Fortaleza: reclamações pelo não pagamento de festivais

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Fortaleza: reclamações pelo não pagamento de festivais


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Matéria publicada em 02/09/12. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

Quando falamos de festivais de heavy metal, gostaríamos de falar apenas de coisas boas. Não gostaríamos de falar de atos de violência, cancelamento de shows, desrespeito aos fãs e músicos. Felizmente em relação ao primeiro item, já está mais que provado que o público que comparece a este tipo de evento, pelo menos na atualidade, levanta (mesmo que diga o contrário em algumas letras) a bandeira da paz e do amor (vide a forma pacífica como todos esperamos - eu inclusive - a definição dos fatos na tarde e noite de 21 de abril no Parque da Independência, em São Luís). Isso não quer dizer que aceitamos tudo estoicamente, muito pelo contrário, mas, hoje agimos mais com nossas cabeças e corações do que com nossos punhos. Ainda ilustrando o companheirismo e camaradagem que existe entre o pessoal que veste preto, lembro que em pleno wall of death no show do KORZUS (ou teria sido do EXODUS? - a memória não me ajudará tanto assim), um banger caiu no meio da multidão e aqueles que estavam mais próximos o cercaram, protegendo-o até que ele se levantasse e pudesse continuar sem ferimentos. Improvável? Você que acompanha as notícias neste site sabe que não.

Quanto ao segundo item apontado, o FORCAOS, festival realizado em Fortaleza desde 1999 é exemplo de corretude. Com apenas uma exceção, por um justificado problema de saúde em um dos integrantes, todas as bandas se apresentaram, fizeram shows memoráveis, inspirados, seguindo à risca a programação previamente divulgada. O FESTIVAL ROCK ATÉ OS OSSOS e a MOSTRA PETRÚCIO MAIA também foram exemplos de festivais ocorridos em nossa cidade em que o público pode voltar com amizades reforçadas e boas lembranças na bagagem.

Entretanto, o respeito a músicos e fãs ainda precisa de reforço e atitudes urgentes. Os festivais citados acima teriam parte de sua realização custeada pela Prefeitura de Fortaleza, com recursos providos pelas leis de incentivo à cultura. Acreditando nisso, promotores, músicos e demais envolvidos fizeram o seu trabalho, ou seja, realizaram os festivais. Não é por isso que merecem elogios. Apenas, fizeram o que amam fazer, o que sabem fazer, o que tinham que fazer. Também não receberia elogios a entidade municipal se tivesse honrado com seus compromissos em dia. Afinal, arcar com os custos aos quais se comprometeram também seria o que ela (e todos nós) tem que fazer, e fomentar a cultura é o que proclamam saber fazer e amar fazer.

Até a presente data, nenhum dinheiro foi recebido pelos promotores e músicos dos citados festivais, que, ainda, tiveram que pagar fornecedores de seu próprio bolso. Como os festivais foram realizados há vários meses (caso da Mostra Petrúcio Maia que aconteceu há quatro meses), estes estão arcando com os ônus e custos financeiros, rombos no cartão de crédito e não tem uma previsão concreta de pagamento (cujo valor sequer será corrigido). "Não tenho mais cartão", disse Amaudson Ximenes, guitarrista da OBSKURE e principal organizador do ForCaos, ao jornal Diário do Nordeste.

Ainda segundo o mesmo jornal, A Secretaria de Cultura de Fortaleza (Seculfor) informou, por meio de nota, que o recurso para saldar a dívida com os produtores culturais é da ordem de R$ 200 mil, oriundo do orçamento da pasta, e atualmente se encontra em fase de tramitação no âmbito da Comissão Financeira da Prefeitura Municipal de Fortaleza. Especificamente com relação ao ForCaos, deste ano, o recurso para sua realização vem do Programa Rede Musicativa, que fica a cargo da Coordenação de Políticas Públicas para a Juventude. Segundo a assessoria de comunicação da Coordenação. O recurso também está tramitando no âmbito da Comissão Financeira da Prefeitura Municipal de Fortaleza. A Secultfor reconhece "que a legislação eleitoral e a Lei de Responsabilidade Fiscal trazem entraves burocráticos a mais na já intrincada máquina administrativa pública, desacelerando os trâmites dos processos necessários para repasse de recursos".

O mais novo episódio de desrespeito (agora também desrespeito à liberdade de expressão) nesta saga foi o bloqueio de alguns perfis de produtores e músicos na rede social facebook. Cartazes que tinham sido divulgados na rede com dizeres como "ForCaos, eu toquei, mas não recebi da Prefeitura de Fortaleza" foram apagados da rede. Recuperamos alguns e você pode vê-los abaixo. A suspeita é que estes tenham recebido um número significativo de cliques na função "Denunciar Spam" e, por isso, tenham sido removidos pela equipe que trabalha na rede social para avaliação.

https://fbcdn-sphotos-a-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash4/38693...
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=483691494982044&set=...
https://fbcdn-sphotos-f-a.akamaihd.net/hphotos-ak-snc7/30470...
https://fbcdn-sphotos-f-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash3/c0.77...
https://fbcdn-sphotos-e-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash4/c0.77...
https://fbcdn-sphotos-g-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash4/31934...

Em nota, publicada na íntegra (o que reforça a isenção deste espaço) a Prefeitura de Fortaleza disse:

"A Prefeitura de Fortaleza informa que sua página no Facebook foi criada para ser um espaço informativo, democrático e participativo e que não realizou nenhuma ação para que perfis fossem bloqueados.

Outros perfis que não estão ligados àqueles que informaram o acontecido também tiveram o mesmo problema com suas contas. Acreditamos ter sido uma falha técnica do Facebook, serviço gratuito sobre o qual não temos ingerência".

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=406667269388019&set=...

Sobre o caso, Germano Monteiro, frontman do OBSKURE também emitiu uma nota:

"Respeito demais o contraditório e a ampla defesa realizada pela nossa prefeitura, porém, é muita coincidência que justamente o conteúdo que foi compartilhado tenha sido apagado de todos os perfis bloqueados.

Fica aqui o meu respeito aos funcionários públicos que fazem o seu trabalho com corretude dentro da PMF, contudo a minha repugnância e indignação pelo desrespeito no trato com os artistas e produtores locais, que ficam sempre a mercê de explicações vazias e prazos de pagamento fantasiosos.

Certamente sabíamos que tal atitude não partiria de pessoas responsáveis e sérias da nossa administração, porém, tem muito militante político e 'líderes - balançadores de bandeira' que ainda estão achando 'velhas formas' para resolver 'novas questões'".

https://www.facebook.com/germano.monteiro/posts/396049393789...

Mais sobre este assunto pode ser encontrado na Rock Brigade e na página do Movimento Underground Carioca

http://movimentoundergroundcarioca.blogspot.com.br/2012/08/a...

http://www.rockbrigade.com.br/index.php?option=com_content&v...

Aguardamos o desenrolar dos acontecimentos e manteremos os leitores informados. Esperamos que este contratempo seja resolvido com brevidade e que os três pilares citados no início desta matéria, Não Violência, Cumprimento da Programação e Respeito a Músicos e Fãs (por parte de todos) se torne uma constante em todos os eventos de rock e metal em nosso país.

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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