Em 07/06/2013 | Kiss: imprensa sueca execra show do Sweden Rock Fest

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Kiss: imprensa sueca execra show do Sweden Rock Fest

Postado por Nacho Belgrande | Fonte: Playa Del Nacho

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Matéria publicada em 07/06/13. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

O que segue abaixo são duas resenhas da apresentação do KISS na quinta-feira passada [6 de junho] no SWEDEN ROCK FESTIVAL, redigidas por dois jornais – os maiores e de maior alcance e reputação – distintos da Suécia.

Claro, o KISS nunca foi uma banda muito valorizada pelos críticos, mas mesmo que você seja um ex-fã, as considerações abaixo podem lhe deprimir.

Imagem

A resenha do jornal AFTONBLADET:

“Vocês queriam os melhores.

Vocês queriam a maior banda do mundo.

Mas, infelizmente, vocês vão ver o Kiss.

Meus pêsames.

Sinto muito mesmo, mas o Kiss não tem sido Kiss desde 1982.

Eu realmente não sei como chamar o horrendo espetáculo que vem excursionado com o mesmo nome desde então. Especialmente agora, que Peter Criss e Ace Frehley foram substituídos por, bem, aqueles outros dois.

OK, aconteceu de Eric Singer e Tommy Thayer pegarem emprestadas as maquilagens dos membros originais. Contudo, tente imaginar o Kiss sem Paul Stanley. Como seria?

É como os Beatles sem Paul McCartney, os Rolling Stones sem Mick Jagger, ou Zlatan sem pés.

Mas é exatamente essa a sensação do show no Sweden Rock Fest.

A voz de Paul Stanley está em condição tão precária que ele bem poderia ser substituído por um dublê com uma estrela pintada em um olho.

O grupo que raramente muda seus set lists retirou ‘Heaven’s On Fire’, tocada poucos dias antes no show de Estocolmo. Deve ser porque Stanley não consegue mais cantar a música.

E analisando como estão as cordas vocais dele nessa noite fria – duras e calejadas – foi uma decisão inteligente. Ela iria pro inferno.

Paul Stanley está completamente ciente do problema e parece triste quando ele fica em segundo plano, ofuscado por seus colegas de banda.

Todos eles se sobressaem musicalmente.

Ele rebola sem muito entusiasmo, quebra uma guitarra com um olhar vazio e está forçando demais a barra para que sua voz funcione com seus olhos cerrados.

Mas não funciona. A força se dissipa dele rapidamente e todo o clima desaparece.

O grupo inteiro, na verdade, toca como palhaços. Por vezes parece que há quatro pessoas ali tocando quatro músicas diferentes ao mesmo tempo, tipo como quando os Rolling Stones assassinaram ‘Honky Tonk Woman’ no Ullevi em 2007. A versão de ‘Let Me Go, Rock And Roll’ é horrível.

Mas e quanto ao show em si?

Sim, o que se pode dizer quando os efeitos e a pirotecnia não estão nem sincronizados? E a famosa aranha gigante não se pode gabar de muito tampouco. Em ‘Lick It Up’, ela é rebaixada, para que Paul Stanley e Tommy Thayer subam nela e depois desçam e ela é içada de novo.

Solos sem sentido.

Wow. Repito: wow.

Não é de se espantar que o Kiss tenha que por vezes se esforçar muito para fazer com que o público cante e bata palmas ao ritmo da música. Eric Singer parece surpreso e incomodado pelo silêncio da plateia após seu solo sem sentido.

O morcego cuspidor de fogo e sangue Gene Simmons é o único que dá algum tipo de estabilidade e peso ao show. O resto é de dar pena.

Não é a melhor nem mais quente banda de rock tocando em Blekinge.

Em vários momentos, parece o maior engodo do mundo.”

Link do artigo original:
http://wwwc.aftonbladet.se/nojesbladet/m

Abaixo, a resenha do EXPRESSEN:

“Esse é mesmo um show que queiramos ver, a qualquer preço concebível?

Quando o assunto é Kiss, a resposta é: claro.

Mas quando o show é meia-boca, a lendária banda de rock fica desmascarada e nua.

De acordo com a programação, vinte e seis bandas tocaram no Sweden Rock Festival nessa quinta-feira. Ainda assim, tudo girava em torno de apenas uma banda.

O Kiss é a maior contratação da história do festival e isso era notado em todo canto ontem.

Guardas circulando com o logo do Kiss na barriga, muitos visitantes maquilados como o demônio de Gene Simmons e acima do palco principal, uma gigantesca aranha de metal pendurada o dia todo. Foi muito divertido ver Rick Springfield tocando debaixo da aranha.

O que é que rola então com o Kiss depois de quarenta anos de membros saindo e discos fracos, reuniões e turnês de despedida feitas de má fé?

A resposta vem depois de aproximadamente dez segundos da primeira música, ‘Psycho Circus’, quando o céu sobre Norje explode em fogos de artifício. Aquilo é o show. Deve ser, porque falando restritamente sobre música, a saúde do Kiss em 2013 não vai lá muito bem.

Eu fecho meus olhos e ouço uma banda de rock estarrecedoramente decrépita tentando tocar ‘Let Me Go, Rock And Roll’ na batida certa. Eric Singer, por vários momentos, parece tocar uma música que os outros membros nunca ouviram antes. A voz de Paul Stanley é um triste capítulo à parte. Em vãs tentativas, o vocalista e guitarrista tenta achar notas que não existem. ‘Heaven’s On Fire’ foi limada do set list, o que nos leva a concluir que ele não consegue alcançar aquelas notas.

Mas e o show? Os fogos, a cuspição de sangue, de fogo, a aranha gigante?

Ah, nem…

A impressão que se tem ao longo da noite é que uma banda aborrecida entra no palco e empurra com a barriga e deixa rolar, já que eles sabem o que queremos, mas a cabeça deles está em outro lugar. Claro, há explosões e fogos, mas tudo tem um ar de que está próximo do fim. E a aranha é majoritariamente um grande, ‘ah, que legal’. De repente, ela sobe ou desce sem motivo algum. Simmons estica a língua pra fora quando a câmera se aproxima dele, e sem ele como pilar, esse show teria sido um fracasso completo.

Ao invés disso, foi uma apresentação bem longa de uma banda que ainda é muito boa em fazer pose para vender um mito do rock, mas não muito mais do que isso.

E eu estava esperando muito mais do que isso. ”

Link para a matéria original:
http://www.expressen.se/noje/musik/kiss

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.

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