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Por Andrew Barker para a revista Variety
Traduzido por Nacho Belgrande
O KISS já há muito tempo tem dependido de turnês e licenciamento de mídias [incluindo venda de discos e inclusão em coletâneas] para manter sua marca aos olhos do público. Na semana passada, o co-fundador do Kiss, PAUL STANLEY, estava ocupado se preparando para uma turnê conjunta com o Mötley Crüe, logo após ter dados os toques finais no disco de estúdio da banda, ‘Monster’, que deve sair entre setembro e dezembro, e será inevitavelmente seguido por outra turnê.
Agora, isso é tudo costumeiro para o veterano de 60 anos. Por mais pasteurizado que o grupo tenha ficado, tornando-se uma pálida versão pastiche de seu espírito e formas originais, a banda parece entrar em seu quadragésimo ano em 2013 em meio a uma indústria musical que em muitos modos remodelou-se na imagem da agremiação.
Apesar de não tentar mais ficar na crista da onda do que está acontecendo nos modismos musicais – como o Kiss fez com a discoteca, depois com o glam metal e até com o grunge – o grupo conseguiu manter seu nome na música popular admiravelmente bem, aparecendo em ‘American idol’ e lançando uma turnê conjunta com o Aerosmith. Ainda assim, o mais notável é o grau que os procedimentos operacionais atemporais do Kiss – marketing agressivo e turnês infindáveis [e enganando os fãs que compraram ingressos para a turnê de 2000, que eles alardeavam como a de ‘despedida’] – posicionaram a corporação para resistir a todos os revéis da indústria na última década.
A banda tem um catálogo de 3000 produtos oficiais, e recentemente assinou um contrato com a detentora da marca Hello Kitty, a Sanrio. Cerveja, caixões e preservativos também já fazem parte da inesgotável lista de itens comercializados. Claro, a postura uber-capitalista do Kiss fora considerada outrora como um anátema do espírito da contracultura do rock n’ roll, o que não é atenuado pelo tamanho que a massa de licenciamentos pela banda tomou, e agora parece destinada a rivalizar com as vendas de merchandise da marca ‘Star Wars’ de George Lucas.
“Nossa credibilidade é definida por nossos critérios, e somos tão críveis como lucrativos”, disse Stanley. “É inegável que as fontes não-tradicionais de renda podem ser gigantes, e não maximizar seu potencial fora da música seria absurdo. É o ramo da música, e o elemento de negócio não nega ou mancha a outra porção de tudo. Somos uma banda, e somos uma marca. E sem uma, a outra sofre.”
“Só pra dar um exemplo, quando começamos nosso primeiro fã-clube, as pessoas chiaram, os críticos chiaram, outras bandas chiaram. E a questão é o que há de errado em organizar e se conectar com seus fãs? Parecia-me muito pouco altruísta fazer o contrário, e não reconhecer nem alimentar isso. No começo, ficamos surpresos com a hostilidade que a coisa recebeu. Mas, sempre confiamos no nosso taco. Há muitas bandas que não podem fazer o mesmo, porque, bem francamente, elas são chatas.”
Apesar de tanta autoconfiança, que sempre acompanhou a música e as empreitadas comerciais do Kiss, Stanley estabelece uma perspectiva mais cândida das bandas que seguem os passos da sua, especialmente quando se fala dos novos modelos digitais que, Segundo ele, “forçam o artista a cederem a um modelo de royalties com o qual eles podem nunca ter concordado caso tivesse tido escolha”.
“Eu odiaria estar em uma banda iniciante agora, porque não há pote de ouro pra se correr atrás”, ele disse. “Nós viemos numa trilha que, essencialmente, não era muito remota de vaudeville. Você começava como quarto no elenco e gradualmente ia subindo. Você se formava nos bares até os teatros e depois arenas. Quando estávamos no papel principal, nós sabíamos muito bem como sermos o principal. Essa é uma oportunidade que a maioria das bandas de hoje jamais terá, e isso é evidente nos shows delas.”
Matéria completa:
http://playadelnacho.wordpress.com/2012/05/05/kiss-por-dentro-da-mente-de-paul-s...
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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