
Dois dos maiores nomes da histórica cena rocker angelena dos anos 80, NIKKI SIXX [MÖTLEY CRÜE] e DUFF MCKAGAN [GUNS N’ ROSES] encontraram-se em Londres no fim de 2012 para a cerimônia de premiação de melhores do ano organizada pela revista britânica Classic Rock.
À ocasião, o lendário fotógrafo bretão ROSS HALFIN bateu algumas chapas para ilustrar a entrevista dos dois músicos cedida ao jornalista PAUL ELLIOTT, conversa da qual retiramos alguns trechos para traduzir. O texto na íntegra pode ser conferido na edição de janeiro da revista.
Quando vocês ficaram amigos?
Duff: Pela minha memória – que eu nunca digo que é perfeita – foi por volta de 1986, quando o GUNS N’ ROSES estava gravando ‘Appetite For Destruction’. Slash e eu fomos até a casa de Nikki. Ele gostou de nossa banda o suficiente para convidar dois vagabundos pra casa dele.
Nikki: Naquela época eu era bem arisco com muitas das bandas de Los Angeles. Essas bandas não sacavam a real – elas não entendiam os Pistols e o T. Rex e o Sabbath. E naquela época, isso me ofendia. Então o Guns foi a primeira banda depois da gente que realmente sabia qual era. Já de cara, eu gostei desses sujeitos.
Duff: No meu modo de ver, Nikki era o cara mais cool da cidade. Lá quando eu era da comunidade punk rock de Seattle, aquele primeiro disco do Mötley [Too Fast For Love] era a coisa mais próxima ao The Damned ou ao The Sweet. E de algum modo, acabamos na sua casa, tomando umas.
Nikki: E só falamos de música. Era esse o lance.
E um ano depois, o GN’R abriu pro Mötley na turnê de Girls, Girls, Girls.
Nikki: Assistir ao Guns criar um laço com nosso público, aquilo foi legal demais.
Duff: A gente pensava, ‘essas pessoas estão aqui pra ver o Mötley, mas se a gente entrar no meio por um segundo, podem notar a gente’.
Bem, e isso aconteceu.
Nikki: E aquilo foi fabuloso de se ver. Não importa o quão disfuncional o Guns N’ Roses fosse, não havia nada que pudesse parar aquela banda. É como se diz naquele livro, ‘O Ponto da Virada’, do Malcolm Gladwell – algo começará a acontecer, e quando chega naquele ponto da virada, não há absolutamente nada que você possa fazer para impedir.
Duff: Eu estava do lado de dentro, então…
Nikki: Você provavelmente não viu isso. Eu não acho que jamais tenha havido um ponto da virada com o Mötley Crüe…
Duff: Mas eu vi isso com o Mötley! Logo de cara, com aquele primeiro disco, era inabalável.
Nikki: Bem, é isso – quando você está do lado de dentro, você não consegue ver!

[...]
Mas vocês se divertiram muito no passado compartilhando drogas…
Nikki: Ah, sim pra caralho!
O quão louca foi a baixaria na turnê do Mötley com o Guns em 1987?
Nikki: Foi bem louca. Para comemorar a última noite da turnê na Flórida, achamos que seria inteligente pegar umas dezenas de gramas de cocaína. Eu acho que estávamos tentando fumá-la. Estávamos ensandecidos.
Duff: Mas também éramos bem jovens. Nossos órgãos eram resistentes. Em nossas mentes, éramos à prova de balas.
Mas no fim, claro, o pâncreas de Duff explodiu, e Nikki quase morreu também…
Nikki: Eu tive uma overdose e fui parar no hospital, e quando voltei pra casa, eu usei de novo. E até aquele dia, você não tinha como me dizer que usando drogas no ritmo que eu as usava fosse qualquer outra coisa que não uma maravilha. Mas eu acordei naquele dia e disse: “não curto mais isso”. O susto foi parte disso, mas eventos para a sobriedade acontecem miraculosamente, do nada. Quem sabe por que eles ocorrem?”E agora, quando eu olho pros meus filhos, eu penso: “Se eu não tivesse me limpado, eles nunca teriam nascido”, mas não vou dar sermão sobre isso”.
Vocês devem rir quando se lembram das antigas.
Nikki: Ah, sim. Duff contava as piadas mais compridas. Ele ficava bêbado e com um pouco de cocaína, e eu com muita cocaína na cabeça. E você não é lá um grande entendedor de piadas quando você usa pó. Você range os dentes, falando, ‘conta logo o final!’. Ele terminava a piada e eu não sabia se a piada tinha acabado, porque eu tinha perdido interesse muito tempo antes, de louco que eu estava.
Duff: Eu ainda conto piadas longas.
Nikki: Eu tenho uma piada que provavelmente não deveria contar, porque excursionamos com o Kiss esse ano, mas eu vou contar assim mesmo. Esse ano nós vimos a parceria do Kiss com a Hello Kitty, o papel higiênico do Kiss e a coisa mais ousada que o Kiss já fez – um disco de rock! […]
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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