Esta matéria foi publicada em 31/12/12. Procura matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

[...] Legendary Rock Interviews: Você já se sentiu limitado pelo gênero hard rock/metal quando escreve, mesmo lá atrás?
John Corabi: Não. Eu não penso nisso até depois do fato, e no final das contas eu posso te dizer com toda a honestidade que quando compus o álbum ‘Let It Scream’, nós só escrevemos o que nos empolgava muito. Nós pensamos que lançaríamos o disco e as pessoas ou gostariam dele ou não. Foi a mesma coisa com o MÖTLEY. O MÖTLEY nunca sentou e disse, ‘Bem, a cena musical está mudando. Precisamos fazer esse disco mais sombrio ou pesado musicalmente ou nas letras. ’ Era somente quatro caras sentados em uma sala como um bando de moleques de 16 anos em uma garagem e tocando em cima de uns riffs. A coisa ia assim. Tommy Lee costumava dizer, ‘Se não faz seu pau subir, nem coloca no disco’. Era só o que fazíamos. Não me incomoda quando alguém não tem a mínima ideia do que eu já fiz e diz, ‘Hey, cara, eu realmente gosto da sua música, eu nunca ouvi falar de você’. Isso não me incomoda nem um pouco. O que eu posso te dizer é que o que me incomoda mais do que qualquer outra coisa pé quando você faz um disco, e isso já aconteceu comigo, a propósito, você faz um disco e você está em turnê, e as pessoas vem até você e mandam, ‘cara, você é um dos meus cantores prediletos. O que você tem feito desde que saiu do Mötley?’ OK, isso me aborrece. Eu preferiria que alguém viesse e dissesse, ‘Hey, cara, eu comprei seu disco e eu odiei’, melhor do que nem saberem que eu lance um disco.
LRI: Ou cinco!
John Corabi: Sim! É isso que me deixa louco e há uma razão pra isso, se você não se importar que eu continue um pouco…
LRI: Não, prossiga…
John Corabi: OK, a razão pela qual isso me emputece tanto é que houve uma época quando Bruce Kulick e eu estávamos gravando [o álbum do UNION] ‘Blue Room’ e nós terminamos as trilhas e a mixagem e mandamos tudo pra um de nossos empresários, um cara chamado Larry Mazer. Larry ouviu três ou quatro músicas do disco e disse, ‘Eu amo demais esse disco, é maravilhoso’, baseado naquelas faixas que ele tinha ouvido. Agora o acordo que tínhamos com a Spitfire Records estabelecia que eles lançariam nossos discos e basicamente tocariam o barco até que atingíssemos certo nível de vendas. Se vendêssemos 50 mil discos, daí a Atlantic Records tinha a opção de, no papel de distribuidora da Spitfire, pegar a bola e sair correndo com ela. Larry decide que ele tentaria passar driblar a cifra de 50 mil discos e leva nosso CD, sem encarte nem capa, apenas um CD pra um cara do qual não sou grande fã, mas que não vou citar o nome, na Atlantic. Larry diz pro cara, ‘Hey, escuta só essa banda e me diz o que você acha’. O cara da Atlantic pirou, ‘Wow, eu adorei, isso é bom pra caralho. Quem é??’ E Larry responde, ‘Não, não, eu só queria que você ouvisse e ver se valia a pena trabalhar com essa banda’. Basicamente, ele ficou atiçando o cara pra deixar ele intrigado com essa banda desconhecida e isso rolou por uns dez dias. O cara ficava ligando pro nosso empresário todo dia, pedido, ‘eu preciso pegar essa banda. Eu tenho que saber mais dessa banda. ’ E basicamente, depois de um tempo, Larry abriu o jogo e disse, ‘é o UNION. É Bruce Kulick do KISS e JOHN CORABI do MÖTLEY CRÜE’. Agora, depois de dez dias de joguinho com Larry e tudo mais, o cara da Atlantic fica sabendo que somos nós e a opinião dele dá uma guinada completa e a resposta dele pra Larry foi, ‘Bem, isso é uma merda. Eu realmente gosto dessa banda, mas eu nunca vou contratar uma banda que tem membros mais velhos do que eu.’ Essa história é da época do lance que estávamos falando, de gente me perguntar o que fiz depois do Mötley Crüe, porque prova o que afirmo. É quase impossível pra caras como eu, ou Bruce ou Tracii Guns ou pro WARRANT ou qualquer um de uma longa lista de bandas conseguirem um contrato com uma grande gravadora ou uma grande corporação como uma grande rede de rádios ou a grande mídia prestar atenção no nosso lance e fazer com que as pessoas pelo menos saibam que estamos lançando discos. Então só o que você tem que fazer é rezar pra que os astros se alinhem corretamente, dar um monte de entrevistas para sites e rádios da internet, você promove de todo jeito que der, e só espera que o mundo inteiro esteja assistindo ou ouvindo àquela entrevista naquele dia. Pode ser frustrante, porque no fim do dia, eu sou apenas um artista do entretenimento, eu canto minhas músicas e toco minha guitarra e bebo minha tequila e sou apenas o bobo da corte tentando fazer com que as pessoas se divirtam. Eu não sabia que havia uma idade limite pra isso. Os artistas com os quais eu cresci – Paul McCartney, The Who, e muitas outras bandas – também não receberam aquela circular pra se aposentarem. [...]
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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