Avant-Garde Metal: dez discos para conhecer o gênero

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Avant-Garde Metal: dez discos para conhecer o gênero

Postado por Fabio Melo | Fonte: Groundcast

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Eis aqui uma lista com dez discos de bandas do chamado Avant-Garde metal, que é talvez o gênero mais inovador dos últimos anos. Ele consiste em pegar bandas que fazem um som não convencional para o estilo, o que pode incluir misturar com industrial, com música folclórica, com outros estilos e ainda sim sair um som coeso e imprevisível a cada música. Segue uma lista com dez discos interessantes deste gênero que agora começou a ganhar alguma repercussão dentro da mídia especializada.

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Mr. Bungle – California (1999)

Mike Patton, conhecido como líder e fundador do Faith no More, sempre foi um cara que gostou de inovar. Poucos dos seus projetos não foram inovadores ou ao mesmo pouco usuais, fato que lhe valeu participações nos mais diversos grupos, como o Naked City, do John Zorn. E é no Mr Bungle que temos um estilo diferente, que mistura muitos gêneros musicais. Tanto que a música mais conhecida deste disco, a Ars Moriendi, possui estilos que vão do heavy metal ao ska rock. E é também um disco polêmico, pois seu lançamento estava marcado para o mesmo dia em que foi lançado o “Californication” do Red Hot Chili Peppers, com quem Patton nunca teve boas relações. E é por tudo isto que o disco vale a pena. Inovador, polêmico, diferente e, acima de tudo, ainda não houve nenhuma banda que fizesse o que eles fizeram.

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Carnival In Coal – French Cancan (1999)

Um estilo que certamente possui os fãs mais “xiitas” é o Death Metal. Normalmente eles são avessos a grandes experimentações, o que limita um bocado as bandas, o que tem causado um engessamento no estilo. Em 1999 os franceses do Carnival in Coal lançaram seu segundo disco, somente de covers. Estes covers cobrem artistas como Ozzy Ousborne, Morbid Angel e até mesmo Michael Sembello (autor da música Maniac, que aparece no filme Flashdance). E o que torna o grupo diferente dos outros de Death Metal? Vamos começar pensando que, sim, eles fazem Death Metal bem ao estilo europeu (ou seja, com um som mais limpo). Só que eles mesclam outros estilos, dentro do rock e do metal, além de efeitos eletrônicos (como aqueles que aparecem em videogames), entre diversos outros estilos. Isto tudo sem apelas para o progressivo, o que já demonstra uma ideia de fazer death metal de uma maneira diferente. Basta ouvir o cover de Piranha, do Exodus, onde eles incluem até ritmo de lambada no meio da música.

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Kayo Dot – Choirs Of The Eye (2003)

Kayo Dot é sinônimo de experimentalismo e vanguarda e o seu disco de estreia não seia diferente. O que torna bem difícil de falar sobre ele. A primeira coisa que chama a atenção é o fato deles soarem como diversos estilos e muitas vezes deixar a dúvida se pertencem ou não ao metal. A primeira faixa do Choirs of the Eye tem partes sonoras que remetem a uma cacofonia que é abalada depois por uma parte quase death metal, com alguma coisa de doom metal e um teclado cujas notas aumentam ainda mais a sensação de confusão. O que talvez dificulte uma audição deles é o fato das músicas possuírem um grau de complexidade muito grande dentro do avant-garde, colocando-os como uma banda mais voltada para quem realmente gosta de algo experimental e diferente. Ainda sim vale uma ouvida, até mesmo para tirar suas conclusões sobre esta face do metal experimental.

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Angizia – Das Schachbrett Des Trommelbuben Zacharias (1999)

A Europa nos surpreende sempre com grupos cuja sonoridade é diferente. Outras bandas apresentadas aqui são, na maioria, europeias. E os austríacos do Angizia fazem um tipo de música que prescinde qualquer rotulação. É metal, é dark cabaret, é música folk (no sentido de folk rock mesmo), além de música clássica e outras coisas, misturadas de forma caótica. Todos os discos tem nomes compridos e este não seria excessão. Das Schachbrett des Trommelbuben Zacharias (alguma coisa como O tabuleiro de xadrez do baterista Zacharias) é recheado de todas estas influências, com partes que sequer lembram o metal. Existe inclusive uma oscilação entre os estilos que o Angizia costuma tocar, criando uma música que vai “inspirar” gente como o Diablo Swing Orchestra. Músicas como Das Bauernendspiel e a Ich Bin Ein Bewohner Des S/W-Diagramms mostram a versatilidade deste incrível grupo.

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Samsas Traum – Endstation.Eden (2004)

Sim, é uma compilação deste grupo, liderado por Alexander Kaschte, que faz uma mescla entre o metal, o darkwave e outros estilos. Por exemplo, a faixa Endstation Eden possui uma gama musical que remete desde o gothic metal ao darkwave, sem contar músicas como Hier Kommt Alex (cover da banda punk Die Toten Hosen). Conta também com músicas do Weena Morloch, que é o trabalho de metal industrial de Alexander (presente apenas numa edição especial do disco). Atualmente os trabalhos do grupo estão para um lado mais hardrock, mas nunca saberemos ao certo qual o estilo do Samsas Traum, o que confere uma identidade mutável e inconstante a cada novo disco.

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Igorrr – Moisissure(2008)

Normalmente um estilo como o grindcore é bastante repetitivo, com suas músicas sempre curtas e quase sempre com aquela pegada punk / hardcore, certo? Não para Gautier Serre, conhecido pelo apelido de Igorrr. Ele também é guitarrista da banda de death metal experimental Whourkr. O que o disco Moisissure traz de bom, afinal de contas? Escutando a Brutal Swing, uma das músicas mais representativas do álbum, notamos que ele é muito diferente de qualquer coisa do meio metal. Ele mescla IDM, grindcore, breakcore e música clássica. O que mais chama a atenção é a harmonia destes elementos, que não soam como uma colcha de retalhos bizarra e desconexa, como muitas bandas de metal acabam fazendo.

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Godflesh – Slavestate (1991)

O que falar da banda que influenciou grandes grupos como Faith No More, Korn, Nine Inch Nails, Fear Factory e, indiretamente, muitas bandas de metalcore? O grupo começa quando Justin K. Broadrick e G.C. Green se unem para formar a banda Fall of the Because, que mais tarde se tornaria o Godflesh. Justin é conhecido como um dos fundadores do Napalm Death (onde gravou apenas um lado do disco Scum) e como participante do Techno Animal (um grupo de industrial hip hop). O Godflesh é o que se pode falar de um metal industrial com influências genuinamente industriais. É nítida a marca de industrial, que vai se evidenciando a cada disco e é no Slavestate que se consegue uma peça que une o metal com a parte eletrônica e percussiva do industrial, que também remete ao Power Electronics. Músicas como Slavestate, Perfect Skin, por exemplo, mostram uma mescla de música eletrônica, metal e industrial.

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Blut Aus Nord – The Work Which Transforms God (2003)

Vindo da Baixa Normandia, o Blut aus Nord nunca foi uma banda comum de black metal. O projeto mostra claras influências do Godflesh na sua música e é no The Work Which Transforms God que a experimentação adquire novos ares. O disco tem uma mescla perfeita de Dark Ambient, Illbient, Black Metal, Noise e Experimental, fazendo com que suas músicas não soem previsíveis e que ainda sejam escutadas como músicas de black metal. The Choir Of The Dead, The Supreme Abstract e a fabulosa Procession of the Dead Clowns são os grandes destaques, que juntam elementos que, aparentemente, não poderiam ser combinados e, mesmo assim, formam um conjunto coeso e forte.

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Aarni – Tohcoth (2008)

Este trabalho finlandês, idealizado pelo misterioso Master Warjomaa, consiste em músicas cujo tema principal é o Cthulhu Mythos. A sonoridade do Aarni passa pelo Doom Metal e inclui uma série indescritível de estilos, alguns até mesmo difíceis de saber ao certo (como uma forte influência do psych folk e da música militar). É impossível não se impressionar com o som decadente e mórbido do Aarni, que se torna, depois de um tempo, muito difícil de classificar, tal o grau de experimentos sonoros. Destaques para as músicas All Along The Watchtowers, The Sound of One I Opening e Iku-Turso, que trarão experiências bem únicas com relação à música.

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Polkadot Cadaver – Purgatory Dance Party (2007)

Para finalizar esta lista, nada melhor que uma banda que mescla um monte de sonoridades numa mesma música e que não seja cópia do Mr Bungle. Sim, esta banda existe e se chamada Polkadot Cadaver. A banda americana se formou a partir de outro grupo, o Dog Fashion Disco (que também era experimental). O propósito era fazer uma música parecida com a do Dog Fashion Disco e se concentrar mais na parte visual e das apresentações do grupo. O grande destaque deste disco é, sem dúvidas, a música A Wolf In Jesus Skin, mas também se destacam as músicas Deathwish e Sole Survivor. É difícil de dizer exatamente quais seriam as melhores, uma vez que são músicas muito diversas, com influencias que vão do metal ao soul. Por isto vale a pena conferir.

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