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Sucesso x Fracasso: o comovente testemunho de um músico

Postado por Nacho Belgrande | Em 17/02/12 | Fonte: Site do LoKaos Rock Show
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Esta matéria foi publicada em 17/02/12. Procura matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

Por Paul Resnikoff, traduzido por Nacho Belgrande.

Obs: O texto que segue é uma resposta a um artigo publicado pelo Lokaos nesse link.

Na (conferência) SF MusicTech nessa semana, David Lowery (Cracker, Camper Van Beethoven) argumentou que os artistas estão na verdade em PIOR SITUAÇÃO hoje em dia (sob o ‘novo chefe’) do que estavam sob o cenário antigo, dominado pelas grandes gravadoras (o chefe ‘antigo’). Mas e se essa dicotomia for falsa? Aqui, o artista que se descreve como ‘fracassado’ MIKE ERRICO diz que não há ‘modelo novo’ nenhum ainda, enquanto pede aos artistas que não celebrem o Spotify, ou o iTunes e a pirataria.

“Eu só fiquei falido – falido mesmo, de ter que vender a guitarra – duas vezes. A primeira foi quanto eu estava sob a chancela de uma gravadora. A segunda foi quando eu publiquei um disco por uma gravadora diferente”.

“O problema não foram as gravadoras, e a solução não era evitar outras gravadoras no futuro. Era desligar-me de todos preconceitos e mover-me instintivamente, baseado em minhas forças, enquanto ignorava minhas fraquezas”.

Lowery é um artista tentando achar um caminho, e eu entendo a frustração dele, porque eu a sinto também. De acordo com o argumento dele, ele estabelece uma comparação entre os modelos velhos e os novos, comparando o iTunes com gravadoras, faturamento bruto contra recibos de turnê, etc. Enquanto eu lia, meus olhos saltavam, não porque era certo ou errado, mas porque eu finalmente tenho experiência para perceber que:

1) Não há ‘modelo novo’. Há o caos, e o caos não é um modelo.

Nós, os artistas, não podemos tratá-lo como tal. Apontar para saqueadores no meio de um levante não é um exercício de inexequibilidade. Os saqueadores sabem disso. Ô se sabem.

2) Aqueles que propõem um ‘modelo novo’ não são criados, formados, de outro ecossistema. Eles têm pulado dos ‘modelos antigos’ que eles agora desaprovam. Eles ODEIAM a onda antiga, e AMAM a nova onda. Porque a música é uma mercadoria, para a maioria deles. Agüenta o tranco por tanto tempo quanto Lowery e eu temos agüentado, e assista a músicos apaixonados largarem dessa vida e virarem corretores imobiliários, massagistas de Reiki e oficiais da polícia montada do Canadá (juro).

3) Os artistas estão engajados nos dilemas éticos e espirituais que moldam sua arte. O clamor por justiça é forte, e os artistas estão no ramo de traduzir nosso universo numa linguagem que entendamos. Mas:

4) Ninguém aqui está no ramo jurídico. Debates sobre o iTunes, pirataria, Spotify –é tudo conversa de boteco.

O modo pelo qual eu ‘dou conta’ do mundo tal como Lowery descreveu consiste simplesmente em me libertar de restrições e contenções. Eu aconselho aos outros artistas que façam o mesmo, como palestrantes em conferências do naipe da SF MusicTech, em salas de aula, no palco, e principalmente, dando exemplo.

Se eu pudesse sugerir algo mais pros artistas refletirem, seria:

“Se o seu plano parece com o de outras pessoas, seu plano deu errado. Venda, e seja, o que ninguém mais pode vender, ou ser. O modelo vem depois. Hoje em dia, as ferramentas e tecnologias para correr atrás de um objetivo existem, e é por isso que eu acredito que as coisas nunca estiveram melhores”.

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.

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