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Por Dean Goodman
LOS ANGELES (Reuters) - O mundo acadêmico perdeu, mas o heavy metal saiu ganhando. Ian Kilmister, vulgo Lemmy, vocalista do trio de rock inglês Motorhead, poderia ter sido um instigante professor de história, compartilhando com os alunos sua admiração relutante por Goering e seu desdém por "bastardos" como Hitler e Roosevelt.
Em lugar disso, porém, o músico de 59 anos ganhou fama e status de cult junto a gerações de metaleiros por cantar e compor hinos de fúria como "Osgasmatron" ou "Killed by Death".
Mas ele conserva seu fascínio com a 2a Guerra Mundial e gasta seu dinheiro colecionando objetos da era nazista, que lotam seu apartamento de dois quartos perto do Sunset Strip, em Los Angeles.
"Nasci em 1945, o ano em que tudo aquilo terminou", disse Kilmister em entrevista recente concedida em seu bar local predileto, o Rainbow Bar and Grill.
"Aquela época não é história antiga para mim, e não a enxergo apenas em termos de ingleses e norte-americanos bons e alemães ruins."
Suas opiniões já provocaram muita polêmica. No passado, Kilmister se dizia anarquista.
"APOSENTADORIA"
Seu amigo Ozzy Osbourne lhe deu um punhal da SS e algumas bandeiras, depois de decidir que não precisava de tantos elementos sombrios em sua vida.
O bem que ele mais preza é uma espada Damascus da Luftwaffe, que, segundo um marchand, pode valer pelo menos 10 mil dólares.
"Ela será minha aposentadoria," disse Kilmister, falando de sua coleção.
Por coincidência, o Motorhead, que ele fundou há 30 anos, tem seu maior número de fãs na Alemanha. E Kilmister nunca perde uma oportunidade de visitar locais históricos em toda a Europa, embora nunca tenho ido aos campos de concentração.
"É preciso distinguir entre o que você gosta de colecionar e o que aquele pessoal realmente fez", diz ele.
Kilmister diz que Herman Goering é o único nazista que ele admira um pouco, em parte porque o gordo líder da Luftwaffe criou a Gestapo, a polícia secreta nazista, e assumiu a responsabilidade por ela quando foi a julgamento em Nurembergue, após a guerra. Seu suicídio, horas antes de sua execução prevista por enforcamento, foi "fantástico", segundo o metaleiro.
Mas Kilmister inclui Adolf Hitler, Franklin D. Roosevelt, Neville Chamberlain e Josef Stalin todos na mesma categoria: a de "bastardos mentirosos e ladrões". O atual primeiro-ministro britânico, Tony Blair, também o irrita.
Kilmister diz que seu interesse por história e acontecimentos atuais lhe ensinou algo sobre a hipocrisia e a recusa das pessoas em aprender com o passado e que isso inspira suas canções.
"Sexo, guerra e morte, sem falar em injustiça -- acho que não vão me faltar temas no futuro", comentou.
Mas muitas de suas canções também são marcadas pelo humor, como é o caso de "Killed by Death", de 1984. E, não se sabe bem como, o Motorhead conseguiu incluir uma canção sua na trilha sonora do filme infantil "Bob Esponja".
FAVORITOS DO METALLICA
Kilmister é o único membro original remanescente do Motorhead. Ele canta e toca baixo ao lado do guitarrista Phil Campbell e do baterista Mikkey Dee.
Em 30 anos a banda, já lançou 21 álbuns, dos quais o mais recente é "Inferno", de 2004. De acordo com Kilmister, a mais vendida foi "No Sleep 'Til Hammersmith", de 1981, que vendeu 500 mil cópias em todo o mundo.
Mas a influência exercida pelo Motorhead é enorme. O Metallica, por exemplo, foi tremendamente influenciado pelo trio, tendo incluído covers de quatro músicas dele no álbum "Garage Inc.", de 1998.
O Motorhead, por sua vez, gravou um cover da canção "Whiplash" num disco de tributo ao Metallica, com isso conquistando seu primeiro Grammy, no mês passado.
Kilmister já compôs as letras de alguns sucessos de Ozzy Osbourne, entre eles a balada "Mama, I'm Coming Home". Mas nunca conseguiu ficar rico, como Osbourne e o Metallica.
O cantor nunca se casou, mas desfruta a companhia de cinco mulheres na faixa dos 18 aos 25 anos, a quem pode convocar quando quiser.
No passado, ele chegou a dividir algumas namoradas com seu filho. "Mas nunca transei com a mulher dele", faz questão de deixar claro. "Era preciso traçar um limite em algum lugar."
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