The Ordher: formado a partir de duas gigantes do cenário

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The Ordher: formado a partir de duas gigantes do cenário


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Matéria publicada em 02/05/09. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

Em entrevista cedida à Assessora de Imprensa da Free Mind Media, Débora Brandão, Fabiano Penna fala sobre o cenário nacional, Motorhead e o futuro do The Ordher!

O The Ordher, inicialmente um projeto, foi formado a partir do término de duas gigantes bandas do cenário nacional, Rebaelliun e Nephasth. Como se deu a idéia de montar a banda?

Fabiano Penna: Lá por 2000, 2001, eu, o Fábio e o Maurício já tínhamos conversado sobre tocarmos juntos, mas na época eu tava no Rebaelliun, eles no Nephasth, e não sobrava tempo pra gente botar essa idéia em prática. Em 2005, eu não tava tocando com ninguém, o Fábio comentou da gente fazer uns ensaios, e como eu tinha tempo livre e também algumas músicas escritas, achei que era um bom momento. No primeiro ensaio já sentimos que ia rolar bem, tocamos a faixa ‘Rise’ e ela soou muito bem. A partir daí, fomos levando mais a sério, e com o fim do Nephasth o The Ordher virou nosso foco.

Vocês estrearam com o CD "Weaponize", tendo todo o trabalho de produção feito por vocês mesmos. Como foi todo o esse processo até o lançamento pela Unique Leader, dos EUA?

Fabiano Penna: Antes do disco, fizemos várias pré-produções, gravamos demos com algumas músicas, enfim, testamos muito o material que iria pro disco. A última demo, chamada “Promo ‘06”, foi bem divulgada na Internet também, e com ela entramos em contato com várias gravadoras de fora do país, o que culminou no contrato de dois discos com a Unique Leader, dos EUA. A produção do disco ficou na nossa mão mesmo em função da gente trabalhar com isso, eu e o Fábio trabalhamos com gravação e mixagem há muitos anos e realmente não teria sentido colocar nosso próprio trabalho na mão de outra pessoa nesse momento. O disco foi gravado de forma bem rápida, já que estávamos bem ensaiados e tínhamos já feito pré-produção de quase todas as faixas.

E como foi a aceitação no exterior? Sabemos que aqui no Brasil o álbum teve prensagem esgotada em pouco tempo.

Fabiano Penna: Lá fora rolou bem também, a gente sabe que hoje em dia não se vende muito disco, o pessoal acaba baixando o álbum, ou ouvindo direto no Myspace da banda mesmo, então não dá pra querer comparar com o que rolava antigamente, quando a banda vendia milhares de cópias. A Unique Leader já ta na segunda prensagem, o que pra gente é ótimo, porque o The Ordher é uma banda nova e relativamente desconhecida, e o Death Metal hoje em dia também não é um estilo muito em alta, então dentro da realidade estamos satisfeitos.

Vocês, como músicos já experientes, o que acham dos shows do Brasil? Muitas bandas nacionais reclamam muito da estrutura e de na maioria das vezes ter que "pagar para tocar".

Fabiano Penna: Bom, eu toco desde 1990 mais ou menos, já vivi várias fases do Metal underground no Brasil. Posso afirmar que já foi pior, mas em virtude de já ter tocado fora do país várias vezes, também digo que ainda ta muito longe do ideal. Ano passado tocamos no Forcaos em Fortaleza, e fiquei muito feliz em ver que tem gente no país que realmente dá um jeito de fazer a coisa de forma organizada e profissional, que corre atrás de patrocínio ao invés de ficar reclamando e dizendo que underground é assim mesmo, sem estrutura. O público reconhece esse tipo de coisa, então não é à toa que haviam mais de 2 mil pessoas no evento na noite que tocamos. Mas esse festival é uma exceção, porque ainda nos deparamos com locais impróprios pra shows, produtores completamente amadores que querem fazer evento mas não querem trabalhar, equipamento precário, público que também não comparece, etc. A culpa é de todos, é do produtor que acha que é simples fazer um evento e por isso faz de qualquer forma, das bandas que aceitam tocar sob quaisquer circunstâncias, do público que deixa de prestigiar bons grupos nacionais muitas vezes. Quanto às bandas que pagam pra tocar, isso sempre existiu e sempre vai existir, a parte boa é saber que esses ‘artistas’ ficam nisso aí, fazendo abertura paga, não passa disso...

Vocês tocaram em julho de 2008 com o Possessed, nos shows que eles fizeram no Brasil. Como foi essa experiência? O Possessed é uma inspiração?

Fabiano Penna: Foi muito bacana em todos os sentidos. Os 3 shows onde acompanhamos eles foram excelentes (São Paulo, Recife e Belo Horizonte) e nos renderam uma boa promoção, muita gente que compareceu nesses eventos não conhecia o The Ordher e pôde ter contato com a nossa música. Dividir o palco com o Possessed também foi uma puta experiência, o Jeff Becerra é um cara realmente comprometido com a música que ele faz e é um puta exemplo, em cima e fora do palco. Com certeza o Possessed é uma referência, lembro que meu primeiro contato com o Death Metal foi uma compilação numa fita K7 (isso mesmo, haha) em 1990. Tinha 2 faixas do “Seven Churches”, além de bandas como Morbid Angel, Carcass, Cannibal Corpse e Napalm Death.

Além de músico, você também é produtor, tendo trabalhado com grandes nomes do cenário nacional como Andralls, Unearthly e Distraught. O que acha das bandas brazucas? Fale-nos um pouco desse trabalho.

Fabiano Penna: Há boas bandas de qualidade, isso sempre existiu e sempre vai existir. Algumas bandas mereciam uma exposição maior da mídia especializada brasileira, talvez com uma promoção maior tivessem melhores condições de investir na carreira da banda. Mas o Brasil é estranho, o foco fica pra uma ou duas bandas e isso perdura por um bom tempo, é assim desde os anos 80. Lá fora quando um estilo se fortalece, são várias bandas crescendo juntas, toda a cena cresce. Aqui uma banda consegue se destacar e ponto final. Como você mencionou, eu trabalho com produção e pude ir pro estúdio com diversas bandas no nosso país, e nos últimos meses isso tem se intensificado felizmente.

O primeiro susto que os fãs tiveram com a banda foi a saída do experiente baterista Mauricio Weimar e a entrada de Cássio Canto. Nos conte um pouco mais desta experiência e de como tem sido o trabalho junto ao novo integrante.

Fabiano Penna: O Maurício acabou saindo da banda no início de 2008, ele tava realmente bem focado no trampo dele, que é dar aula de música, e a como a gente tava querendo botar a banda na estrada, ia ficar inviável pra ele nos acompanhar, aí ele próprio pediu pra sair e já indicou o Cássio, que foi aluno dele por alguns anos. O Cássio entrou na banda com alguns shows marcados já, teve algumas semanas pra aprender o set e ensaiar e já fez a estréia dele (no The Ordher e ao vivo também) na abertura do Possessed em São Paulo, e segurou a onda muito bem. Agora já estamos tocando juntos há 1 ano, ele tem sido bem participativo na composição do disco novo e tenho certeza que quando o disco sair quem curte nosso trampo vai ver que a substituição foi mais que positiva.

Vocês já se mostraram grandes fãs de clássicas bandas do Rock, tendo gravado um cover do AC/DC que teria saído no primeiro álbum (que acabou não saindo) e mais recentemente divulgaram um Cover do Motorhead. Por que a escolha dessas músicas?

Fabiano Penna: Tocamos Metal extremo há mais de 10 anos já, então há sempre a vontade de tocar algo diferente, como as bandas mais clássicas que gostamos de ouvir. O AC/DC foi uma puta experiência, quando a gente resolveu gravar aquela faixa, realmente não tínhamos idéia no que ia dar, mas acabou ficando muito bacana, a gente impôs nosso estilo ali mas também evitamos transformar a música em Metal extremo, não era essa a idéia. O resultado final ficou muito bom, infelizmente a Unique Leader não conseguiu a permissão pra incluir a faixa no nosso disco e a divulgação dela ficou só na Internet mesmo. A ‘Them Not Me’ do Motorhead é uma faixa que a gente toca ao vivo há uns 2 anos já, como devemos começar a trabalhar em algum outro cover em breve, resolvemos gravá-la, e ficou excelente. Essa faixa já está disponível pra ouvir e também pra baixar no nosso Myspace.

O The Ordher está envolvido no novo álbum, e foi anunciando recentemente que se chamará "Kill the Betrayers" e sairá pela Free Mind Records, já pode nos adiantar algo a respeito? Como tem sido a relação com o novo selo?

Fabiano Penna: Estamos finalizando as últimas faixas do disco, e em Maio começamos a gravar o “Kill The Betrayers”, segundo álbum do The Ordher. Posso afirmar que o disco vai ter músicas mais extremas que no “Weaponize”, e também faixas mais diferentes, músicas mais cadenciadas, algumas vinhetas. A produção também vai ser mais apurada que o nosso debut, já fizemos algumas prés e estamos muito otimistas, porque ta tudo soando muito pesado e claro ao mesmo tempo. O disco vai sair em Outubro, aqui no Brasil dessa vez pela Free Mind Records. A gente acredita que essa parceria com a Free Mind vai botar o The Ordher mais em evidência na cena brasileira, infelizmente o “Weaponize” não teve muita divulgação aqui dentro do país, mas a gente já ta armando uma divulgação forte pro “Kill The Betrayers” com a Free Mind, a gravadora é sangue novo no mercado brasileiro, e isso aí ajuda a dar um gás pra gente.

Há planos para turnê no Brasil com o lançamento desse novo material?

Fabiano Penna: A gente quer tocar o máximo que der, sempre cuidando o lance do mínimo de estrutura, que é o que conversamos antes. Tivemos boas experiências ano passado tocando em lugares com boa estrutura e consequentemente bom público, e isso dá resposta pra banda. Nossa idéia é tocar nessas cidades de novo e em outras cidades onde haja uma estrutura bacana e gente que queira ver o The Ordher ao vivo. Sabemos que falar em turnê no Brasil é uma coisa quase utópica, mas vamos nos organizar pra atingir o máximo de locais possíveis depois de lançar o “Kill The Betrayers”.

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Sobre Débora Brandão

Responsável pela Metal Media Management, cresceu ouvindo clássicos do Rock n' Roll e Heavy Metal por influência de seus pais. Em 2007 iniciou sua carreira na área da música trabalhando em uma gravadora nacional e fundando uma assessoria de comunicação voltada a bandas de Rock/Metal. Hoje, com grandes nomes no Roster, a Metal Media é uma das empresas que mais apoia e acredita no Metal Nacional.

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