The Stooges: Iggy Pop relembra as gravações de "Fun House"

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The Stooges: Iggy Pop relembra as gravações de "Fun House"

Traduzido por Marco Néo | Fonte: Goldmine

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Matéria publicada em 29/01/10. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

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Segue abaixo trecho de matéria publicada originalmente no Goldmine:

Na época de seu lançamento, em 1970, as vendas de "Fun House" foram muito baixas, ainda piores que as do primeiro auto-intitulado álbum dos STOOGES.

Contudo, com o passar dos anos a lenda em torno dessa perigosa e explosiva mistura de um garage rock primal e pouco articulado com uma psicodelia nauseante cresceu. Na primeira parte de sua curta história, que durou de 1967 até 1974, os STOOGES foram mais precisos e eficientes em "Fun House" do que jamais seriam.

E, em contraste direto ao título do álbum, que fazia referência à casa de Ann Arbor, Michigan, que servia de quartel general dos STOOGES, "Fun House" não era lugar para crianças. Era violento e agressivo, os STOOGES na sua versão mais selvagem. Se um LP pudesse ser declarado criminalmente insano, era esse. Sonicamente, era a trilha perfeita para uma surra dada em um beco em alguém que estivesse sofrendo de uma crise psicótica. Os sons se fundiam em uma mistura perturbadora e suja, os gritos e uivos do maníaco vocalista Iggy Pop fomentando a agressividade.

Às vésperas do aniversário de 40 anos do lançamento de "Fun House" - o álbum foi lançado em julho de 1970 - e com um novo livro nas lojas, intitulado "The Stooges: The Authorizes and Illustrated Story", de autoria do fotógrafo da revista Creem, Robert Matheu, Iggy partilha suas memórias das gravaçãos daquele que possivelmente é o melhor álbum da curta história dos STOOGES.

O Tropicana

Ao chegarem em Los Angeles para as gravações de "Fun House", os STOOGES depararam-se com instalações que eram tudo menos luxuosas, mas que se adaptaram bem a eles.

Durante sua estadia, eles foram jogados no notório "Tropicana", um mirrado motel localizado em West Hollywood, de propriedade do ex-jogador de baseball Sandy Koufax, no mesmo local onde a banda THE DOORS tinha seu escritório.

Ron Asheton, em um artigo de 2007 da revista Guitar World, lembrou ter achado um cassetete no local após mover um sofá de lugar, o que mostrava que o "Tropicana" não estava localizado exatamente no melhor lugar da cidade. Iggy, é claro, adorou a situação, talvez porque eles não eram as pessoas mais estranhas se hospedando ali.

"Ficava na esquina de La Cienega com a Santa Monica Boulevard, e muita coisa acontecia nas cercanias daquele motel", explica Pop. "Por exemplo, enquando nós estávamos gravando o álbum, todo o elenco de 'Heat', de Andy Warhol, e o próprio Warhol, também estavam hospedados por lá. E esses eram realmente gente esquisita. Charlie Manson tinha acabado de cometer seu crime, e daí o Ed Sanders, do Village Fugs, que era o arquetípico esquerdista, beatnik, comuna, hippie, poeta-intelectual (risos) - um americano assustador - estava hospedado no quarto ao lado do meu escrevendo um livro sobre Manson ("The Family") e me olhando meio torto porque eu estava usando uma coleira de cachorro (risos). Ele estava certo de que isso significava algo."

O processo de gravação

Um dia, uma faixa - que maneira de trabalhar.

Mantendo esse nível de simplicidade, os STOOGES e sua equipe trabalharam de maneira árdua nas sessões de "Fun House" num período de duas semanas, começando em 11 de maio e terminando em 25 de maio, gravando as faixas na ordem em que apareceriam no disco.

Bom, esse pelo menos era o plano. No fim da história, "Loose", um som poderoso com riffs martelantes e solos cortantes e que tinha um cunho bastante sexual, foi preterida como faixa de abertura de "Fun House", dando lugar para "Down On The Street", a música escolhida pela gravadora Elektra para ser o primeiro single.

"Então, no primeiro dia nós gravamos 'Loose', e não estávamos ali para brincar em serviço", lembra Pop.

Composta para ser a abertura do show, "Loose", como foi o caso com todas as outras músicas de "Fun House", teve que ser gravada em 20 takes para sair da maneira correta. E a razão para isso foi Iggy.

"Naquela música em particular, muitos dos takes foram feitos para o meu benefício, já que o estilo vocal que eu desenvolvi, que sempre foi bom o suficiente para cantar fora de tempo em um ginásio de Michigan, teria que ser transformado em algo que tivesse peso suficiente para ficar para a posteridade", diz Pop. "Então, por exemplo, o primeiro verso, que eu compus em Michigan, na escola secundária, era 'eu estou mirando uma vagina quente. Yeah, eu estou guiando um grande cachorro quente. Lá vai, baby', etc. etc., certo? (risos) Mas eu não queria que aquilo ficasse gravado para sempre."

"T.V. Eye", a terceira música de "Fun House", veio na sequência, e Iggy ficou empacado em uma parte da música. "Para fazer com que a música crescesse e ficasse um pouco diferente, como aquela parte poderia ser construída e ser definida como uma caída no meio sem perder a vibe e sem soar cafona?", diz Pop. "Algo como (em tom sarcástico), 'agora vem o solo'. Era só uma caída na música. Daí algumas vezes nós tentamos usar um tamborim, o que não deu certo. Eu ficava batendo no tamborim enquanto eles tocavam aquela parte, foram várias tentativas com a vibe do take."

Falando sobre "Down On The Street", Iggy conta como surgiu a idéia da faixa. "Em 'Down On The Street' tem dois solos de guitarra", diz Pop. "A maioria das bandas, quando se trata da guitarra base na hora do solo, gravam primeiro a base e depois o solo por cima. Eu os convenci de que se fizéssemos isso, ia soar muito pasteurizado - mais parecido com os McCoys e menos parecido com James Brown. Então o Ron fez o solo sendo acompanhado apenas pelo baixo e bateria. Depois, ouvindo a música, a gente achou que ela ficou boa, mas soava um pouco vazia. Daí eu disse: 'por que você não faz outro solo? Toque para você mesmo.' E nós acabamos por usar essa mesma técnica várias vezes durante a gravação desse disco".

A matéria completa (em inglês) pode ser vista no Goldmine.

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Sobre Marco Néo

Nascido na primeira metade dos anos 70, teve seu primeiro contato com sons pesados quando o Kiss veio para o Brasil, em 83, mas não compreendeu bem o que era aquilo. A contaminação efetiva ocorreu um ano depois, quando conheceu Motörhead, Judas Priest, AC/DC, Iron Maiden. Desde então, tornou-se um apaixonado colecionador de tudo o que se refere a Metal e Rock'n'Roll, independentemente de subestilos.

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