Em 08/02/2010 | Bumblefoot: muitos julgaram o "Chinese..." sem ouvi-lo

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Bumblefoot: muitos julgaram o "Chinese..." sem ouvi-lo

Postado por Rafael Tavares | Fonte: Perfect Crime GN'R

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Entrevista por Robert Gray
Ultimate-Guitar.Com © 2010
Tradução por Pinball Wizard
http://www.perfectcrimegnr.com

Leia a tradução completa da entrevista no fórum do Perfect Crime (é preciso ser cadastrado). Leia a entrevista completa, em inglês, no site da Ultimate Guitar.

Jogue o nome GUNS N' ROSES nos ambientes do metal, e sem dúvida, cada um terá uma opinião para dividir. "Chinese Democracy" tem seus campeões assim como seus críticos, e o mesmo pode ser dito sobre o lineup da banda em 2010 num geral; alguns anseiam pelo lineup do "Appetite For Destruction", enquanto outros respeitam e entendem a transição. O líder Axl Rose é outro que provoca discussões, fãs compartilham seus pensamentos e teorias sobre o vocalista mais do que qualquer coisa, alguns dos quais têm sido juntados pelos relatos da mídia – cada qual tendo seu próprio machado a erguer. Mas pra ser justo, ninguém pode oferecer qualquer pensamento significante ao menos que tenha tido uma experiência própria com Rose em um nível pessoal.

Com estimados 13 anos de gravações, "Chinese Democracy" chegou às prateleiras no fim de novembro de 2008. Os álbuns de estúdio anteriores do GUNS N' ROSES, "Use Your Illusion I" e "Use Your Illusion II" foram lançados simultâneamente em Setembro de 1991, marcando a última ocasião em que o grupo lançou um álbum completo com material original. Com parceria exclusiva com a Best Buy, "Chinese Democracy" debutou em #3 na Billboard 200 chart, vendendo 261.000 cópias em sua semana inaugural. O disco também apareceu na UK Albums Chart, estreando em #2. Um certificado de platina da RIAA ocorreu em 3 de Fevereiro de 2009 e "Chinese Democracy" também ganhou um prêmio de platina da IFPI European em reconhecimento por terem vendido mais de um milhão de cópias do disco na Europa.

DJ Ashba (Sixx:A.M.) foi revelado como tendo se unido ao GUNS N' ROSES em Fevereiro de 2009 como guitarrista principal, substituindo Robin Finck cuja saída fora confirmada em abril de 2008. Mais de um ano depois de "Chinese Democracy", a turnê para promover o álbum finalmente começou: quatro datas na Ásia foram marcadas durante dezembro de 2009, com uma jornada completa pelo Canadá entre meados de janeiro até fevereiro. Março, por enquanto, verá a cruzada pela América do Sul. Seja lá o que o futuro reserva após isso é palpite que qualquer um pode dar.

Ron "Bumblefoot" Thal como guitarrista principal foi confirmado em maio de 2006, o homem foi recrutado pela recomendação do virtuoso JOE SATRIANI. Um instrumentista solo, o catálogo de Thal inclui: "The Adventures Of Bumblefoot" (1995), "Hermit" (1997), "Hands" (1998), "9.11" (2001), "Uncool" (2002), "Forgotten Anthology" (2003), "Normal" (2005), "Abnormal" (2008), e "Barefoot – The Acoustic EP" (2008).

Em 9 de Janeiro às 21:00GMT, Robert Gray da Hit The Light telefonou para Ron "Bumblefoot" Thal em seu estúdio caseiro para discutir seu tempo com o Guns N' Roses.

Como foi a turnê asiática do Guns N’ Roses em dezembro de 2009?

"A turnê na Ásia foi fenomenal. Já faz um ano desde que ‘Chinese Democracy’ saiu, então eu não tinha ideia do que esperar. Eu realmente não sabia como seria a recepção, e foi mais positiva do que qualquer outra turnê que fiz. Pra mim, esta foi a melhor. Simplesmente tudo pareceu certo. O som estava melhor, e a forma como interagimos no palco com a audiência – tudo pareceu certo. Nós estávamos nos divertindo muito lá em cima, e DJ, esta foi a primeira vez dele fazendo shows conosco depois de termos passado um ano juntos em idas e vindas apenas ensaiando, e trabalhando em coisas ou curtindo. Eu tenho que dizer, ele realmente se impôs, e pra mim, eu acho que ele simplesmente roubou o show. Ele chutou tantas bundas, e eu estava muito orgulhoso de estar lá com ele. Eu estava muito feliz com toda a turnê asiática, e as pessoas estavam sempre maravilhosas; simplesmente muito calorosas e acolhedoras, e bons espíritos por toda parte. Foi ótimo".

Qual foi a “química” entre as guitarras nesta turnê em específico, agora que DJ faz parte do grupo?

"A química foi a melhor que eu já havia sentido. Estou falando do meu ponto de vista. Eu provavelmente deveria voltar pro começo quando eu comecei a tocar com o Guns... eu entrei, e eu nunca tive a chance de ter meu equipamento soando direito. Eu nunca tive a chance de realmente aprender as músicas, e fazer minhas partes quando elas precisavam ser feitas. Foi apenas um monte de circunstâncias no momento em que eu tinha várias coisas amontoadas contra mim quando eu entrei no grupo, e foi difícil pra mim ter que dar o que eu podia dar. Foi duro. Eu estava realmente apenas esperando pelo momento em que todos os guitarristas pudessem se sentar, resolver tudo, e fazer aquilo da forma certa. Agora, eu finalmente tenho aquela double neck, e eu tenho o equipamento certo de que preciso para tocar as músicas. Outra coisa é quando eu entrei no grupo, porque os vazamentos eram um problema e tanto, e eles não me deram as músicas. Eu não tinha nenhuma de suas músicas novas, e a banda dizia pra mim 'Diga a eles que você precisa das músicas – você precisa ter as músicas para poder aprendê-las', mas o pessoal da administração não me dava as músicas – eles diziam 'Não'.

A única forma que eu poderia aprender as músicas era nos ensaios antes de entrarmos em turnê, coisa de uma semana antes. Eu iria pra uma outra sala, ouvia as músicas no laptop do road manager com um par de fones, escrevia as notas, ouvia elas, tentava me lembrar de todas as partes, e fazer, como eles diziam, o melhor que pudesse. Eu iria então a uma outra sala onde todo mundo estava esperando e começava a tocar. Foi assim que eu tive que aprender 'Chinese Democracy' (risos) – em fones de ouvido com um laptop em meia hora. Eles não queriam que eu tivesse uma cópia, e eu respeitei seus pedidos. Sim, eu poderia ter arrumado uma cópia em algum lugar, com alguém, mas eu pensei 'Bem, é assim que eles querem que seja... Irei respeitar seus pedidos, e quando eles quiserem que as coisas mudem, eles mudarão'.

No começo, eu ainda não sabia bem que diabos estava fazendo, e eu não estava tendo muita ajuda (risos). Mesmo quando tocávamos ao vivo, eu queria cantar os backing vocals, mas me falaram que eles não tinham espaço o bastante pra mim na mesa de mixagem. Eu senti que as circunstâncias estavam minimizando e desvalorizando o que eu poderia trazer para o grupo, e fazendo muito mais difícil para eu fazer a coisa certa, e isso não estava ajudando ninguém – não estava me ajudando, não estava ajudando o público. Mas eventualmente, depois da turnê e de ter gravado minhas partes em 'Chinese Democracy', eu tive uma melhor idéia do quê tocar. Ainda assim, eu precisava de uma guitarra fretless e uma normal que eu iria trocar o tempo todo para que pudesse fazer várias dessas músicas, coisas do tipo. Finalmente este ano, eu consegui meu equipamento como o queria. Eu tive minhas partes de guitarra e um sentimento pelas partes que eu deveria tocar, e pudemos coordenar isso entre DJ, Rich e eu. Nós saímos, e agora soa melhor do que jamais soou. Finalmente. É algo que eu desejaria que tivesse ocorrido anos atrás, mas... yeah (risos)".

Você disse que sentiu que suas contribuições foram desvalorizadas no começo de sua jornada com o Guns N’ Roses. Apenas para que os leitores não tomem conclusões erradas, você poderia esclarecer quem estava desvalorizando suas contribuições?

"Certo. Não foi o Axl ou ninguém em particular – foi a situação. Às vezes parecia, no começo, que eu tinha entrado no último minuto, e não tinha espaço pra mim. Não havia tempo para eu me coordenar com ninguém, então de certa forma eu quase tive que tocar com uma mão amarrada nas costas. Eu não tinha as ferramentas necessárias para fazer tudo que eu poderia ter feito".

Quando você se juntou ao Guns N’ Roses, o quão longe em termos de desenvolvimento estava 'Chinese Democracy'?

"Eu diria que 'Chinese Democracy' estava bem encaminhado. Tudo estava escrito, e várias coisas estavam gravadas. 'Chinese Democracy' não estava completamente pronto; ainda haviam mais partes de guitarras para serem feitas, e outras ideias de bateria que Frank trouxe. Em termos de gravação, é difícil dizer, mas cerca de 80% a 85%? Talvez algo nesse termo. 85%, pelo o que eu ouvi".

Você acha que 'Chinese Democracy' foi injustamente criticado?

"Eu acho que as pessoas definitivamente julgaram 'Chinese Democracy' muitas vezes sem ouví-lo, e acho que eles basearam suas ideias no que eles achavam da situação atual do GN’R, ou em suas opiniões sobre Axl e coisas assim. Eu acho que isso definitivamente caracteriza algumas pessoas, mas não todas. Eu acho que com qualquer álbum, as pessoas vão amá-lo, as pessoas vão odiá-lo, e algumas pessoas simplesmente ficarão indiferentes, e isso não vai significar nada de qualquer forma. Embora com a quantidade de expectativa para o álbum, eu acho que ele definitivamente mudou a forma como as pessoas o viram, e eles foram ouvi-lo com ideias já prontas em suas cabeças. É difícil não fazer isso com um álbum que levou mais do que o normal para ser lançado, mas às vezes os álbuns levam um tempo".

Você sente que alguns esperavam por um 'Appetite For Destruction Parte Dois'?

"Tenho certeza que haviam aqueles esperando isso, sim, mas novamente, eles esperavam a lagarta, não a borboleta – a coisa toda do casulo. É como onde os Beatles ficaram com cabelos grandes, caras hippies gritando, mas as pessoas ainda esperavam a volta dos mop tops, e faziam 'WOOOOoooo'. As pessoas apenas continuaram de onde pararam com isso, então se eles pararam em 'A Hard Day's Night', eles esperam por 'Beatles For Sale' (1964) em seguida.

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Sobre Rafael Tavares

Nascido em 1987, descobri o rock and roll já cedo, aos 6 anos de idade, quando ouvi "I Don't Care About You" com o Guns N' Roses em algum momento de 1993. De lá pra cá minha paixão pela música pesada e, especialmente pelo Guns N' Roses (que estará para sempre marcado em minha pele, alma e coração) cresceu exponencialmente. Sebastian Bach me fez querer virar cantor e o resto é história. Produtor fonográfico, formado em Letras e professor. Tão diversificado quanto o Rock and Roll, essa é minha vida, esse é meu clube. =D

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