Em 29/01/2007 | Metallica: o que dá pra esperar?

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Metallica: o que dá pra esperar?


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À medida que vai se aproximando o lançamento de um novo álbum do Metallica, o movimento em torno do nome da banda e as expectativas vão aos poucos aumentando. Entrevistas começam a surgir, notícias começam a pipocar aqui e ali, previsões das mais diversas aparecem, enfim, a agitação acontece como não poderia ser diferente em se tratando de um nome dessa envergadura.

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Não adianta negar. Por mais que o sujeito, ultimamente, tenha praguejado de todas as formas contra James Hetfield e seus companheiros de armas, é impossível não se ter ao menos uma certa curiosidade em saber o que a banda norte-americana reserva para seus fãs. Apesar de muita gente reclamar do atual direcionamento musical do quarteto, o fato é que houve quem acabou se identificando com o som que o grupo levou adiante nos seus últimos trabalhos e, mesmo aqueles que não se conformam com toda essa mudança de estilo e atitude e que bateram o martelo de que nunca mais esperariam nada dos caras, no fundo também alimentam alguma esperança de que esteja por vir um trabalho que agrade à enorme legião de admiradores que a banda possui, mesmo aqueles atualmente escondidos ou os ditos “ex-fãs”.

É certo que eles pisaram na bola e não foi pouco. São várias pessoas, sobretudo seguidores antigos do grupo, que afirmam que o Metallica deixou pra trás o thrash metal vigoroso e bem elaborado que faziam, em prol de um som comercial, “enlatado”, feito sob medida para o mundo pop. A banda passou a ser criticada por praticamente todos os lados, tornaram-se os “maiores traidores do metal”, “vendidos”, “mercenários”, pra citar os adjetivos mais singelos pelos quais foram tratados. É verdade que quem mais contribuiu para toda essa miscelânea foi a própria banda. De fato, o som que fazem hoje é radicalmente diferente daquele que os tornou famosos e que os faz até hoje serem considerados uma lenda do heavy metal. Ainda contribuiriam para isso as várias atitudes e comportamentos que marcaram a banda. Desde o lamentável e controvertido “episódio Napster” até declarações infelizes de seus membros, passando por conflitos, lavagem de roupa suja em público, ataques de estrelismo e arrogância, psiquiatras e até mesmo pela polêmica mudança de visual do grupo. A banda não se importou mais com seus antigos fãs, tampouco com o estilo que fez sua fama. Nós, brasileiros, ainda teríamos uma desilusão extra com a banda, quando cancelaram shows no país por motivos, digamos, inconsistentes. Mas o mais importante disso tudo sempre foi mesmo a modificação de suas características musicais básicas.

Banda seminal do heavy metal, o Metallica foi responsável por alguns dos melhores momentos do estilo nos anos 80 e, por extensão, de toda a sua história. Os três primeiros álbuns do grupo não apenas tornaram-se clássicos absolutos do metal como moldaram um sub-gênero dentro do heavy, que seria fonte de inspiração para um incontável número de bandas que viriam a seguir e que redirecionariam o estilo. Figura fácil em qualquer “top 5” sobre os melhores do metal em todos os tempos, a importância e influência que a banda já exerceu um dia pode, por que não, ser colocada ao lado da de alguns outros conjuntos históricos, como Black Sabbath, Judas Priest e Iron Maiden.

Depois do ótimo álbum “...And Justice For All”, a coisa começaria a mudar de direção, com o lançamento do álbum “Metallica”, o famoso “Black Album”, que se tornaria um divisor de águas na carreira do grupo. Divisor porque representou um salto de popularidade e de faturamento impensável para a banda e, talvez, inimaginável para qualquer artista dentro do heavy metal. E divisor porque foi a partir dali que se iniciaria a radical mudança de estilo pela qual o grupo passou. É bem verdade que no álbum anterior, de 1988, o Metallica já buscava expandir seus horizontes e alcançar novas nuances para sua música, mas aquele ainda era um álbum limitado às cercanias do heavy metal. Com o “álbum negro” e suas canções mais leves e lentas, entremeadas por músicas de qualidade, mas que já não carregavam o mesmo peso e fúria dos trabalhos anteriores, a banda passou a figurar em locais como a MTV e a ser reconhecida por qualquer um que acompanhava a música pop e sons mais voltados ao componente “mainstream” da cena musical.

Não que isso fosse, de fato, algum problema, já que não há absolutamente nada de mau em ser mundialmente famoso e reconhecido até mesmo por quem não acompanha ou não acompanhava sua carreira. O problema é que o radicalismo já fez com que muita gente, desde aquela época, começasse a esbravejar, além de muitos não terem gostado daquele som realmente. Definitivamente, por mais que o álbum não fosse ruim, aquele não era o Metallica de antes. Não dá pra saber se fizeram o “Black Album” pensando apenas no fator comercial ou se era uma necessidade de buscar novas sonoridades. Agora, é claro que se o fator “vendagens” torna-se mais influente que o fator “inspiração” na hora de compor algo, o trabalho do artista, seja quem for, perde a sua essência. “Load” e “Reload”, os trabalhos seguintes, eram tão diferentes do som clássico da banda e aproximaram tão mais o grupo do chamado “som comercial”, que muita gente, principalmente os mais puritanos, perderam a paciência e se afastaram de Lars e cia., além de a banda virar motivo de piada para vários headbangers. Depois disso, viria “St. Anger”, um álbum que parecia tão forçado em sua tentativa de ser pesado e moderno ao mesmo tempo, com uma produção carregada “nas coxas” (propositadamente, diga-se) e com coisas que vários fãs consideram imperdoáveis, como a falta de solos de guitarra e o som peculiar da bateria, que, aí sim, a banda torrou de vez a paciência de seus antigos fãs e viu muitos lhes darem as costas, pois os mesmos consideravam que a banda havia virado as costas para eles antes. O curioso é que apesar do grande contingente de pessoas que se afastaram do grupo nesse período, os quatro últimos álbuns foram todos sucessos comerciais. Só que, embora esse Metallica tenha atingido tamanho sucesso, não foi esse Metallica que se estabeleceu como banda e também não é esse o grupo que milhões de fãs desejavam ver e ouvir.

Mas tudo isso desemboca nos dias atuais, quando a banda anuncia o início das gravações de seu novo álbum de estúdio. Por mais que se diga o contrário, qualquer um que já bateu cabeça ao som de um “Ride The Lightning” ou de um “Master Of Puppets” fica com uma certa inquietação ao saber que algo inédito produzido pela banda se aproxima. É bem verdade que vários fãs se consideram tão surrados pelas decepções que tiveram nos últimos anos que já não esperam mais muita coisa e, seja o que vier, ou será lucro ou ficará na mesma. Se um trabalho carregado de pessimismo mostrar-se algo bom, ou ótimo, em termos de heavy metal, conseguirá surpreender meio mundo. Duas canções inéditas já apareceram, com qualidade de gravação não muito boa e aparentemente ainda incompletas. Nenhuma delas conseguiu emocionar muito quem as ouviu, só que não sabemos nem se elas estarão no próximo disco, já que a banda divulgou que escolherá entre 25 músicas as melhores para entrar no CD. Não adianta querer dar uma de profeta e predizer o que o Metallica irá fazer, mesmo porque, se tem uma coisa que a banda nunca foi, é previsível. Também não resolve basear-se tão somente em declarações soltas na imprensa. Quem não se lembra de todo o alarde na época do “St. Anger”? E, é claro, quem vai vender um peixe, não vai sair falando mal do mesmo, inclusive porque se um artista está lançando um material, é porque acredita nele.

O que pode servir para algum tipo de discussão são certos fatores, tanto a favor quanto contra a banda, que aquele mais atento pode ter percebido ultimamente. Por um lado, muito tem se comentado sobre a banda não estar passando pelo seu melhor momento em termos de técnica, pelo menos como visto em algumas apresentações ao vivo. Além disso, não sabemos se a banda desistiu de vez de fazer um som mais na linha de seus álbuns mais antigos, seja por questões comerciais, seja por terem realmente mudado sua concepção sobre a música. E mais, o marketing excessivo, mesmo sendo feito sobre fãs já escaldados com o grupo, pode acabar gerando expectativas exageradas em alguns apreciadores mais esperançosos da banda. Sob outra visão, a banda parece passar por um momento pessoal bem melhor do que, por exemplo, na época do “St. Anger”, com menos brigas e mais prazer no que estão fazendo. Desta vez, Robert Trujillo, bom músico, poderá participar de todo o processo, tanto de composição como de execução das músicas e, dessa forma, imprimir seu estilo no baixo do Metallica. Se nos basearmos em apresentações mais recentes, tanto o repertório quanto a configuração (afinações, timbres de guitarra e coisas assim) dos sons da banda aponta para um Metallica flertando novamente com um som mais pesado. Outra coisa, a mudança de produção poderá, quem sabe, trazer novos ares ao som deles. O simples fato de se fazer uma produção melhor do que em “St. Anger” já contará muitos pontos em favor da banda.

Bem, o Metallica está aí, pronto para mais uma investida. Bons, eles já mostraram, em mais de uma ocasião, que são. E eles sabem que devem algo a seus admiradores. A questão é, será que eles estão preocupados com isso? Gostando-se ou não, e mesmo que a própria banda não tenha se dado muito ao respeito em certas situações nos últimos anos, os caras ainda merecem um pouco de respeito pelo que já fizeram e por tudo o que representam ou representaram para o heavy metal. A banda pode até não conceber uma obra-prima e não é questão de querer que eles façam um novo “Master Of Puppets”, já que isso é uma coisa que se faz uma vez na vida e, talvez, eles não tenham mais gás ou vontade para algo assim. Mas espera-se que lancem algo digno de seu nome. Não adianta tentar adivinhar como vai ser, pois isso ninguém irá conseguir, mas podemos, pelo menos, esperar. Se vier uma coisa boa, sorte de todos nós por poder ouvir um trabalho de uma banda com talento reconhecido e comprovado. Se a vaca tiver ido definitivamente para o brejo e eles tiverem realmente se esquecido de como fazer esse negócio de metal, não seremos obrigados a gostar, nem a ouvir de novo e não iremos fechar os olhos para isso, vamos apenas seguir adiante, como já fizemos outras vezes, e deixar que eles façam do jeito que quiserem. Afinal, sempre haverá um som que nos agrade em algum outro lugar e, além disso, o “Kill’em All” estará lá, esperando uma “vitrola” que o toque.

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Sobre Ronaldo Costa

Nascido na capital paulista em meados dos anos 70, teve a sorte de, ainda bem jovem, descobrir por meio de um primo o debut do Iron Maiden. Quando ouviu “Prowler” pela primeira vez, logo entendeu que aquilo passaria a fazer parte de sua vida. Gosta sobretudo dos clássicos, como Maiden, Judas, Sabbath, Purple, Zeppelin, Metallica, AC/DC, Slayer, mas ouve desde um hard bem leve até um bom death metal. Além da paixão pelo metal e pelo rock em geral, também adora cinema e um bom futebol.

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