Em 04/10/2011 | Pink Floyd: "o Rock prestou um desserviço à música"

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Pink Floyd: "o Rock prestou um desserviço à música"


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Marcando a batida da maior banda de rock progressiva do mundo. Foi assim que NICK MASON passou 30 anos. Agora o lendário baterista está passando seu tempo lançando alguns excelentes relançamentos do catálogo do PINK FLOYD.

Na semana passada, o Pink Floyd deu a seus fãs mais ferrenhos um presente (enquanto começa a doutrinar uma nova geração) com o lançamento da ‘immersion box’ de ‘Dark Side of the Moon’. O pacote é um delírio de seis discos devotados a um único disco incluindo um novo remaster, uma versão ao vivo, um disco de sobras de estúdio, DVDs com mixagens em som surround e shows ao vivo.

Coisa demais? Vamos lembrar que ‘Dark Side’ passou 741 semanas nas paradas da [revista estadunidense] Billboard e está batendo em 50 milhões de cópias vendidas. E essa banda ama ‘coisas demais’ – eles estão preparando uma immersion box de ‘Wish You Were Here’ para o dia 8 de novembro.

Um dia depois de Mason ter assistido ao The Shins tocar uma versão matadora de ‘Breathe’ no programa de Jimmy Fallon, ele nos telefonou para falar sobre o passado e o possível futuro da banda.

Depois de ‘Meddle’, ‘Dark Side’ foi um momento de virada. Ele invadiu as rádios e fez de vocês a maior banda do mundo, mas mesmo assim o disco não perde o elemento de estranheza.

Não tenho certeza quanto que você chama de ‘estranheza’, mas nós sempre gostamos de mudar as coisas a cada disco. Sob vários aspectos, ‘Meddle’ era longo demais, e há muita repetição na música. Ela funciona, mas é arrastada ao invés de comprimida. ‘Dark Side’ foi o antídoto para isso. Tudo era equilibrado. Daí quando você chega a ‘Wish You Were Here’, a coisa se estica de novo.

Vocês faziam muito disso, esticar e comprimir, esticar e comprimir.

(risos) Sim, era como estar em uma academia.

Você vê o tamanho da influência que foi quando ouve ao Radiohead ou ao Flaming Lips?

É muito gratificante ouvir banda dizerem que foram influenciadas por nós, mas quando você ouve a uma banda como o Radiohead, eu não ouço Pink Floyd neles. Eu só ouço o Radiohead. A verdade é que todos nós emprestamos e aprendemos com outras bandas. Eu não acho que haja música que seja completamente original.

Eu acho que muitos fãs do Pink Floyd ficariam surpresos em ouvir você dizer isso. Ouvindo a ‘Dark Side’, ou coisas mais antigas como ‘Astronomy Domine’ ou ‘Set The Controls For The Heart of the Sun’, o Floyd soa chocantemente original. Mesmo comparados à música de hoje, vocês parecem originais.

Com alguma esperança, há algo de original naquelas músicas mais antigas e se isso procede, então ótimo. Mas você sabe, de certo modo o rock prestou um desserviço à música em geral porque ele marginalizou coisas como o jazz e a música clássica. Então quanto mais o rock se abrir e tiver elementos de fusão com essas coisas, mais ele irá expandir as experiências musicais das pessoas. Isso é uma coisa boa de fazer sempre que for possível.

Eu duvido que ‘Dark Side’ chegasse a um milhão de cópias vendidas se fosse lançado hoje. De certo modo, as orelhas voltadas pro rock e pro pop são mais fechadas hoje do que elas eram 30 ou 40 anos atrás.

Há uma série de questões em relação a isso. Primeiro, a música foi horrivelmente desvalorizada. Isso torna tudo mais difícil pras bandas jovens. Engraçado, as bandas mais velhas e estabelecidas podem sobreviver. Mas também, se você for a um supermercado agora, antigamente era muzak, aquela coisa horrível. Mas de algum modo era melhor do que ir ao super mercado e ouvir ‘Stairway to Heaven’ do Led Zeppelin. O rock n’ roll se tornou música para fazer compras. Quando tínhamos o vinil, por exemplo, nós todos levávamos a coisa a sério desde a abertura da embalagem até a execução do disco. Era uma cerimônia por si própria. Havia mais sentido na importância da arte. A música está meio desvalorizada agora.

Bem, você costumava ter que economizar pra comprar algo que você quisesse muito. Agora você pode simplesmente roubar isso.

No geral, nós damos valor às coisas pelas quais pagamos. Brindes são logo tacados no lixo.

Há algo hoje em dia, algo novo no rock, no jazz ou na música clássica que você adore?

Tem tanta música boa hoje em dia por que muitos jovens são capazes. Quando eu estava crescendo, se eu fosse pro meu professor de música na escola e pedisse pra tocar bateria ou guitarra elétrica, ele teria desmaiado. Isso não existia. Agora os jovens podem tocar guitarra elétrica na escola e eles serão instruídos com uma música de Jimi Hendrix. Isso é fantástico. Eu estive envolvido em um projeto educacional para bateristas e tinha esse moleque de 13 anos que era fantástico, muito melhor do que eu jamais serei.

Vamos ter mais dessas immersion boxes?

A última coisa que eu quero é sobre-explorar o trabalho. Mas até agora a reação à immersion Box de ‘Dark Side’ tem sido ótima. Então planejamos fazer a versão de ‘Wish You Were Here’ mais pra frente esse ano e uma de ‘The Wall’ em 2012. Se houver tempo suficiente, eu adoraria fazer uma versão immersion das coisas antigas. Nós temos demos que fizemos antes de termos contrato com uma gravadora e nós poderíamos combiná-las com coisas dos dois primeiros discos e fazer algo muito interessante com isso.

Faz 20 anos que saiu o último disco do Pink Floyd. A banda está acabada pra você ou há esperança de uma reunião?

Deve estar acabada. Foi extraordinário que tenhamos acabado no Live 8 [em 2005]. Seria um grave erro pensar, ‘Oh, eles tocaram no Live 8, uma turnê é uma possibilidade real’. Nós não pensamos assim. Mas se a razão for forte o suficiente, não seria dinheiro, mas por uma boa causa, então eu acho que poderia rolar. Mas você pode ter uma resposta diferente de David ou de Roger se você perguntar a eles.

Fonte: site Ultimate Classic Rock

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.

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