Moshpits: uma análise séria do ritual headbanger

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Moshpits: uma análise séria do ritual headbanger


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No link logo abaixo há um curioso simulador de moshpits. Preencha o formulário com diferentes valores, clique nos diferentes botões, e veja o resultado. Não entendeu quase nada? Nós também não. Mas na tradução do texto abaixo os cientistas responsáveis pelo projeto tentam explicar a importância desta simulação. :-)

http://mattbierbaum.github.io/moshpits.js/

Bando de pássaros e cardumes de peixes são dois exemplos de movimentos completamente coletivos. Por mais que herdar comportamentos animais seja um hábito bem reconhecido dos humanos, estes exibem seu próprio fenômeno padronizado. Por exemplo, pedestres que andam em faixas na calçada ou arquibancadas de estádios fazendo a Onda ["Ôla" no Brasil]. Em situações mais extremas, como aquelas encontradas durante um terremoto ou incêndio, multidões em pânico podem debandar, atropelando outros e causando sérios ferimentos ou até mortes. Ainda que os cientistas tentem entender como construir prédios (ou estádios, casas de shows, etc) para mitigar estes riscos, não é de forma alguma ético instigar um tumulto para os bens da ciência, então estamos limitados a simular evacuações, seja isto com voluntários ou computadores. O problema é que o humano em pânico age de acordo com regras sociais bem diferentes, adicionando certo elemento de incerteza nesta pesquisa.

Para um melhor direcionamento deste problema, nós usamos as condições sociais extremas encontradas em um show de heavy metal, como uma forma de explorar os comportamentos humanos emergentes em circunstâncias atípicas. Para ter uma ideia do que realmente acontece, veja os vídeos no final desta página. As fotos abaixo também ilustram basicamente esta situação.

Antes (foto de Ulrike Biets)

Depois (foto de Ulrike Biets)

Evidentemente, concertos de Heavy metal são distintamente diferentes do tráfego normal de pedestres...

Neste trabalho nós analisamos vídeos de show de Heavy Metal postados no Youtube.com. Usando técnicas de rastreio automatizadas para quantificar o movimento da plateia, nós examinamos estatisticamente os personagens de uma grande “roda punk” [mosh pit], um fenômeno coletivo aonde os participantes (moshers) se movem aleatoriamente, colidindo-se uns com os outros em uma maneira não direcionada. Mas para nossa surpresa, nós descobrimos que este comportamento coletivo quantitativamente se assemelha a clássicos gases em um ambiente 2d. Para tentar entender estas razões, usamos uma simulação de rebanho para investigar o fenômeno. Simulações de Rebanho modelam seres vivos como simples partículas, reduzindo complexas dinâmicas comportamentais a poucas regras básicas. Em nosso caso, nós usamos uma população de moshers simulados, que chamamos de Humanoides móveis simulados ativos [Masher, do original]. Estes Mashers ativos se movem em uma tendência de seguir seus vizinhos (o que é chamado tecnicamente de comportamento de rebanho), enquanto os Mashers passivos preferem permanecer parados. Na representação gráfica, os Ativos são as esferas vermelhas, enquanto os passivos são as cinzas, que costumeiramente acabam sendo levadas para o centro da roda.

Mixando a atividade dos mashers, descobrimos que quando colisões randômicas dominam a tendência do rebanho, as estatísticas da “roda punk” são reproduzidas. Por outro lado, quando a situação é reversa e o rebanho domina a aleatoriedade, descobrimos um comportamento de vortex. Olhando para os vídeos novamente, percebemos que as pessoas reais também apresentam este pensamento de redemoinho. Eles são chamados de “circle pits” e espontaneamente emergem na simulação, tornando-se um interessante exemplo do comportamento coletivo em humanos.

Estes resultados têm importantes implicações para o estudo do comportamento das multidões durante uma evacuação, protestos, pânicos e tumultos, sugerindo que certos movimentos coletivos só estão disponíveis em estados de genuína excitação. Por mais que estes fenômenos comumente ocorram em shows de Heavy Metal, eles apresentam novos caminhos para verdadeiramente e de forma consistente estudar a ética coletiva humana em condições extremas.

E você? Já imaginava que aquela roda absurda em um show poderia ser usada para pesquisa e melhora do comportamento em sociedade?


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Sobre Fernando Portelada

25 anos, Blogger, Podcaster, Gamer, Leitor de Quadrinhos, Ouvinte de Rock, Jornalista, e chato acima de tudo. Ouviu Imaginations From The Other Side do Blind Guardian aos 13 anos, emprestado por um amigo de escola. Ainda é um de seus álbuns preferidos.

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