instrumentos exóticos de corda de não fazer feio frente a uma Incredible String Band. Robert Fripp participa em uma faixa de acento bem crimsoniano com mais um ou outro convidado junto com o baterista Terl Bryant. Fora isso, o disco é solo mesmo. Jones toca quase tudo sozinho.

Faixa a faixa rola o seguinte:
Leafy Meadows abre o disco com um baixão marcando entremeado com as guitarras de Jones e Fripp duelando de forma psicótica em verdadeiras paisagens nervosas sem que a pulsação do ritmo caia por um só segundo. Rock Progressivo na melhor acepção do termo.
The Thunderthief segue sem que se possa tomar fôlego com um surpreendente vocal filtrado e um baixo pesadão. Uma linha de piano puxa um ótimo solo de guitarra. Nunca soube que o homem tocasse guitarra tão bem. Efeitos em cascata beiram a hipnose.
Hoediddle é a terceira faixa no mesmo clima de guitarradas lancinantes, alguma cacofonia e concentração. Não tem gordura nenhuma pra tirar, é aço no osso. Um lindo solo de mandolim aparece lá pelo final.
Ice Fishing at Night é uma bela balada ao piano onde se pergunta porque nunca deixavam Jones cantar no Led. Tá certo, Plant era Plant, mas se o próprio Keith Richards canta nos Stones, podiam ter deixado uma coisa ou outra pro cara. Olha que não ia fazer feio não.
Daphne, a faixa seguinte, é Zeppelin puro apesar do moog e da tecladeira. Dá pra imaginar Page mandando o riff, Plant descabelando e Bonzo batendo, mas o couro come é no baixo e quem entra solando na guitarra é o cara, faiscando pra todo lado.
Angry Angry parece até coisa do Primus devido ao clima nervoso, andamento acelerado e pesado, baixo pancadão e um alucinante solo de guitarra de Adam Bomb. Rock pesado como chumbo, mas que faz voar.
Down to the River to Pray é uma balada folk instrumental que poderia estar num disco do Steeleye Span, Incredible String Band ou mesmo de Steve Howe.
Shibuya Bop trás de volta o clima das primeiras faixas com um leve toque oriental. Aparece um hammond todo trabalhado ao fundo de encher os ouvidos.
Freedom Song fecha a tampa com um folk que faz pensar de onde saíram muitas das idéias do Led Zeppelin III.

Não percam este CD, tem três dias que não sai do fone! Maduro e sereno abrindo portas pro futuro simplesmente imperdível.
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