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Mötley Crüe: o desabafo de um fã brasileiro

Postado por Nacho Belgrande | Em 25/05/11 | Fonte: Site do LoKaos Rock Show
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Esta matéria foi publicada em 25/05/11. Procura matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

O texto abaixo foi recebido pelo LoKaos de um amigo dos colaboradores do site. Apesar de respeitável e sincera, a epístola abaixo não representa necessariamente a opinião do LOKAOS ROCK SHOW tampouco foi redigida por alguém ligado diretamente ao site:

MINHA HISTÓRIA COM O MÖTLEY CRÜE (BRASIL, 2011)

VINCE NEIL, SÃO PAULO, BRAZIL 2010

Há mais ou menos um ano atrás (2010) fiquei sabendo que o Vince Neil iria fazer um show solo aqui no Brasil, mas na cidade de São Paulo. Sendo um fã desde 1984 (desde os oito anos de idade), eu não me importaria de fazer a rota do Rio de Janeiro – a cidade onde moro, apenas para ir ao show, e
fazer o que fosse preciso para conhecer Vince e sua banda solo
pessoalmente. O Mötley Crüe sempre foi a minha banda favorita, e posso dizer que gastei um bom dinheiro adquirindo sua coleção (incluindo piratas, itens ultra raros, como singles, itens em edições limitadas, boxed sets e o single original da Leathür Records “Stick To Your Guns”).

Eu realmente trabalhei nesse objetivo, e consegui descobrir o hotel onde estariam hospedados com antecedência. Não é preciso dizer que fiz uma reserva lá (claro que era um hotel cinco estrelas caríssimo), e eu estava mais do que ansioso porque eu teria a chance de conhecer Vince. No dia do show (seria quando eles estariam chegando a São Paulo, eu fiz um “early check in” no hotel e fiquei lá esperando por horas e horas. Ele estaria chegando no dia do show, então a banda ainda teria que fazer o soundcheck, era um show que aconteceria cedo. Por volta das 2 da tarde, não havia
movimento algum no hotel, e percebi que havia algo errado. Eu chequei na recepção o que tinha acontecido, e eles me disseram (chegaram a me mostrar no computador do hotel) que a reserva deles tinha sido cancelada no dia anterior, às 23h00minh. Quando fiquei sabendo disso, eu corri do hotel,
peguei um táxi e fiquei rodando pela cidade para ver se eu descobria onde era o novo hotel em que ele estaria. Sem sucesso.

Então fui para o lugar do show (Carioca Clube). Eu vi Vince e sua banda chegando lá. Isso só fez minha agonia piorar. Eu tive sorte, pois um cara que eu conheço (amigão, você sabe quem você é) me disse onde o verdadeiro hotel era, mas ele me disse que era para eu ir para lá SOZINHO, imediatamente após o show. Eu já sabia qual seria o set list, e foi o que eu fiz. Peguei o primeiro táxi que vi e fui para lá. Chegar ao hotel foi fácil, mas então cinco ou seis outras pessoas também apareceram. Quarenta minutos depois, Vince e sua banda chegaram lá. Eu fui o primeiro a falar com ele. Ele assinou o meu single “Stick To Your Guns” e mais alguns CDs. Ele foi muito gentil, mas aí a segurança o mandou para seu quarto rapidamente. Dana Strum (Baixo, que também tocou no Slaughter) estava na banda e também foi muito gentil, dizendo que iriam para os seus quartos e viriam socializar conosco no bar do hotel.

Mas então apareceu uma garota (você sabe quem você é, sua vaca!) chegou lá depois de a banda ter subido para os quartos e começou a gritar. Um dos seguranças do hotel pediu que ela diminuísse o seu tom de voz – afinal já era noite e havia outros hóspedes lá (não preciso nem dizer novamente que era outro hotel cinco estrelas, super caro, e eu não podia ter mais esse gasto fazendo outra reserva em um hotel como esse). A garota então começou a ofender o segurança, e seu então namorado começou a fazer o mesmo. O segurança em si foi bem educado, mas é claro, há um limite para tudo. Como o casal não parava de ofendê-lo, fomos todos colocados para fora do hotel (nessa hora havia mais ou menos umas vinte pessoas esperando). A confusão ficou ainda pior quando o tal casal começou então a ofender todos os seguranças do hotel, que estavam apenas fazendo o seu trabalho. Então, para acabarem com a palhaçada, eles simplesmente colocaram uma cancela em
torno do lugar. Quando a vaca viu que nada mais iria acontecer, ela despediu-se e disse que iria para a “balada”.

Que vadia! Ela fez aquele escândalo, fez todos serem expulsos do hotel e foi embora. Estava frio e chovendo, e passei a noite de pé do lado de fora do hotel, sozinho, com fome, sede, não podendo usar o banheiro, até a hora que a banda saiu.

Digamos que fiquei lá fora no frio e na chuva das dez da noite até as oito e meia da manhã do dia seguinte. Dana, Zoltan e Jeff (a banda solo do Vince) foram legais o suficiente para falar com a pequena multidão que estava lá por eles (umas trinta pessoas). Quando Vince finalmente deixou o hotel, ele apertou as mãos de todos pelo outro lado da cancela (ele levou, com certeza, menos de um minuto para fazer isso), mas não tirou mais fotos com ninguém, e nem deu autógrafos. E aí eles foram embora.

Quando voltei para o Rio de Janeiro e carreguei a foto com o Vince no meu computador, para dizer a verdade, não pude parar de chorar compulsivamente. Eu tinha feito pelo menos 25% do meu maior sonho, conhecer o Mötley Crüe, tornar-se realidade! (Atire a primeira pedra o headbanger que nunca ao menos chorou apenas assistindo o show de sua banda favorita… pude ver centenas deles chorando feito crianças no último show
do Ozzy Osbourne aqui no Rio de Janeiro).

No começo desse ano (2011), a turnê sul-americana do Mötley Crüe foi anunciada. Havia três shows confirmados, um em Santiago, no Chile, e outros dois em Buenos Aires, na Argentina. Teve uma estória que a banda também tocaria em São Paulo, mas para falar a verdade, eu rezava para que isso não acontecesse. Eu não estava disposto a passar por tudo que passei para encontrar Vince novamente. Então o show de São Paulo foi confirmado.

As vendas começaram no dia cinco de abril. Eu comprei o meu ingresso pela internet às 00h02minh do mesmo dia, para garantir um bom lugar para ver a minha banda favorita de todos os tempos. Próximo passo – descobrir o hotel
da banda.

Confira o resto da odisseia de Criss (com fotos) no site do Lokaos Rock Show:

http://lokaos.net/motley-crue-desabafo-de-um-fa-brasileiro/

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.

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