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Saiba como foi show do Iron Maiden em Hartford

Esta matéria foi publicada em 05/10/06. Procura matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

Daniel Dystyler, leitor do Whiplash!, gentilmente nos enviou suas impressões sobre o primeiro show da nova turnê do IRON MAIDEN, realizado ontem à noite (4 de oububro) em Hartford, nos Estados Unidos:

"Acabei de voltar do show do Iron. São quase 4 da manhã e decidi escrever agora que tenho as impressões vivas na cabeça. Então aqui vai...

Depois de uma hora e meia de carro, chegamos a Hartford às 20:00hs. Após entrar no local do show, ouço dizer que o Iron vai começar às 20:30 em ponto. Dá tempo de tomar uma cerveja (de US$7.00 !?!?!) e comprar um boné com o logo do "A Matter Of Life And Death".

Às 20:34, sem aviso prévio (só as luzes se apagando), nem introdução, nem discursos de Churchill, nem nenhum trecho clássico, Nicko bate quatro vezes e o show começa com "Different World". O palco é um campo de batalha. Os retornos disfarçados como se fossem trincheiras. Os seis Maidens vestidos de preto (Steve, novidade pra mim, usando bermuda e Bruce uma espécie de blazer preto).

A música é emendada em "These Colours Don't Run" com mudança no backdrop do cenário que traz um Eddie vestido de soldado segurando uma bandeira inglesa na mão no melhor estilo "The Trooper". O refrão agita o ginásio que está totalmente lotado.

Na sequência vem "Brighter Than A Thousand Suns" que traz como backdrop (pano de fundo) a capa do disco "AMOLAD" e jogo de luzes brancas simulando explosões atômicas. É razoavelmente comum que o Iron comece o show com duas músicas do álbum novo (vide 'Aces High' & '2 Minutes'), mas três? Isso é novidade...

E quando "The Pilgrim" começa com os riffs no melhor estilo Iron Maiden, fica claro que vamos ouvir o "AMOLAD" inteiro conforme Bruce tinha sugerido previamente. Falando em Bruce, a voz dele está em perfeito estado e essa música particularmente, com tons muito altos, mostra isso: Bruce em total forma.

Depois vem "The Longest Day" e o cenário mostra uma reprodução exata da capa histórica do jornal do dia seguinte ao desembarque da Normandia com a manchete que a costa havia sido conquistada. No fim dessa música, a quinta da noite, Bruce finalmente fala com o público pela primeira vez dizendo que o Iron vai fazer uma coisa especial tocando o "AMOLAD" inteiro.

Ele aproveita para agradecer ao público norte-americano dizendo que o disco entrou no TOP 10 de vendas nos EUA pela primeira vez. Antes porém tira uma onda dizendo que o "AMOLAD" foi baseado num filme inglês dos anos 50 e que ele "não entende porque os americanos tiveram que fazer um remake do filme anos depois".

"Out Of The Shadows", "The Reincarnation Of Benjamin Breeg" e "For The Greater Good Of God" mantém a atenção do ginásio, embora seja claro que as músicas (por serem novas), não tem o mesmo efeito que as tradicionais. De qualquer forma, estas três soam excepcionais ao vivo com a banda mostrando a tradicional energia e eficiência.

Em contrapartida, as duas últimas músicas do "AMOLAD" ("Lord Of Light" e "The Legacy") não funcionam tão bem ao vivo já que são bastante longas sem refrões marcantes, e após dez músicas novas dá pra sentir uma certa dispersão do público.

Os acordes finais de "The Legacy" tocados por Dave e Adrian em violões pendurados em pedestais soam e Bruce anuncia o fim do disco dizendo "This is a matter of life and death".

As luzes se apagam e 15 segundos depois começa "Fear Of The Dark" com o ginásio voltando ao nível tradicional de participação e energia.

Na sequência, o tradicional fim de show com a música "Iron Maiden" e um tanque de guerra gigante que surge acima da bateria de Nicko. O tanque roda apontando a mira para o público e um Eddie de capacete surge de dentro do tanque olhando tudo de binóculos.

E esse é o fim do show de lançamento da nova tour do Iron. A arena faz barulho suficiente para que eles voltem e rolem mais três sons das antigas: "2 Minutes To Midnight", "The Evil That Men Do" e "Hallowed Be Thy Name". Em "Evil That Men Do", um Eddie fardado, gigante, com capacete e segurando uma metralhadora entra no palco e brinca com Janick e Nicko.

No final da última música, ao som dos riffs tradicionais das três guitarras e da voz de Bruce gritando "Hallowed Be Thy Name", o show realmente termina. As luzes são acesas e é hora de ir embora.

Bruce ainda tem tempo de mandar uma mensagem usando o título do disco novo: "Remember that a rock concert is NOT a matter of life and death. There are more important things" (lembrem-se que um show de rock não é uma questão de vida e morte. Existem coisas mais importantes).

E a minha "moral da história" (se é que posso ter alguma) é que como a maioria das coisas na vida, este show também teve um lado bom e um lado ruim:

- Por um lado, foi histórico, fantástico, inédito e épico ver o Iron tocar o disco novo inteiro, na sequência, de cabo a rabo.

- Por outro lado ficou um gostinho de "faltou alguma coisa" afinal um show do Iron sem "The Number Of The Beast", "Run To The Hills", "Aces High", "Wasted Years", "The Trooper", "Flight Of Icarus", "Can I Play With Madness", "Heaven Can Wait", "Killers", "Wratchild", "Running Free", "Prowler", só pra citar algumas, não é fácil de encarar naturalmente.

Mas, hey... Iron Maiden, ao vivo. Disco novo inteiro. Eddies novos. Show de bola!!! Pra ser perfeito, faltou o show durar 4 horas...

Agora vou dormir. Feliz.

Um abraço,
Daniel Dystyler".

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Sobre Daniel Dystyler

Daniel Dystyler começou sua paixão por música ainda criança ao conhecer os Beatles. Mas a vida mudou completamente quando escutou pela 1ª vez os acordes do Iron Maiden. A partir daí, e por mais de 25 anos, o gosto por Heavy Metal foi só aumentando. Daniel foi roadie do Viper de 1986 a 1991, período que incluiu o lançamento dos álbuns "Soldiers of Sunrise" e "Theater of Fate". Atualmente se diverte tocando guitarra com seus amigos na banda "Number One" e é o coordenador do Festival "Kaizen Rock" que acontece em Outubro e que entre outros benefícios, gera receita para 2 entidades que auxiliam crianças e adolescentes carentes.

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