W. Axl Rose: "vocês são todos desprezíveis" - Parte I

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W. Axl Rose: "vocês são todos desprezíveis" - Parte I


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Trecho não-publicado de ‘W.A.R. – The Unauthorized Biography of William Axl Rose’, biografia de Axl Rose de autoria de Mick Wall, publicada em 2007. Traduzido com consentimento do autor por Nacho Belgrande para o LoKaos Rock Show.

Os seis meses finais da turnê mundial de dois anos e meio que o Guns N’ Roses havia iniciado em 1991 foram, sob muitos aspectos, os mais fáceis. Tendo voltado ao Japão, onde sua equipe fixa de 80 pessoas chegou na manhã de 11 de janeiro de 1993 – um dia antes do primeiro de três shows no futurístico Tokyo Dome – até Axl entendia naquela altura que não era prudente emperrar a estrutura da banda. No Japão, os shows – tal como muitas outras coisas – são eventos controlados rigidamente que começam e terminam de modo planejado. Diferentemente do hemisfério ocidental, aonde certo atraso é quase que esperado pelos maiores nomes da elite cultural-liberal, sejam eles da música, moda, cinema ou artes visuais, tal atitude no Japão mal é entendida, quiçá tolerada. Como resultado, o último trecho da turnê mundial começou com um início não-customeiramente organizado, com a banda chegando para a passagem de som às 2 da tarde no dia do show, e Axl pronto para subir ao palco às 06h40min da tarde em ponto. Começando com ‘Welcome to the Jungle’, a banda mandou um set de 18 músicas, o qual eles concluíram educadamente com Axl descendo para perto da platéia para distribuir rosas embaladas separadamente, uma a uma. Apesar dos pesados traumas emocionais pelos quais ele tinha passado em casa com Stephanie, ele ainda parecia contemplar um futuro com ela. Esse trecho final da turnê seria ‘só a nata’, com a banda reduzida a sua formação mais natural de seis pessoas, permitindo a eles que coletassem um baita pagamento depois do outro enquanto eles passavam por aquelas partes do mundo que ainda não tinham cansado deles.

Nos bastidores, contudo, algumas coisas nunca mudam. Axl tinha toda sua equipe de apoio com ele, incluindo áreas especiais da coxia para Suzzy London e Sharon Maynard e suas respectivas tropas de assistentes. “Elas tinham que acompanhá-lo até o Japão para certificá-lo de que as ondas de energia negativa não o pegassem lá,” um incrédulo ex-empregado explicou. Até aquele ponto, Axl tinha solicitado informações detalhadas sobre instalações nucleares no país – e a fonte de energia do Tokyo Dome em específico – antes mesmo de ele ter chegado ao país. Enquanto alguns membros da equipe fossem tolerantes a tais patacoadas esotéricas, outros eram profundamente céticos quando ‘às reais intenções de Maynard’. ‘Se fosse pra algum lugar exótico, maravilhoso ao redor do mundo, ‘as conselheiras’ geralmente tinham que ir a determinado ponto’ um ex-empregado contaria depois à (revista) Rolling Stone. “Mas se fosse pra ir até Kansas City, estava tudo perfeitamente bem.”

O resto do tempo da banda no Japão seguiu um padrão mais convencional, começando com uma grande festa depois do primeiro show no distrito de Reppongi chamado Lexington Queen – um ponto familiar para bandas estrangeiras de passagem pela cidade, freqüentado por modelos do ocidente trabalhando em Tóquio. No segundo show, no dia 14 de Janeiro, até mesmo Axl estava começando a sentir-se mais em casa, atrasando o show por uma hora e dedicando a música ‘Yesterdays’ a seu meio-irmão Stuart. Depois, ele e a banda se juntaram a Ronnie Wood, dos Rolling Stones, que também estava tocando na cidade aquela noite, na festa ‘after-concert’ dele no Lexington Queen. Na noite seguinte, Axl apresentou ‘Live And Let Die’ como ‘Live and Let Stir-Fry’. Wood, ainda circulando com Slash desde a noite anterior, juntou-se a eles no palco para uma extensa versão de ‘Knockin’ On Heaven’s Door’, que fecharia o show.

Duas semanas depois, eles estavam na Austrália, onde o show deles em Melbourne no enorme Calder Park Raceway Stadium no dia 1 de fevereiro bateu recordes nacionais de público. Três dias depois, eles estavam na Nova Zelândia, onde Axl e Duff comemoraram seus aniversários em uma festa de aniversário conjunta num restaurante de luxo com vista para o porto de Auckland. No dia 6 de fevereiro, data do trigésimo – primeiro aniversário de Axl, eles tocaram no Mount Smart Stadium de Auckland. No clímax de ‘November Rain’, uma dúzia ou mais de membros da equipe técnica entraram no palco para entregarem um bolo gigante a seu líder, no que Slash e Duff conduziram a platéia numa versão de ‘Feliz Aniversário’ enquanto Axl tentava parecer surpreso. Quinze dias depois, eles estavam de volta aos EUA prontos para começar o trecho ‘Skin and Bones’ da turnê, como eles o chamavam agora, com um show lotado no Frank Erwin Centre em Austin, Texas. Sem a seção de metais e vocalistas de fundo, o meio do show agora tinha uma seção acústica composta quase que inteiramente do lado dois do [álbum] ‘GN’R Lies’ – menos ‘One In A Million’, que nem mesmo Axl era louco para querer tocar ao vivo.

Claro, a turnê ainda tinha seus inesperados ‘atrasos’ e datas remarcadas nas coxas. Quatro shows coram cancelados logo no começo da turnê devido a ‘condições meteorológicas adversas’. Enquanto no dia 3 de Abril um show em Sacramento foi terminado depois de 90 minutos quando Duff foi atingido na cabeça pelo que Slash disse à platéia que era ‘uma garrafa de mijo’ mas que o [programa] MTV News depois apurou ser uma garrafa plástica de água. Seja lá o que fosse, nocauteou Duff e ele teve que ser levado a um hospital local. Apesar de ter sido Axl quem anunciou que o show teria que ser parado, foi Slash quem foi ao palco e encarou o público quando ficou claro que Duff teria que receber atenção médica. Explicando a situação, ele pediu que todos fossem embora pacificamente, acrescentando: ‘Não tretem com ninguém, não zoem o prédio’. Por uma vez, ninguém o fez.

Outro show foi cancelado em Abril – essa vez no Omni em Atlanta, na Geórgia – quando Axl percebeu que era o mesmo lugar onde ele tinha sido preso depois de um embate com um segurança na turnê com o Mötley Crüe em 1987. Com Axl ainda tecnicamente sob condicional depois do processo devido ao tumulto em St. Louis dois anos antes, ele disse a Doug Goldenstein para cancelar o show. “Eu não vou ficar dando mole pra Kojak’, Axl diria depois em um comunicado à imprensa. Ele já estava ‘escaldado demais pela experiência. ’

Os incidentes mais dramáticos da turnê dessa vez decorreram do substituto de Izzy Stradlin, Gilby Clarke, que fraturou seu pulso esquerdo em um acidente de moto no dia 29 de abril, enquanto treinava para uma corrida de celebridades organizada pela TJ Martell Foundation para angariar fundos para pesquisas sobre leucemia, câncer e AIDS, o que resultou nos últimos quatros shows do itinerário da banda nos EUA serem cancelados. A ausência de Gilby também ameaçava o planejado retorno da banda à Europa naquele verão para shows em festivais. Mas Axl apareceu com uma solução de última hora. Ele simplesmente ligou para Izzy e pediu que ele fizesse os shows com eles – em caráter estritamente provisório, claro. Mais inesperadamente ainda, Izzy concordou.

“Izzy e eu crescemos juntos e somos como uma família sob vários aspectos – incluindo termos nossas diferenças,” Axl explicou depois. Quando eu o lembrei dessa declaração depois, Izzy simplesmente sorriu e balançou sua cabeça. “Bem, o que mais ele poderia dizer? Eles estavam sem opção alguma e se eu não tivesse concordado em ajudar, eles poderiam ter perdido todo aquele trecho da turnê.”

Esta matéria pode ser lida na íntegra - em português - no site do LoKaos Rock Show:

http://lokaos.net/axlvocessaotodosdespreziveisi/

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.

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