Em 19/12/2010 | Axl Rose: em Abu Dhabi, a primeira entrevista desde 2006

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Axl Rose: em Abu Dhabi, a primeira entrevista desde 2006

Traduzido por Nacho Belgrande | Fonte: GulfNews

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Uma rosa ainda é uma rosa

Ele é engraçado, ele é educado e ele é doce. O lendário roqueiro e notoriamente escaldado com a mídia AXL ROSE em uma conversa exclusiva com o [site] Tabloid! revela porque a banda resistiu ao teste do tempo.

Por Kelly Crane e Matt Wilson - visite este link para conferir a matéria original, acrescida de fotos.

Quando Axl Rose e os garotos adentraram o palco na quinta à noite em Abu Dhabi, você já poderia deduzir que eles iam arregaçar Abu Dhabi. O que você não poderia saber, é que apenas minutos antes deles iluminarem o palco, o lendário roqueiro ROSE estava bebericando chá enquanto batia papo com o Tabloid!.

“É melhor a gente ir lá antes que eles derrubem o lugar,” disse Rose erguendo a cabeça e dando-se conta da plateia agrupada aumentando de volume.

“Eu vou culpar você. Você sabe disso,” ele acrescentou enquanto todo grupo explodiu em risos e encaminharam-se para o show.

De acordo com seu empresário, DOC MCGHEE, Rose não dá entrevistas há 14 anos [nota do tradutor: informação não procede. Axl deu uma longa entrevista ao jornalista EDDIE TRUNK em 2006].

“Eu não sei o que você fez, mas você fez alguma coisa certa,” ele disse expressando sua legítima surpresa mediante o cantor de cabelos vermelhos estar disposto a conversar.

ESCALDADO COM A MÍDIA

O astro americano do rock tem estado notoriamente escaldado com a mídia (leia-se ‘anti-mídia’) desde a implosão da banda original – os fabricantes de sucessos por trás de clássicos do rock como "Sweet Child O’ Mine" e "Paradise City". Rose chegou a escrever a faixa "Get In The Ring" sobre seu desgosto para com a mídia e todas as mentiras que ele afirma que jornalistas e publicações imprimiram ao longo dos anos.

Mas essa semana foi diferente e ele educadamente pediu por “qualquer tipo de chá” para um membro de sua equipe, acomodou-se em sua cadeira e preparou-se para se abrir.

Como com toda boa história, há sempre um pouco de drama. Veja você que essa história quase não foi contada porque enquanto o [site] Tabloid! sabia que Rose estava na cidade, também foi deixado claro, inicialmente, que não haveria entrevistas (como tem sido o caso nos últimos 14 anos).

Você pode, portanto entender porque uma caçada desesperada pela Ilha de Yas [luxuosa ilha artificial em Abu Dhabi] (de chinelos) aconteceu quando “aquela” ligação tocou para dizer que ele havia dito “sim”.

“Tem uma multidão do caralho lá fora,” disse Rose parecendo quase nervoso. “Oops, pega mal dizer isso?” ele emenda rapidamente mudando de assunto.

“Eu toquei no Oriente Médio uma vez antes,” continuou Rose sem precisar de deixa. “Foi pra mais ou menos 50 mil pessoas. Foi insano. Temos estado tentando vir tocar de novo desde então e hoje à noite vai ser ‘wow’. Muitos roqueiros e bombas. Estamos muito excitados em darmos tudo de nós,” ele disse antes da apresentação de lotação esgotada, a última da série de concertos Yas Arena Show Weekends, organizada pela Flash Entertainment.

ORGULHO

“Pra mim uma das coisas realmente legais é que eu não tenho que cobrar ninguém na banda. Hey, faça isso, faça aquilo, você sabe. Porque eles estão animados. Todo mundo tem um certo orgulho no que faz. E eles todos se cobram uns aos outros de qualquer maneira. Todo mundo vai lá e tenta dar tudo que pode. E a gente fica umas duas horas a mais, você sabe, até que sentimos que a plateia está feliz. Ou até nós sentirmos que fizemos um bom trabalho. É meio que como ir à academia ou algo do tipo, você sabe, você não sai até que você sinta que você deva.”

Há uma breve pausa antes de todos os quatro membros se matarem de rir. “É tão difícil ir à academia,” Rose eventualmente admite. “Sim, eles não me deixam fumar na esteira,” adiciona o guitarrista DJ ASHBA ainda rindo.

América do Sul, Ásia e recém-saídos de 40 shows pela Europa, o GUNS N’ ROSES vai agora pra Rússia dizendo que a diversidade de uma plateia nunca para de fasciná-los. “Eu acho que tem muito a ver com o material antigo e muito a ver com o sentimento que foi posto naquilo naquela época,” disse Rose, com dedos cobertos com anéis gigantes, cada um com um esparadrapo cobrindo o dedo embaixo.

CORAÇÂO

“Mas, se não estivéssemos colocando coração nisso agora, se eu não estivesse pondo meu coração nisso, os fãs, eles não deixariam que eu saisse impune disso. Nós temos que viver atendendo a realizações anteriores, temos que trabalhar um pouco mais duro porque você está vivendo à sombra do legado ou de um mito ou o que quer que seja,” ele disse, pensativo. “É mais pressão quando você está tocando para igualar-se a um mito.”

O GUNS N’ ROSES foi formado em 1985, um tempo, uma época na qual Rose insiste em apontar que as coisas eram bem diferentes quando o assunto eram restrições sobre apresentações. “Nos dias de shows em casas noturnas, em idos de ’88 e ’89, você podia cair do palco e isso era OK. Daí veio que eu não podia dar um mergulho, mas as outras bandas podem. Eu fazia de tudo pra não cair do palco. Eu sempre vejo a fita de marcação no palco. O brilho na fita escura na beira do palco. Eu me lembro de quando não havia isso no [local de shows] LA Coliseum quando abrimos pros [Rolling] Stones. Quando as luzes se apagaram, eu pulei do palco.”

PLATEIA MULTI-CULTURAL

Parando para ouvir aos fãs ficando progressivamente mais barulhentos, Rose disse que ele estava ansioso para tocar para uma plateia multicultural. “O aspecto da plateia mista é na verdade a parte mais interessante pra mim porque eu acho que isso resume porque o catálogo do GUNS N’ ROSES resistiu ao teste do tempo,” ele disse, ainda com um ouvido nos fãs.

“Ele [o catálogo da banda] transcende gêneros, atravessa linhas religiosas, você entende. É música com a qual as pessoas podem se identificar. O fato de que há uma plateia tão diversificada lá fora torna isso muito divertido.”

Olhando para cima por detrás das lentes escuras de seus [óculos do modelo] Aviators, Rose sorriu. “Nós rompemos algumas fronteiras com certeza,” ele disse. “E continuaremos a fazê-lo.”

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.

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