Olam Ein Sof: uma jornada pelo mundo dos infinitos

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Olam Ein Sof: uma jornada pelo mundo dos infinitos


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“Mundo dos Infinitos”. Esse é o significado para Olam Ein Sof, e quer dizer muito sobre a música deles. Passeando por vários estilos em um belo formato acústico, o Olam Ein Sof é capaz de agradar desde os mais ferrenhos headbangers quanto os apreciadores da música erudita. É mais uma das belezas que nosso país ainda não descobriu por completo, mas que, independentemente disso, mantem sua batalha para produzir composições cada vez mais belas, tanto para nosso coração quanto para a alma. Formada pelo casal Fernanda Ferretti (violão e vocais), e Marcelo Miranda (violão, mandolin), com quem tive o prazer de conversar. Embarquem nessa jornada pelo mundo dos infinitos.

Matéria publicada em 17/06/12. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

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Vicente: Inicialmente fale um pouco sobre os mais de 10 anos de trajetória da Olam Ein Sof.

Marcelo: Cada ano que passa o envolvimento com o grupo aumenta. Nos focamos muito em todos os projetos que temos com o Olam Ein Sof, tudo de uma forma tão natural que é parte total de nossa vida. A criação de um álbum, escolha de repertório para shows, pesquisas, vivenciamos tudo de forma intensa e estamos muito contentes com o resultado e evolução que tivemos nesses anos, principalmente a conexão que está cada vez maior, não somente musical, mas também espiritual, e nossa busca por transcender sempre. Também fizemos nesses anos inúmeros shows, cada um com sua história especial, participamos de eventos diversos, tocamos em vários tipos de lugares, tivemos formações diferentes e interagimos com outras áreas artísticas.

Vicente: Vocês possuem três discos lançados, além de duas Demos. Fale um pouco sobre cada um deles e se ficaram completamente satisfeitos com o resultado final.

Marcelo: Em 2002 lançamos a primeira demo Olam Ein Sof com 4 músicas para mostrar nosso trabalho. Depois em 2004 lançamos o primeiro disco, o “Immram”, com a maioria das músicas instrumentais, focadas no trabalho dos violões, tivemos participação de violino, flauta doce, teclado e em algumas músicas vocalizes e narrações. Nosso disco de 2005, o “Celtic Mythology”, foi uma parceria com uma cantora, então as músicas já foram mais canções e além dos violões tivemos também flauta doce e percussão, esse disco como o próprio nome diz foi baseado na mitologia celta, cada música é sobre uma deidade. Em 2006 lançamos a Demo “Dark Moon”, para divulgar algumas novas músicas da época e junto incluímos a primeira Demo. Em 2010 quando ainda tínhamos o baixista na banda lançamos o “Ethereal Dimensions”, nesse disco foi pensado, além dos violões, nas linhas de baixo, e introduzi o mandolin em algumas músicas. Nesse trabalho já exploramos outros temas, de maior conexão com o Universo. O que é comum em todos trabalhos do Olam Ein Sof é que as músicas todas surgem primeiro e quando estão prontas pensamos na temática. Sempre ficamos satisfeitos com o resultado final dos nossos trabalhos, pois se pensarmos que podia ser melhor nunca terminaríamos.

Vicente: Para quem não sabe, vocês são casados. Como é essa convivência, ajuda na hora de compor e viajar para os shows?

Marcelo: É uma convivência muito boa e igual à de todo casal que se dá bem e está conectado. E poder ainda estar junto no que mais gostamos de fazer se torna quase perfeito. Na hora de compor na verdade não muda muito, pois eu componho todas as músicas e faço os arranjos. Lógico que sempre vou mostrando e a Fernanda vai vendo o processo, às vezes dando alguma sugestão. Já a parte lírica quando tem, de uns anos pra cá ela começou a escrever. Com certeza na hora de viajar tudo é tranquilo também como uma viagem que faríamos mesmo sem ter show.

Vicente: Vocês fazem uma música de difícil rotulação, como um duo de violão e voz. O lado predominante é o Folk, e quando se fala em um casal neste gênero, o primeiro nome que vem à mente é o Blackmore’s Night. Apesar do som do Olam Ein Sof ser essencialmente acústico, acredita em existir alguma semelhança com a banda citada?

Marcelo: O principal instrumento que usamos realmente sempre foi o violão, depois os vocais. Há um tempo venho explorando e inserindo outros instrumentos e eventualmente temos músicos nos acompanhando com cello, clarinete, violino, percussão.... Concordo contigo a rotulação é difícil, e também não procuramos um rótulo, mas o Folk acaba sendo o predominante. No começo muitos perguntavam se tínhamos influências de Blackmore´s Night, Richie Blackmore é um excelente músico e grande influência para todos, mas com relação ao trabalho da banda, gosto de poucas coisas e não acompanho. Em um primeiro momento pelas influências da música antiga pode ter uma semelhança, mas eu não sinto, acho bem diferente o som das bandas, mesmo o nosso sendo essencialmente acústico.

Vicente: Qual o público predominante em suas apresentações?

Marcelo: Como tocamos em eventos diferenciados temos diversos tipos de público. Já tocamos para público metal, de bruxas, em teatros com todo tipo de gente, concertos didáticos em escola, festas místicas e diversos eventos temáticos, parques e praças públicas, casamentos celtas, saraus, espaços veganos, enfim em cada um tinha um tipo de público e sempre tivemos boa aceitação com todos.

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Vicente: Vocês tiveram uma experiência internacional nem tão comum. Fizeram 7 shows na Colômbia, um país nem sempre tão lembrado no cenário musical. Como surgiu essa oportunidade? Como foram os shows por lá?

Marcelo: Como você citou não é um país muito lembrado, porém lá tivemos um dos melhores shows de nossa carreira, e oportunidades que dificilmente conseguimos por aqui até hoje como entrevista em programas de TV. Em 2008 conhecemos uma banda colombiana, o La Montana Gris, eles vieram fazer a 3º Tour pelo Brasil e fizemos os shows deles em SP, hospedando-os na nossa casa. Viramos grandes irmãos, principalmente do Pablo Villegas, líder da banda. Então, depois em 2010 ele fez a nossa pequena turnê por lá na região da Antioquia. Os shows foram todos muito bons, tocamos em 4 cidades diferentes, 3 shows em Medellín, um no Confama um tipo de SESC de lá, em um teatro grande, com ótima estrutura e dois no Teatro Matacandelas, um lugar fantástico, é mantido por um grupo de atores de teatro. Em Rionegro tocamos em um praça no dia do aniversário do país, foi o Primeiro Festival de Musicas ancestrales, com o Olam Ein Sof, La Montana Gris e Nybram (outra excelente banda de lá). Em Carmen de Viboral tocamos no fechamento do festival de Teatro, também em uma praça pública, e acho que toda cidade estava lá, uma cidade pequena, mas muito bonita no meio das montanhas. Em La Ceja tocamos na escola municipal de música junto com uma outra grande banda Concilio de Trento, foi um show totalmente acústico e somente com luz de velas. E o último show foi em Girardota em um Pub. Fomos muito respeitados e tivemos boa estrutura em todos. Além de que conhecemos excelentes músicos que compartilharam um pouco da música deles conosco. Com certeza em um ou dois anos voltaremos para lá.

Vicente: Como avalia o cenário para as bandas nacionais nesse momento? Há mais espaço para divulgação e realização de shows, ou não houve nenhuma mudança substancial nesse sentido?

Marcelo: Desde que montei a primeira banda há mais de 20 anos muita coisa mudou. Com certeza hoje as oportunidades para divulgação são maiores, pois a internet agilizou muito com youtube e todas redes sociais. Já quanto a espaço para realização de shows não sinto que aumentou muito, até tem, mas não para todos. Sentimos que existem muitos nichos hoje, e que as oportunidades ficam fechadas naquele circulo, e se você é de fora não tem muita chance. E para uma cidade como São Paulo, acho que todos apostam nas mesmas coisas, mesmos tipos de bandas, muita oportunidade para banda cover e pouco espaço para som próprio. Isso não mudou muito nessas décadas. Não tenho nada contra banda cover, mas também nada a favor.

Vicente: Quais são as suas principais influências?

Marcelo: Tudo que venho vivendo nesses anos e tendo de experiência me influenciam de alguma forma. Na música não tenho uma banda como principal influencia, pois ouço muita coisa que me agrada e em diferentes estilos e gêneros músicas. Para o inicio do Olam Ein Sof foi o Metal, a música erudita antiga e contemporânea e meu grande mestre na música o músico Beto Vasconcelos. Nos dias de hoje além desses ouço muita música étnica, bandas folk e neofolk, alguns progressivos, música celta, entre outros.

Vicente: Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da Olam Ein Sof e para aqueles que gostariam de conhecer melhor e apostam na música feita no Brasil.

Marcelo: Primeiramente agradeço a você pelo espaço e pelo apoio ao Olam Ein Sof e nossa cena musical. Aqueles que já curtem o Olam Ein Sof, aproveito para comunicar que o novo álbum já está sendo produzido, e uma nova música já está no youtube no nosso canal, se chama Glaskar. Aos que querem conhecer melhor visite nosso site www.olameinsof.com, e lá estão os links para youtube, facebook, twitter, myspace, reverbnation... E convidamos todos para viajar através do nosso mundo dos infinitos.

Discografia:
Olam Ein Sof – Demo – 2002
Immram – Álbum – 2004
Celtic Mythology – Álbum – 2005
Dark Moon – Demo – 2006
Ethereal Dimensions – Álbum – 2010

Contato:
http://www.olameinsof.com/

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Sobre Vicente Reckziegel

Servidor público, escritor, mas principalmente um apaixonado pelo Rock e Metal há pelo menos duas décadas. Mantêm o Blog Witheverytearadream desde Dezembro de 2007. Natural e ainda morador de uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul, chamada Estrela. Há muitos anos atrás tentou ser músico, mas notou que faltava algo simples: habilidade para tocar qualquer instrumento. Acredita na música feita no Brasil, e gosta de todos os gêneros, desde Rock clássico até Black Metal.

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