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Jimmy Page: Gênio da guitarra, Deus da Produção

Esta matéria foi publicada em 11/01/12. Procura matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

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Por Ted Drozdowski, traduzido por Nacho Belgrande

Jimmy Page é um dos maiores pesos-pesado das seis cordas, e na maioria das vezes com uma de suas icônicas Gibson Lês Paul penduradas nos ombros. Mas a genialidade sônica de Page vai muito além do braço do instrumento e das composições, e adentra o estúdio.

Page foi um dos maiores produtores fonográficos dos anos 60 e 70 – um inovador sônico e um perfeccionista cuja visão fez dos álbuns do Led Zeppelin uma experiência auditiva vívida, ao invés de simples discos. Compare os seis discos que o Led Zeppelin fez de 1969 a 1975 com outros títulos clássicos do mesmo período: os primeiros discos do KING CRIMSON, os LPs do JEFF BECK GROUP, BLIND FAITH, ROLLING STONES, o PINK FLOYD antes de ‘The Dark Side Of The Moon’. Sonicamente, o trabalho de Page com o Led Zeppelin colocou os discos de estúdio de sua banda em um patamar sônico totalmente à parte.

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Inicialmente, era uma questão de observação. Durante seus anos pré-Yardbirds e Led Zeppelin, Page era um músico de estúdio e teve a oportunidade de assistir a muitos produtores e engenheiros. Como guitarrista, a técnicas de microfonação o interessara desde cedo. Posteriormente, ele usaria a microfonação ambiental nos amplificadores pequenos que eram essenciais a seu som no Led Zeppelin. Mas ele estava especialmente interessado nos sons de bateria que saíam dos estúdios nos anos 60. Os bateristas eram por muitas vezes colocados em pequenas cabines naquela época, para isolá-los da banda enquanto as trilhas-guia estavam sendo gravadas, ou por puro costume. De qualquer modo, os resultados eram pífios e medíocres. Então quando Page capitaneou o Led Zeppelin no estúdio, ele se certificou de que o kit de John Bonham e seu equipamento periférico tivessem sempre bastante espaço em uma sala grande, viva e ressonante.

Page baseava sua microfonação ambiental de amplificadores de guitarra no que ele tinha aprendido ouvindo a discos clássicos de blues e do rock que emergia nas gravadoras Sun e Chess, onde um microfone era geralmente o suficiente para gravar uma banda inteira ao vivo – mas os sons de guitarra ainda assim se sobressaíam.

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Page aplicou a velha regra da engenharia que estabelece que ‘distância é igual à profundidade’, então quando chegou a hora de gravar as guitarras, ele colocava um microfone bem perto e um ou mais microfones adicionais a uma distância de até sete metros do amplificador. Isso permitia a Page capturar o efeito sônico pleno de um amplificador preenchendo a sala, e também o habilitava a fazer com que os amplificadores pequenos com os quais ele gravava, como o Supro Lightning Bolt, soassem bem potentes. Muitos outros produtores britânicos o copiaram antes que a prática escoasse até os EUA.

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O eco reverso era outro truque que Page desenvolveu. Ele aplicou a manobra pela primeira vez em 1967, num single do Yardbirds, ‘Ten Little Indians’. Inicialmente, envolvia gravar a guitarra em duas pistas – uma com bastante eco. A seguir, a fita era virada ao contrário de modo que o som do eco ‘molhasse’ apenas certas notas em específico. A mesma técnica foi aplicada também nos pratos de bateria, resultando em um efeito bem psicodélico.

Page trocava de engenheiros entre os discos de propósito, para deixar claro que era a produção dele – e não a metodologia de estranhos – que fazia os álbuns do Led Zeppelin soarem tão dinâmicos.

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Claro, qualquer grande receita começa com ingredientes sofisticados, e o arsenal de guitarras, particularmente da «marca» Gibson – que ele usava nas clássicas gravações do Led Zeppelin – era soberbo. As mais conhecidas são suas reverenciadas “Número Um” e “Número Dois”. A “Número Um” foi adquirida de Joe Walsh enquanto o Led Zeppelin estava em turnê pelos EUA. A Gibson Custom Shop replicou o instrumento de 1950, com um braço lixado, e um mecanismo que tira os humbuckers de fase na posição do meio, em uma edição limitada de 2004. A Custom Shop também recriou a “Número Dois”, uma 1959 Standard com braço lixado para ficar parecida com a “Número Um” e quatros chaves para dividir os captadores. A “Número Dois” ainda está no catálogo da Gibson.

A outra guitarra Gibson igualmente icônica no rack de Page é a EDS-1275 de dois braços, que ele notoriamente empunhava durante “Stairway to Heaven”, “The Song Remains The Same” e “Celebration Day”. Ele perdeu uma Black Beauty Les Paul Custom 1960 com uma alavanca Bigbsy em um roubo durante turnê em 1970, mas ela ainda assim foi recriada pela Gibson Custom Shop em 2008 em uma edição limitada, com 25 delas autografadas por Page. A Les Paul Standard 1969 vista no filme The Song Remains The Same ainda está em sua coleção, para ocasiões especiais como a épica reunião de 2007 entre os membros remanescentes do Zeppelin na imensa O2 Arena de Londres.

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.

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