
Os Ramones tocaram no (finado clube punk nova-iorquino) CBGB durante os anos 70. Quais suas opiniões sobre o local agora?
Minhas opiniões meio que mudaram. Nós fomos umas das primeiras bandas a tocar lá. Quando eu o descobri, era apenas um boteco que não vingou como bar de música caipira. E eu me lembro de quando falei pela primeira vez com o dono Hilly Krystal, ele disse: “Ninguém vai gostar de vocês, mas eu vou deixar vocês voltarem.” E eu nunca vou me esquecer disso. O TELEVISION ficava com as melhores noites, mas nós tocávamos assiduamente – o tanto quanto pudéssemos. Eu acho que costumávamos tocar toda noite de segunda-feira e daí finalmente conseguimos tocar aos finais de semana. As primeiras pessoas para as quais tocamos foram o barman e o cachorro dele. E dois caras do The Cockettes (N. do trad.: banda precursora do glam e que tinham grande aceitação na comunidade gay), Tomata Du Plenty e Gorilla Rose. Era meio aquela galera do Andy Warhol, entende? Então foram os gays que gostaram da gente primeiro.
Mas vocês fizeram algo de bom. Eu fico muito feliz pelos Ramones e toda aquela época porque isso realmente trouxe vida à indústria do disco.
Bem, daquele dia em diante, a indústria do disco nunca seria a mesma. O rock nunca seria o mesmo. Seria muito mais saudável e sob uma luz muito melhor. Quero dizer, afetou todo tipo de banda daquele tempo até agora. Mesmo bandas como o Pretenders e todas aquelas bandas que podem não ter soado como bandas punk. Isso afetou todo mundo e todo mundo foi influenciado, seja musicalmente, seja na imagem, na postura, ou no vocabulário, psicologicamente, filosoficamente. Todo mundo foi tocado, em algum ponto. E agora em 1989 há uma nova geração e é a nova juventude. E bandas como o Metallica, Anthrax, Guns N’ Roses – mais uma vez os Ramones foram diretamente responsáveis pela segunda onda dez anos depois.
Uma banda como o Metallica estava basicamente pegando nosso som, de novo, mas eles são meio que a nova tendência. O que eu gosto em bandas como o Metallica e o Anthrax e tudo mais é que eles estão fazendo as coisas do jeito deles. E há uma honestidade. Há uma animação. Há uma energia. Há uma chaga na qual eles dizem: “Vai se foder. Isso somos nós.” Essas bandas são radicais numa época onde o tipo de coisa que impera nas paradas da Billboard, você sabe, tipo os Bon Jovis – os Foreigners de novo, o que seja. E o que eu curto é que mesmo sem tocar na rádio, eles vendem tipo, um milhão de discos. Eu acho que isso é ótimo.
Do que você gosta, particularmente? Por exemplo, qual seu grupo favorito na atualidade?
Uma de minhas bandas favoritas? Bem, eu sempre amei Motörhead. Eles são uma de minhas bandas favoritas de todos os tempos. AC/DC, bem, eu adorava o AC/DC com Bon Scott, mas o outro cara é bom também. Ele parece um taxista, mas ele é um sujeito legal. E o que mais? Eu curto o Georgia Satellites. Eu gosto do Dickies.
Eu curto o Guns N’ Roses também. E vou te dizer o porquê, porque eles não bajulam ninguém. Eu curto a postura deles porque é uma postura legitimamente rock n’ roll. Eu não curto essa merda toda de droga. E do jeito que a coisa vai indo... eu não vejo eles durando mais cinco anos. Mas eu acho que eles escrevem ótimas canções e eles têm a postura certa e eles têm um bom visual e eles são uma porra duma banda. Você entende o que quero dizer? Eles são uma banda boa, agitada. Eles são modelos de inspiração para o mundo, especialmente pros EUA. Eles têm o disco #1 nos EUA. Então os garotos olham pro Guns N’ Roses e montam uma banda de rock de verdade. As bandas que estão por aí hoje em dia são autênticas, tipo, mais bandas de rock com o pé no chão do que os Bon Jovis de merda e coisa do tipo. O que é bom.
Essa matéria pode ser lida na íntegra no site do LoKaos Rock Show:
http://lokaos.net/joey-ramone-a-entrevista-perdida-de-1989/
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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