Esta matéria foi publicada em 07/12/05. Procura matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?
Por Mike Collett-White e Jonathan Stempel
LONDRES/NOVA YORK (Reuters) - O ex-Beatle John Lennon criou o hino do movimento pacifista, incitando os ouvintes a viver em harmonia e a dar uma chance à paz. Ele também nos pediu para imaginar um mundo sem posses.
Mesmo assim, as disputas entre os parentes e os fãs sobre seu legado estão maiores do que nunca, com o lançamento de gravações, biografias e comentários colidindo nas vésperas do 25o. aniversário de seu assassinato, na quinta-feira.
Nos últimos meses, o musical "Lennon", patrocinado por sua viúva Yoko Ono, estreou na Broadway e uma autobiografia da primeira mulher do cantor, Cynthia, descreve como ele certa vez a espancou por ciúmes e como o LSD destruiu seu casamento.
Ono fez um comentário ácido sobre o ex-parceiro de composições de Lennon, Paul McCartney, em uma cerimônia de premiação britânica em outubro, sugerindo que a infame contenda deles continuava. Mais tarde, ela pediu desculpas.
"É uma pena que as pessoas que amaram John não consigam se amar", disse Richard Porter, do fã clube britânico dos Beatles, acrescentando que Lennon ficaria constrangido com o modo como sua imagem vem sendo manipulada desde sua morte.
Acrescente a tudo isso o mal-estar com o oportunismo comercial em torno do legado de Lennon, incluindo um relançamento de pelo menos quatro álbuns este ano, uma série de livros e até mesmo um tênis de corrida de John Lennon. Para muitos, a imagem de santo do rock está em declínio.
Lennon foi morto a tiros em frente a seu prédio em Nova York no dia 8 de dezembro de 1980, aos 40 anos de idade.
Alguns dos mais recentes relatos sobre Lennon, sobre sua vida e sua música, também faltam com a verdade, reclamaram as pessoas que o conheceram.
"Há muita gente que não tem a mínima idéia sobre o que está escrevendo", disse Billy Kinsley, integrante do grupo Merseybeats, que conheceu os Beatles em Liverpool, cidade onde eles surgiram.
ONO AMADA E ODIADA
Yoko Ono, de 72 anos, sempre foi tida como a mulher que separou os Beatles, afastando Lennon do grupo, obrigando-o a fazer música experimental, encorajando seu consumo de drogas e terminando uma das maiores parcerias do pop, a de Lennon e McCartney.
Lennon se ressentia profundamente das acusações bem antes de sua morte prematura. Ele chegou a dizer a um jornalista em 1970 que "estava muito ferido" com o modo como os outros integrantes do grupo o tratavam e a Yoko.
Sem dúvida, ela foi uma fonte de tensão entre os membros da banda, fazendo com que Lennon dissesse de McCartney que os Beatles estavam "cheios" dele depois que o agente da banda, Brian Epstein, morreu.
"Paul assumiu e aparentemente está nos liderando. O que é nos liderar quando você só anda em círculos?", perguntou Lennon.
Os fãs dos Beatles se dividem sobre o papel de Yoko no legado de Lennon. Enquanto muitos lamentam o dia em que ela e Lennon se conheceram, e acusam-na de reescrever a história remendando sua música, outros argumentam que se não fosse pela lealdade dela, não haveria nenhum legado.
FALHAS DE LENNON
Comentaristas concordam que Lennon era um gênio com falhas.
"Ele nunca foi uma personificação em branco-e-preto de alguém buscando ideais, mas ele era humano e falível", disse Michael Musto, jornalista do Village Voice em Nova York.
Abandonado por seu pai quando ainda era pequeno, Lennon perdeu sua mãe quando era adolescente. Ele foi acusado de abandonar sua primeira mulher, Cynthia, e seu filho Julian assim que Yoko apareceu em sua vida.
Cynthia, que lançou sua própria biografia de Lennon em setembro, disse à Reuters em uma entrevista que ela e Julian foram "apagados" da história dos Beatles e que Yoko deixou claro que não a queria em Nova York após a morte de Lennon.
Julian, que também é músico, ainda não superou o trauma da rejeição. Recusando pedidos de entrevista, ele preferiu divulgar um comunicado.
"Sempre tive sentimentos muito misturados com relação ao papai", disse em seu site. "Ele era o pai que eu amava e que me decepcionou de tantas maneiras. É doloroso pensar que sua morte prematura roubou a chance de nos conhecermos melhor."
O porta-voz de Yoko Ono, Elliot Mintz, disse ter recebido mais de 500 pedidos de entrevistas. "É simplesmente doloroso demais para ela discutir", disse.
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