Em 25/10/2005 | Para Chris Cornell, reunião com Soundgarden será difícil

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Para Chris Cornell, reunião com Soundgarden será difícil


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Travis Hay, jornalista do Seattle Post-Intelligencer, conduziu recentemente uma entrevista com CHRIS CORNELL, atual responsável pelas vozes do Audioslave e ex-Soundgarden. No bate-papo, Cornell disse que uma reunião com o Soundgarden “provavelmente não acontecerá”.

Este e outros assuntos você confere logo a seguir:

Seattle Post-Intelligencer — Viver fora do país [N. do R.: Cornell vive em Paris, na França, junto à sua mulher e filha] ajudou você em que sentido?

Chris Cornell — Ajudou em termos de inspiração pessoal e em muitos sentidos diferentes. Um deles é apenas ser um americano vivendo fora do país e em uma cidade internacional como Paris, onde americanos não são exatamente os caras mais famosos por lá. Olhando apenas para o sentido humano disse tudo, viver em um lugar onde os Estados Unidos não são necessariamente considerados o centro do universo e aprender o quão legal é o país de que vim e o quão interessante é o modo como outros países pensam.

Por exemplo, no quesito saúde em um país como a França e a sua medicina socializada — todos têm acesso a ela aqui. Todos têm tratamento dental, todos têm tudo e não têm que pagar por isso. Se você vai à farmácia atrás de quaisquer remédios, prescrições ou seja lá o que for, o máximo que pagará são 4 dólares. Isso é incrível. Quando você vê um país que cuida de sua população a despeito de sua classe social ou quanto dinheiro essa pessoa tem, ou de que cor é, isso é muito inspirador.

Mas, por outro lado, o fato de que eu sou um cidadão norte-americano que vive fora do seu país e que pode ir e voltar de lá, eu não poderia fazer isso se não fosse norte-americano. A liberdade que tenho como cidadão norte-americano é demais. Ainda que algumas pessoas não gostem do passaporte norte-americano, tendo esse passaporte eu tenho liberdade que nenhum outro teria. Viver fora do país abriu meus olhos para muitas coisas.
Paris é uma cidade muito internacional, há diversas pessoas que vieram do Oriente Médio lá. Há muito africanos. Há, obviamente, muitas pessoas de diferentes países da Europa por lá também. Aliás, conheço mais pessoas que não são francesas vivendo por lá. É realmente algo que abre seus olhos: ouvir histórias de pessoas do mundo todo, como se eu e você estivéssemos sentados e conversando.

Uma pessoa vinda da Iugoslávia, outra da Armênia, outra da Irã. É muito inspirador e abri seus olhos, acho que é uma grande experiência para mim, com 40 anos de idade, ver o mundo se abrir diante de seus olhos com todas essas perspectivas novas. Aquele sentimento de que a vida realmente começa aos 40. Recomendo isso a todos que podem faze-lo.

Acho que este é um dos principais privilégios no que faço, que comecei a aprender, que é viajar pelo mundo todo e experimentar diferentes culturas. Eu não estava necessariamente interessado nisso quando tinha vinte anos de idade.

Antes, estar em uma banda de rock era como nós estarmos contra o mundo todo, e tínhamos esta mentalidade. Agora somos o oposto. Estou interessado em onde estou e nas pessoas que verei. Ir à Cuba foi um grande exemplo disso. Este não é um lugar fácil de se chegar, e tocar rock para pessoas que nunca viram nada como isso.

Logo depois fomos para o México, que foi completamente diferente. Todos tinham nossos álbuns, sabiam as letras de cor e formaram a platéia mais intensa para quem já toquei. Em alguns momentos eram como os americanos em um estádio num show de rock, em outro eram mexicanos mesmo. A diversidade de culturas aparece nos mais variados fãs e nas diferentes respostas que cada um deles tem.

Seattle Post-Intelligencer — Abrir seus olhos para as mais diversas culturas e viver fora do país e todas essas experiências que você teve o ajudaram a facilitar o trabalho com os caras do Rage Against the Machine?

Chris Cornell — Acho que ajudou no sentido de que estou um pouco mais educado no sentido político da palavra. Passei muitos anos da minha vida tentando me isolar de ficar exposto de diferentes opiniões a respeito de política até agora. Outro dia começamos a tocar ‘Hunger Strike’ e não canto esta música há muito tempo, e mais estranho ainda foi tocar essa música com Brad [Wilk] and Tom [Morello] e Tim [Commerford], mas ela me fez perceber que as letras tinham uma posição política, uma posição socialista. Tocar esta canção com todos que estiveram no Temple of Dog e senti-la com com Eddie [Vedder, vocal do Pearl Jam], mas eu a senti mais quando a tocamos junto com músicas do Rage e algumas outras do Audioslave. Tocar essas faixas com esses três caras fez surgir um sentimento diferente em mim.

A faixa que abre o ‘Out of Exile’, e que também está abrindo todos os nossos show, ‘Your Time Has Come’, foi recebida pela banda com um a posição política, mas não para mim. Foi mais pessoal. Foi com uma reflexão. Encontrei com diversas pessoas ao longo da minha vida que morreram por razões estúpidas, em acidente e qualquer outra coisa, e quando olho pra trás vejo que essa lista está cada vez mais longa.

Em uma parte dessa música, faço uma relação com essas pessoas que conheci e morreram, infelizmente, e minha visita ao Memorial da Guerra do Vietnã, onde você vê uma infinidade de nomes de jovens que morreram por algo ridículo. E os outros caras a banda olharam para essa faixa com um cunho político, mas, para mim, depende de como você a enxerga.

Seattle Post-Intelligencer — Você ainda fala com Kim, Ben e Matt [N. do R.: ex-integrantes do Soundgarden]?

Chris Cornell — Sim, ficamos amigos desde que o Soundgarden acabou. Não houve animosidade quando acabamos com o grupo. Ainda somos amigos.

Seattle Post-Intelligencer — Uma pergunta que todos os leitores gostariam de saber é se você acredita que uma reunião com o Soundgarden pode acontecer?

Chris Cornell — Sabe, não sei se haveria motivação para fazê-la, ainda mais que não estamos mais juntos. Não acho que há muitas bandas de rock por aí que você possa olhar para o começo, o meio e o fim da carreira como eu olho para o Soundgarden. Acho que o início, o meio e o fim de nossa carreira foi um perfeito legado a se deixar. Não vejo nenhuma razão para nos reunirmos. Todos na banda estão fazendo algo diferente musicalmente hoje em dia e todos estão orgulhosos do Soundgarden. Respondendo sua pergunta, acho que provavelmente não aconteceria.

Seattle Post-Intelligencer — Há músicas do Soundgarden ou do Rage que você não cantaria, uma vez que vocês estão misturando material das duas bandas no set?

Chris Cornell — Até o momento temos tocados faixas do Soundgarden que só eu compus. Não me sentiria à vontade. Eu me sentiria estranho. Você não pode substituir Kim, Ben ou o Matt. Se íamos tocar uma do Soundgarden, preferia que fosse uma que eu compus, pois eu me sentiria mais próximo a ela e não a tiraria do contexto do Soundgarden. No momento, sinto que os fãs, assim como os ex-membros do Soundgarden, percebem que isso tudo é um tributo, o que realmente é.

O Tom, o Brad e o Tim são grandes fãs do Soundgarden, mesmo antes de eu encontra-los. As faixas que tocamos eles executam muitíssimo bem. E o inverso também vale para as faixas do Rage. Adoro as faixas do Rage que tocamos, me despertam um sentimento diferente.

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Sobre Thiago Coutinho

Formado em Jornalismo, 23 anos, fanático por Bruce Dickinson e seus comparsas no Maiden. O heavy metal surgiu na minha vida quando ouvi o vocalista da Donzela de Ferro em "Tears of the Dragon", em meados de 1994. Mas também aprecio a voz de pato bêbado do controverso Dave Mustaine, a simplicidade do Ramones, as melodias intrincadas do Helloween, a belíssima voz de Dio ou os gritos escabrosos de Rob Halford. A Whiplash apareceu em minha vida sem querer, acho que seus criadores são uns loucos amantes de rock e acredito que este seja o melhor site de rock do país, sem qualquer demagogia!

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