Esta matéria foi publicada em 25/01/13. Procura matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?
Por LUCY JONES para a NME.
Por mais triste que seja a bancarrota da [gigante rede de lojas de discos] HMV, ela era inevitável. A loja falhou completamente na tarefa de manter-se alinhada com o tempo. Vamos esperar que a trajetória da Hilco leve a uma empresa menor e revigorada [e com carpetes mais limpos]. Mas o que os amantes da música sequer desejam de uma loja de discos em 2013? Nós podemos lembrar chorosamente da época em que trabalhávamos na Our Price e passávamos horas escavando as prateleiras de CDs na Tower Records, mas vamos ser honestos, o modelo de monólito corporativo já azedou faz tempo. Sem personalidade, vendedores especialistas que vão sugerir algo que você nunca ouviu antes, ou simplesmente um ambiente atraente para se passar o tempo, as lojas vão perder clientes para a Amazon.

Nessa altura, você pode estar pensando “os formatos físicos já estão mortos, de qualquer jeito”. Não é verdade. Tal como a Eamonn Ford aponta, as vendas do iTunes em 2011 representaram 17.9 por cento e as da HMV 19.1. Ainda há mais sede por formatos físicos do que por digitais. Precisa demais evidências de que as lojas de discos não estão morrendo? Soubemos hoje que a [tradicional loja independente Londrina] ROUGH TRADE poderia abrir novas filiais pelo Reino Unido, uma semana depois de Stephen Godfroy, co-proprietário da Rough Trade, ter dito ao jornal britânico THE GUARDIAN que as vendas no último trimestre haviam subido 8 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa está abrindo sua prmeira loja nos EUA, em Williamsburg.
O que a Rough Trade e outras lojas independentes de sucesso do RU estão fazendo de certo? Pra mim, trata-se da personalidade de uma loja. Combine vendedores que amam música com excelentes apresentações dentro da loja, uma presença ativa nas mídias sociais, uma área pra se comer bolo e ler uma revista, livros, e você faz do ato de comprar um evento. Spencer Hickman, gerente da Rough Trade East por seis anos e co-coordenador do Record Store Day, me deu algumas perspectivas do futuro das lojas de discos.

É verdade que a Rough Trade pode abrir mais lojas no Reino Unido?
Spencer Hickman: Eu diria que eles estão com certeza procurando outras lojas. É inevitável. Eles tem que. Eles provaram que aquele modelo funcionará. Quando abrimos a Rough Trade East as pessoas disseram que estávamos loucos. Agora é com certeza uma das lojas de discos mais famosas.
Por que a Rough Trade goza de tamanha saúde?
Veja o que eles fazem: shows ao vivo, oficinas, saraus de livros – tivemos Harry Hill recentemente, e Esben And The Witch na noite passada. Há tanto pra se ver na Rough Trade. É um lugar empolgante.

Qual o futuro das lojas de discos?
Os clientes querem essa experiência. Eu quero ir pra algum lugar onde eu possa comprar discos de alta qualidade em um ambiente estimulante, não um lugar porco e cinzento com má iluminação. A HMV tem que se espelhar no modelo da Rough Trade East.
Você notou alguma mudança nos hábitos do consumidor nos últimos anos?
Com certeza uma mudança para o vinil. As pessoas normais e os fãs apaixonados estão voltando pro vinil. Quando o disco do Django Django foi lançado, nós vendemos 500 em um dia. As gravadoras que prensam vinil estão realmente fazendo um esforço para proporcionar produtos decentes, de boa qualidade. Há uma fome por vinil que não vai passar.
Os clientes da HMV vão passar pra Rough Trade?
A HMV não vai sair do centro da cidade. Eles voltarão com menor capacidade. Se de fato saíssem, seria muito danoso para a música, porque as pessoas não seriam tão expostas a ela. Os jovens e Peterborough ou lugares sem lojas independentes vão dizer ‘pra onde caralhos vamos agora?’
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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