Esta matéria foi publicada em 02/10/11. Procura matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

David Fricke, da edição estadunidense, da revista Rolling Stone se encontrou com a improvável dupla no estúdio do Metallica no condado de Marin, ao norte de São Francisco, recentemente. “Eles são tão poderosos quanto você possa imaginar,” Reed dizia do Metallica no saguão do estúdio. “A bateria não é brincadeira, e Hetfield é desse jeito.” Reed bate uma mão contra o coração. “E daí você tem as letras que são uma explosão. É tão fácil, porque não estamos tentando mudar ninguém.”
“Não rolou naquelas de ‘essa é a minha parada, faz o que eu tô dizendo’”, confirma o baterista Lars Ulrich. “Lou entendeu que nós daríamos a ele algo que ninguém mais daria.”
“Lou e nós – somos almas gêmeas,” emenda o guitarrista Kirk Hammett. “Nós ambos temos uma clara visão de como você deveria soar e o que deveria dizer. Além disso, ele tem uma característica que se encaixa perfeitamente. Ele fala a nossa língua, levemente sarcástico e seco, como mais um de nós.”
“Aonde quer que eu vá, eles ainda estão comigo,” diz Reed com deleite. “Essa coisa toda tem sido do jeito que deveria ser, na minha mente.” E não acabou. Reed e o Metallica estão pensando em promover Lulu com alguns shows ao vivo.
A ideia desses dois gigantes da música moderna trabalharem juntos nasceu depois do show do vigésimo-quinto aniversário do Rock And Roll Hall of Fame em Nova Iorque, em outubro de 2009. O vocalista e guitarrista do Metallica, James Hetfield, o baterista Lars Ulrich, o guitarrista Kirk Hammett e o baixista Rob Trujillo – tocaram com Reed em clássicos do VELVET UNDERGROUND, ‘Sweet Jane’ e ‘White Light/White Heat’. “Nós soubemos a partir dali que fomos feitos um para o outro,” diz Reed.
Depois daquela triunfante apresentação, Reed sugeriu que eles fizessem um disco juntos. No início eles planejavam regravar um disco com material antigo de Reed, o que Ulrich descreve como "algumas das jóias perdidas de Lou – canções às quais ele pensou em dar mais uma chance, e nós podíamos fazer fosse lá o que fazemos com algumas delas.” Essa ideia “ficou no ar por alguns meses”. Daí uma semana ou duas antes das sessões começarem, “Lou ligou e disse, ‘Ouçam, eu tenho essa outra ideia.’”
Tal ideia era gravar uma série de canções que Reed tinha escrito para o diretor estadunidense de teatro de vanguarda Robert Wilson e para a produção do grupo teatral alemão Berniler Ensemble de ‘Lulu Plays’, que estreou no Aprilat the Theatre am Schifbauerdamm em Berlin, fundado por Bertold Brecht. As canções são inspiradas nas peças do expressionista alemão Frank Wedekind do começo do século XX, como Earth Spirit e Pandora’s Box, e eram uma reinterpretação da ‘O Corvo’ de Edgar Allan Poe, que emergiu como uma graphic novel pela editora Fantagraphics Press.
“Nós estávamos muito interessados em trabalhar com Lou,” diz Hetfield. “Eu tinha essa ponto de interrogação enorme: como é que vai ser? O que vai acontecer? Então foi ótimo quando ele nos mandou as letras para o conceito de trabalho de Lulu. Era algo no qual podíamos enfiar a cara. Eu poderia tirar o uniforme de vocalista e letrista e me concentrar na música. Essas letras eram muito fortes, com uma plataforma por detrás delas para construir uma atmosfera. Lars e eu nos sentávamos lá com um violão e deixávamos a tela em branco nos levar onde ela precisava ser levada. Foi um grande presente, ser solicitado a assinar ‘tallica’ nela. E foi o que fizemos.”
“Nós tínhamos que trazer Lulu à vida de um modo sofisticado, usando o rock,” diz Reed. “E o rock mais pesado que você conseguiria imaginar seria o do Metallica. Eles moram nesse planeta. Nós tocamos juntos, e eu sabia: sonho tornado realidade. Essa é a melhor coisa que eu já fiz. E eu a fiz com o melhor grupo que eu poderia achar. Por definição, todo mundo envolvido foi honesto. Isso veio ao mundo puro. Nós entramos até onde conseguimos entrar para dentro dos limites da realidade.”
“Definitivamente não é um disco do Metallica ou do Lou Reed,” acrescenta Hammett. “É outra coisa. É um novo animal, um híbrido.”
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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