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Débil Metal: quando os fãs assustam os ídolos

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Por Mick Wall, traduzido por Nacho Belgrande.

Eu me lembro de estar em uma limusine com TONY IOMMI enquanto esperávamos nos portões da coxia do Madison Square Garden, ainda nos anos 80, quando alguns jovens vieram pela rua rumo a nós, passando uma sacola de papel marrom com uma garrafa entre eles. Daí um viu a janela de trás da limusine aberta e correu. Então ele enfiou a cabeça na janela do lado de Tony do carro.

‘TONY FUCKIN’ IOMMI!’ ele gritou. ‘BLACK FUCKIN’ SABBATH! EU TE AMO PRA CARALHO CARA!’ “Muito obrigado, cara,” disse Tony. Um veterano de um milhão desses encontros, ele apenas continuou olhando pra frente. ‘TONY FUCKIN’ IOMMI!’ o jovem gritou de novo. ‘HEY TONY! VOCÊ SE LEMBRA DE MIM, CARA?’ ‘Sim, tudo bem, cara, ’ disse Paul, o empresário, se esticando e empurrando a cabeça do cara pra fora da janela. ‘A gente se lembra de você, beleza… ’

Foi aí que uma sirene alta tocou e os portões se abriram finalmente. “Ainda bem, puta que pariu,” disse Paul. Ele deu mais um cutucão na cabeça do moleque. Mas ele ainda não tinha terminado. ‘HEY, TONY! NÃO FAZ ISSO, CARA! HEY, EU SOU SEU IRMÃO! VOCÊ SE LEMBRA DE MIM, CARA? EU SOU A PORRA DO SEU IRMÃO!’

Intrigado, Tony finalmente olhou. O garoto tinha uns 19 anos e tinha sotaque do Bronx. Tony não disse nada. A mão dele já estava no botão, mas à medida que o vidro fumê começou a subir, o moleque pulou pra dentro de novo. ‘MAS EU SOU SEU IRMÃO, CARA! A PORRA DO SEU IRMÃO, CARA! EU SOU A PORRA DO SEU IRMÃO!’

Finalmente, a janela se fechou com um estampido confortante e a limusine andou, os portões se fechando atrás de nós. ‘Bando de loucos’, murmurou Tony. ‘A gente sempre topa essas porras de loucos… ’

E claro que era verdade. Mais tarde, ele me contou de uma vez que eles apareceram para um show no Hollywood Bowl e alguém tinha lacrado a porta do camarim com pregos e desenhado uma cruz com sangue fresco nela. Em outra vez, ele tinha chutado um amplificador com defeito durante um show e acabou vendo uma figura vestida de preto com uma faca não mão por detrás do equipamento, pronta para atacá-lo. E também havia as bruxas e bruxos que os seguiam pra todo lado. Eles e os Hell’s Angels. Todos eles convencidos de que a banda tinha ou enviado mensagens pessoais para eles através de suas músicas, ou simplesmente falavam direto com eles – e somente com eles.

Você pode achar que isso é quase inevitável para uma banda chamada Black Sabbath, mas coisas assim acontecem com todos os outros com os quais eu trabalhei. Mesmo gente ‘normal’ como Def Leppard e Bon Jovi tinham sua cota de debilóides pesando em cima deles, na esperança de discutirem o verdadeiro significado no estilo ‘Código da Vinci’ de ‘Pour Some Sugar On Me’ ou ‘Living On A Prayer’. Loucos de pedra, e claro, garotas: garotas apaixonadas, garotas que na verdade eram homens, garotas em duplas e trios, e seus namorados voyeurs, até mesmo garotas e suas mães.

Mas essas você pelo menos sabia o que queriam. Eram os loucos – mulheres, caras e tudo no meio dos dois – que realmente preocupavam. Os que apareciam nos shows de Ozzy Osbourne carregando várias cabeças de porco. Os que escreviam nomes como Marilyn Manson com faca nos braços ou tinham fotos de Kurt Cobain tatuadas em suas bundas. Aqueles que tinham aquele olhar percebível a um quilômetro, dizendo: eu te amo tanto que eu posso até te matar se você não me tratar bem.

Eu confio em você pra que nunca permita que essa descrição lhe sirva, okay?

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.

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