Em 27/03/2010 | Jimi Hendrix: Eddie Kramer fala sobre "Valleys of Neptune"

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Jimi Hendrix: Eddie Kramer fala sobre "Valleys of Neptune"

Traduzido por Nathália Plá | Fonte: emusic

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Matéria publicada em 27/03/10. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

O crédito de Eddie Kramer no “Valleys of Neptune” é de co-produtor, juntamente com Janie Hendrix (meia irmã adotada de Jimi) e John McDermott da Experience Hendrix, empresa de propriedade da família Hendrix. Mas um título tão humilde desmente a verdadeira, profunda ligação de Kramer com Hendrix. Um nativo da África do Sul, Kramer era um engenheiro de gravação de 25 anos em Londres quando começou a trabalhar com Hendrix, na primavera de 1967. Ele ficou com o guitarrista como engenheiro, editor e co-produtor até a morte de Hendrix em 1970. “Basicamente” ele diz, “eu sou a pessoa no comando de todos os sons e todos aspectos técnicos dos álbuns de Jimi".

Ben Fong-Torres recentemente conversou com Kramer por telefone para a eMusic.

De onde surgiu a ideia do "Valleys of Neptune"?

"Surgiu da pesquisa feita por John, Janie e eu. Nós sabíamos da existência dessas fitas por alguns anos. Nós as transcrevemos na Inglaterra quando as pegamos com Chas Chandler (antigo diretor e produtor), e é algo em que vínhamos pensando por algum tempo, e nós queríamos exibir algo realmente bom para o negócio novo com a Legacy Recordings. Nós começamos a trabalhar nisso há mais de um ano, restaurando e tendo certeza de que estávamos tirando o melhor de nossas fitas".

"Nós sentimos que elas remetiam a um período de tempo, em 1969, que foi uma encruzilhada para Jimi. Essa leva veio dos Olympic Studios (em Londres) em 1969, quando ele contratou o estúdio basicamente para preparar a banda para os shows no Albert Hall que estavam por vir. É um conjunto magnífico de performances, que ele fez em alguns dias. Essa foi provavelmente a última vez que a formação original da Experience tocou junto. Foi um conjunto único de sessões. Jimi e a banda estão simplesmente pegando fogo. Quero dizer, ele está relaxado, ele está se divertindo muito. É um olhar fresco sobre Jimi".

Essa é uma coletânea diferente de material. Existe um tema?

"Ah, como existe. Se alguém voltar a 68 vai ver o sucesso que Jimi teve com 'Electric Ladyland' – que foi de fato um álbum divisor de águas, em termos dele estar no comando de seu destino. Ele provou que ele podia montar um álbum. Se alguém fizer uma jornada com Jimi ao início de 69 e olhar para a mudança que estava para acontecer – a saída de Noel Redding da banda e Jimi trazendo Billy Cox. Isso traz uma virada musical de eventos; você pode realmente escutar a influência R&B com bastante força, e você pode segui-la ao longo de todo ano de 69, até Woodstock, quando ele surge com a Band of Gypsys".

"Logo depois disso tudo Jimi está na Record Plant em Nova Iorque, de onde vêm algumas das faixas extras, e você pode escutar a mudança na influência da nova banda, com Mitch Mitchell e Billy Cox e a direção de Jimi, que agora é mais baseada no R&B, mas bem rock. Há uma curva definitiva no desenvolvimento da música de Jimi, e é isso que esse álbum representa: Jimi tentando coisas novas, novos arranjos, novos músicos, uma forma diferente de ver as coisas, e isso nunca foi colocado junto de uma forma coesa. E foi isso que fizemos".

Há uma faixa que não é dessa era, mas de 67.

"'Mr. Bad Luck'. Que é uma faixa fabulosa. Mas nunca se ajustou a nenhum álbum. Quando a ouvimos e descobrimos a sua melhor tomada, dissemos, 'Quer saber? Essa é uma música perfeita para esse álbum'”.

Alguém decidiu que seria bom que Noel e Mitch adicionassem suas partes de baixo e bateria em 1987.

"Chas deu a Mitch e Noel a oportunidade de tentar uns overdubs em algumas faixas que tinha feito com eles. Isso é bem para acompanhar o que Jimi, eu próprio, qualquer um de nós teria feito se tivéssemos a oportunidade. Nós frequentemente fazíamos overdub de coisas quando Jimi estava vivo. A forma como eu mixei essas faixas escutando a bateria original tocando, e o baixo tocando e comparando com o som com overdub, e cortando entre os dois e descobrindo o melhor de ambos. É realmente uma combinação. Eu não tenho nenhum mau sentimento disso, de forma alguma".

Ouvi dizer que "Valley" (a música título do álbum) teve originariamente algumas tomadas diferentes?

"Há duas performances distintas. Jimi gravou as partes do vocal e da guitarra em 1969 e então fez fez uma faixa completa com banda quase um ano depois. O mais fascinante pra mim é que a performance dele em 1969 era tão precisa – não só estava no tempo e no tom da performance de 1970, mas quando eu casei as duas, eu não poderia diferenciar. É como se ele tivesse planejado daquele jeito.

Por que ele decidiu refazer "Stone Free"?

"Ela estava para sair e fazê-la com um sentimento radicalmente diferente. Eu acho que quando você compara as diferentes versões dela, esta é uma particularmente brilhante. A mesma coisa com 'Red House' e 'Sunshine of Your Love'. 'Stone Free' é provavelmente uma das faixas mais difíceis de gravar do ponto de vista da engenharia, por causa de sua enorme extensão dinâmica, e é muito difícil para um guitarrista e uma seção de ritmo realizar isso com alguma precisão. E esta é uma das grandes performances daquela música".

No geral, como foi para você lidar como esse material e produzir esse álbum?

"Eu consegui não só chegar e pegar as fitas mestras originais e trabalhar nelas e traze-las à vida; foi uma daquelas vezes em que você pode voltar às brumas do tempo e escutar a voz do Jimi vindo para você, dizendo coisas como 'Ei cara, como foi essa tomada', e eu ouço minha voz dizendo, 'Foi bom, Jimi... vamos tentar mais uma'. E são coisas como essa que te fazem rir e dizer 'Minha nossa, aqueles foram bons tempos'. E então quando você ouve as performances, é aí que fica bem empolgante. O ar passa em sua nuca e você diz 'Santo Cristo, essa merda é inacreditável'. Porque não houve ninguém como ele”.

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Sobre Nathália Plá

Mineira de Belo Horizonte, nasceu e cresceu ouvindo Rock por causa de seu pai. O som de Pink Floyd e Yes marcou sua infância tanto quanto a boneca Barbie, mas de uma forma tão intensa que hoje escutar essas bandas lhe causa arrepios. Ao longo dos anos foi se adaptando às incisivas influências e acabou adquirindo gosto próprio, criando afinidade pelo Hard Rock e Heavy Metal. Louca e incondicionalmente apaixonada por Bon Jovi, não está nem aí pras críticas insistentes dirigidas à banda. Deixando a emoção de lado e dando ouvidos à técnica e qualidade musical, tem por melhores bandas, nessa ordem, BlackSabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Metallica e Dream Theater. De resto, é apenas mais uma apreciadora do bom e velho Rock'n'roll.

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