Que os tempos não estavam muito propícios a muitas esperanças no futuro a gente já sabia. Vivemos uma época em que a utopia além de demodé chega a ser hilária. Apocalipse Now? Sei lá, o que posso enxergar é a história batendo de frente na nossa cara em estado bruto; Jim Morrison cantando "The End" enquanto americanos intranqüilos verificam assustados, que ela (a história) não acabou.

Dois dias depois estava com meus amigos Chicozé e o impagável Cecil Galvão, gastando uma tarde, que escorreu inteira à janela do Albamar, entre tantos barcos e navios que iam e vinham, indiferentes na Baía de Guanabara, enquanto entre muitos chopes e rãs grelhadas observávamos o pôr do sol que dava fim ao quase interminável almoço. O Islã esteve sempre presente no Jazz das figuras de Ahmad Jamal, Yusef Lateef, Kalid Yasin etc... Negros que através da fé muçulmana retomaram um passado oposto ao oferecido pelo American Way of Life. Quando a noite caiu e o restaurante fechou, chegamos a conclusão que o mundo não ia acabar e que "A Night In Tunísia" de Dizzie Gillespie era uma boa trilha sonora pra comemorar.
Enquanto andávamos na beira do cais, olhando para aquele abominável viaduto, eu pensava em Dom João VI, no Mercado Municipal já destruído (que não conheci) e comentei que fazem exatos dez anos que Miles Davis morreu e John Coltrane faria 75 anos se estivesse vivo. Todas estas aventuras se apagando. Tudo memória e informação, assim como a imagem daquele avião vazando a Torre que se repete 24 horas por dia na TV desde então.
Sempre nestas horas vêm aquele papo clássico de fim dos tempos: qual o melhor livro, o melhor disco, o melhor filme etc... Foi então, que não lembro mais quem fez a proposta: Quais os quatro discos atuais que se levaria pra ilha deserta apocalíptica junto com as baratas mutantes e o bonzo enlatado?
"Não vale clássico?" Retruquei. Não, só valia disco comprado este mês. Coisa recente, lançada de cinco anos pra cá. Fascinado com o desafio já me imaginei como se fosse um Charleston Heston olhando a Estátua da Liberdade enterrada na areia com meu Cd Player no ouvido e os quatro cds na mão. Quais seriam? Vamos lá, aos clássicos instantâneos:




Têm mais? É lógico que tem, poderia incluir o Beck ("Odelay"), o Air ("Moon Safári"), o Radiohead ("Ok Computer") e mais um monte de outros, mas o combinado foi quatro. Como se fossem quatro cavaleiros, com fim dos tempos não se brinca.
Aonde tudo isso vai parar? Sinceramente não sei e desconfio muito de quem diz que sabe. Estamos diante de um dos maiores fatos históricos da era moderna e suas conseqüências serão sentidas em diversos níveis ao longo dos próximos tempos. Dizem que vão levar onze meses pra retirar todo o entulho da destruição das torres do World Trade Center. Quanto tempo levará pra digerirmos o que vem por aí?
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Da safra de 62 , Claudio Vigo ganha a vida com a poesia, o jazz e o rock n roll. Paga as contas como arquiteto.
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