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Ritma lança seu primeiro álbum

Por Márcia Stival | Fonte: Márcia Stival |

Esta matéria foi publicada em 07/04/07. Procura matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

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Foi da garagem, mãe de todo rock, que saiu o Ritma. E, como acontece com boa parte das bandas de rock, das mais desconhecidas às mais famosas, a história foi simples, repleta de lances puramente espontâneos: seis anos atrás, em São Paulo, os irmãos Eric (vocal e guitarra) e Allan Gaigher (bateria) começaram a fazer um som juntos. Para o baixo, recrutaram o amigo de infância Julio Souto. E, de repente, viram que não precisavam de mais ninguém: como power trio mesmo, saíram tocando em festas de faculdades, bares do interior, onde quer que houvesse público, uma tomada para ligar o equipamento e “mandar pau”. Aos poucos, os covers foram sendo substituídos pelas composições próprias e os músicos foram ganhando confiança. Em 2005, a banda venceu uma das etapas do concurso Claro Demo Hits e um disco se tornou uma realidade cada vez mais palpável. E aí está ele agora, em suas mãos: o álbum de estréia do Ritma. Resultado de um amadurecimento conquistado no palco, e também a custa de muitos ensaios, o CD tem a marca da independência-com-profissionalismo da nova geração do rock brasileiro: foi gravado no estúdio Anonimato com produção da própria banda, mixado por Rodrigo Reis (que pilotou discos do Angra, Capital Inicial e CPM 22) e masterizado por Carlos Freitas na Classic Master (onde nomes como Titãs, Nando Reis e Kid Abelha finalizam seus álbuns). Tudo para soar bacana.

E é rock de garagem – com muito esmero e alma – o que se ouve com clareza no disco do Ritma. Seguindo aquela dinâmica que os Pixies (e, depois deles, nos anos 90, o Nirvana) estabeleceram, de alternar partes suaves e outras bem pesadas numa estrutura quase dramática, a banda constrói seu som tijolo por tijolo, em canções redondas, com refrões poderosos. A dobradinha de abertura do disco traduz bem as intenções da banda. Em O Amanhã, melodia e barulho se equilibram num ataque musical para tirar o ouvinte da cadeira. E a letra faz um chamado ao otimismo: “o amanhã... tente novamente”. Já Desejos, cujo clipe está na programação da MTV, se escora num arrasador riff de guitarra para falar daquele sentimento que está “corroendo, doendo, fazendo sofrer”. A melancolia transparece também nas guitarras de Dias Tristes, canção com jeitão de Coldplay em que Eric exorciza o baixo astral do fim de um relacionamento: “todo mundo tem seus dias tristes / e nem por isso eu vou desistir”. Mais melodia e emoção se revelam em Paredes e Rosas, música sobre desencontros, com uma pergunta suspensa no ar: “quem sabe o meu caminho está errado e eu tenho que voltar de onde eu vim?”

A tristeza se reveste de ricas texturas sonoras na faixa seguinte do disco, A Hora, na qual o Ritma vira o jogo e avisa que não vale a pena desanimar e se deixar levar pelo tempo: “essa é a hora de você mostrar quem você é!” Já em Estrela, a banda vai longe, acrescentando novas imagens (“você já esteve nas estrelas? Você já se viu beijar o mar?”) ao seu universo e levando o som para os confins do espaço sideral. E, provando que o bom rock não pode prescindir das baladas, lá vêm eles em seguida com Diferença, faixa mais soturna do disco, com violão, piano, cordas e uma letra indignada (“pra que tanta gente morre / pra manter uma só? / será que um dia isso vai acabar?”). Para quem, como eles, é fã do Silverchair, basta dizer que nessa faixa eles chegaram bem perto da sofisticação de arranjo do grande sucesso dos australianos, Ana’s Song (Open Fire).

Daí em diante, o vôo do Ritma é em céu de brigadeiro, para o alto e avante. A melódica e forte Crescendo aponta para os eternos dramas da juventude (“eu tento enxergar e ver / alguma coisa em que eu possa acreditar”) com muita energia no refrão. E Voar Sozinho encerra o disco com suaves dedilhados de guitarra, um riff mil toneladas à la Rage Against The Machine e um último recado: “se eu te empurro do ninho é pra ver se você sabe voar sozinho”. E assim caminha o Ritma, deixando o ninho para encarar o mundo lá fora, que é punk, mas que ainda vai dar muito tema para boas canções.

Silvio Essinger

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