Esta matéria foi publicada em 30/09/11. Procura matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?
Por Paul Resnikoff, traduzido por Nacho Belgrande.
ÓDIO: a internet está cheia dele. A tecnologia está amplificando-o. E se você vingar no meio artístico, vai receber muito disso. Mas como você lida efetivamente com isso, na qualidade de artista, sem deixar que isso interfira com sua criatividade e a conectividade com os fãs?
Esse foi um dos muitos assuntos debatidos na Scion Music Conference em Los Angeles na quarta-feira passada, uma pequena convenção de empresários, artistas, produtores, supervisores e todo mundo no meio. E uma coisa ficou clara: a tecnologia aumentou totalmente o nível de ódio sendo direcionado aos artistas e seu trabalho. “Há com certeza muito ódio no Twitter,” disse o lendário produtor de hip hop, Prince Paul. “De repente há uma massa de pessoas na internet falando de você.”
Mas a finalidade não é essa? Paul é um daqueles raros artistas com os quais as pessoas podem de fato conversar «ou tweetar, comentar, ou mandar mensagens instantâneas», o que é mais do que muitas pessoas conseguem. “Eu sou odiado por muitos no meu tipo de música, e isso faz com que eu me sinta bem-sucedido,” disse Dwid Hellion da Holy Terror Records e da banda Integrity.
E vamos encarar isso de frente, os disseminadores do ódio são os que mais se manifestam, e tendem a sufocar aqueles que de fato apreciam o trabalho. “As pessoas só tem coragem de fazê-lo pela internet,” disse Beth Bogart, que se descreve como uma ‘artista espalhafatosa do entretenimento’ no grupo Hunx and His Punx. “Isso vem de pessoas que estão na internet 17 horas por dia.”
Então apenas ignore isso e volte praquele lugar feliz? Não é bem assim: Paul apontou o papel crítico que o ódio tem no desenvolvimento de artistas – e os testes que ele impõe à criatividade. Na verdade, esse produtor agradeceu ao ódio por tê-lo deixado mais ousado, enquanto aponta para a negatividade como uma reação natural à música experimental de vanguarda. “Nenhum disco que eu fiz era do tipo popular, fosse com De La Soul ou de horrorcore,” disse Paul. “Se não fosse pelo ódio, eu não estaria onde estou hoje.”
Há o outro lado. As mesmas plataformas que estão aumentando o ódio também estão possibilitando muita colaboração e feedback construtivo. Basta olhar no SoundCloud, que habilita feedback e colaborações instantâneos, geralmente do tipo construtivo.
Assim, há apenas honestidade na forma de feedback negativo, o que pode ser imensamente valioso – se o artista aguentar. “Isso não é odiar, é ter uma opinião,” disse Sacha Jenkins, editora de música da revista estadunidense Vibe. Você acha que aguenta?
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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