Esta matéria foi publicada em 27/12/10. Procura matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?
“Until the Light Take Us” é um documentário dirigido por Aaron Aites e Audrey Ewell, que trata da história, ideologia e estética do Black Metal Norueguês. O documentário contém entrevistas exclusivas de alguns dos principais músicos que pertenceram à cena Black Metal Norueguesa, e explora diversos aspectos do polêmico movimento que despertou a atenção do mundo no início dos anos 90.
Há muitos aspectos interessantes no documentário e que propiciam algumas reflexões. Como por exemplo, ver o depoimento de Bård G. "Faust" Eithun do Emperor, a entrevista de Varg Vikernes que inutilmente tenta explicar realmente o que acontecia, quais as suas verdadeiras intenções e como e por que tudo o que houve foi propositalmente distorcido e explorado exaustivamente pela imprensa. Entretanto, sem dúvida alguma, uma das cenas que eu destacaria no documentário é quando Leif Gylve “Fenriz” Nagell é levado a Lars Bohman, uma galeria de arte em Estocolmo, para uma exposição do artista plástico Bjarne Melgaard. É comovente e ao mesmo tempo revoltante ver essa cena. Atentem para a expressão de Fenriz na quarta parte do documentário, aos 08:40 minutos, ao se deparar com as imagens expostas e quando um Fenriz atônito e constrangido diz: “Não é que eu não veja essas imagens todos os dias. Porém essa foto foi tirada porque eu estava lá. É daí de onde eu venho”. Mais comovente ainda é na oitava parte do documentário, aos 03:46 minutos, quando nós, do mesmo modo que Fenriz contemplamos o que restou da lendária “Helvete”. O diretor do documentário pergunta a Fenriz: “O que achou da transformação”? Depois de algum tempo Fenriz responde tristemente: “Isso foi a Helvete”.
O problema não é a transformação das coisas em si, pois nada é estático. O lamentável é saber e ter que aceitar, de modo fatalista, a lógica de um sistema. Essas mesmas pessoas que foram punidas e perseguidas, hoje são produtos de consumo. O Black Metal virou “cultura”. É explorado de todos os modos, inclusive pelo mesmo sistema que um dia o execrou, e hoje ganha dinheiro promovendo o “tour BLACK METAL” como passeio turístico e vende os seus “souvenires”. Na discussão entre dois filósofos, Theodor Adorno e Walter Benjamin, o primeiro estava com a razão, pois, de fato, não há nada que o capitalismo não se aproprie.
O documentário está disponível abaixo, dividido em oito partes, com legendas em espanhol.
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Possui graduação e Mestrado em Filosofia, atualmente cursa Doutorado e ensinanesta área. É eclético com relação à música, ouve de música erudita a Black Metal. Seus gêneros preferidos são os seguintes: Post-Punk, Dark Wave, Gothic Rock, Neo-Folk/Neo-Classical, Doom Metal, Death Metal, Gothic Metal, Folk Metal, Black Metal, Progressive Metal e Alternative Metal.
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