Quando criança meus pais sempre fizeram uma certa “separação musical” em minha casa. Minha mãe achava que eu deveria ouvir música clássica e dizia que aumentaria minha inteligência e capacidade de concentração – sim, eu era hiperativo! Ela e meu pai, por outro lado, achavam que criança devia ouvir música de criança: Balão Mágico, Trem da Alegria, Xuxa Saltimbancos, etc. Acho inclusive que foi por isso que comecei a ouvir metal melódico - é impressionante como eu conseguia identificar melodias da minha infância nesse tipo de música, quando a banda era “leve demais” eu dizia que era Xuxa com pedal duplo(rs)!
Meu pai por sua vez era rockeiro! Ele já foi músico profissional, tocou em uma banda chamada “The Clevers” nos anos 60/70 e passava os fins de semana ouvindo Beatles, Stones, tocando no piano, violão, então posso dizer que o Rock Clássico me traz muita nostalgia dos meus dias de criança.
Um dia algo aconteceu. Passava na TV a série “Armação Ilimitada” cuja entrada era música “Say what you Will” do Fastway e, como criança hiperativa, subi na cama e comecei a pular fazendo um air guitar, curtindo muito o som! Isso fez meu pai ter uma certeza... Eu era um fã de Rock n Roll em potencial!
Quando meu pai comprou nosso primeiro CD player, em 92, ele trouxe para casa vários discos, deu alguns de música clássica para minha mãe, alguns mais populares para minha irmã e para mim ele deu: os discos (CDs) que marcaram minha vida:

Meu pai falou: “Esse é o AC/DC, lembro deles do Rock in Rio! Eles têm esses chifrinhos, falam do diabo e tem esse guitarrista que se veste de colegial!”. Quando coloquei a música para tocar foi como se um impulso elétrico tomasse conta do meu corpo! Clássicos como “Hells Bells”, “Dirty Deeds Done Dirt Cheap” e “TNT” me colocaram definitivamente no caminho do Heavy Rock!

Quando meu pai pediu para o cara da loja de discos “o que está pegando entre os jovens hoje em dia” ele indicou esse disco. Devo confessar que eu estranhei um pouco o conteúdo. Be Quick or be Dead me pegou na veia! A primeira música do disco me deixou alucinado e fez com que eu reunisse meus amigos do prédio para filmar um “clipe dublado” usando panelas como bateria... foi aí que começou meu sonho de ter uma banda de Heavy Metal!

Não conheci Metallica através do meu pai, na realidade conheci vendo clipes nas aulas de inglês. Nessa época o Metallica dominava os rádios, programas de clipe, etc, a MTV estava começando nessa época e ainda era muito Rock n Roll! O excesso de peso no começo me assustou um pouco, mas depois eu comecei a gostar, e muito! Queria ouvir coisas cada vez mais pesadas!

Foi o segundo CD do Iron Maiden que comprei, e esse sim me deixou completamente apaixonado pela banda! A partir disso fui comprando um por um os álbuns da banda até completar toda a discografia. Naquela época não podíamos ouvir um CD antes de comprar, o que tornava a experiência muito mais emocionante!

Outra banda “moderna” que agradava meu pai. Achei sensacional quando ouvi músicas como: “Stand”, “Hellraiser” e o cover de “Cat Scratch Fever”. Depois tive a felicidade de comprar outros discos do Motörhead e conhecer os clássicos dessa grande banda!

Um amigo do colégio me apresentou Helloween, ele disse: “Você gosta de Iron Maiden, precisa ouvir isso!” Quando eu ouvi, devo confessar que minha reação foi estranha. A única música que eu gostei originalmente foi “I Want Out” (que é mais tradicional), mas tinha alguma coisa na “How Many Tears” que me deixou com a pulga atrás da orelha... Não entendia bem o que era, mas tinha algo revolucionário naquela música! Com o tempo fui comprando mais álbuns do Helloween e entrei definitivamente no clima metal melódico.

Esse foi outro álbum da primeira leva que meu pai me deu! Quando Tony Iommi disse que criou o Heavy Metal ao compor músicas que dessem medo, ele não estava errado. Para um pré-adolescente de 11 anos, o álbum me assustou bastante. Dentre as músicas arrastadas e sombrias, as que gostei logo de cara e me colocaram no caminho certo foram “TV Crime” e “Time Machine”. Sensacional!

Naquela época eu comecei a assistir o programa Fúria Metal! Esse programa mudou a minha vida, devo grande parte do meu conhecimento em Heavy Metal a apresentadores como Gastão Moreira e Vitão Bonesso (Backstage). Quando assisti esse clipe, obviamente que o achei muito engraçado (como qualquer clipe de metal da mesma época), mas ao mesmo tempo achei a música sensacional! Fui na galeria do rock e comprei o CD... Maravilhoso! Minha paixão por Savatage começou aí, sem dúvida!

Foi irresistível. Quando assisti ao clipe de Painkiller pela primeira vez não consegui não desejar o CD. Fui atrás e fiquei muito feliz em perceber que tinha feito uma excelente compra! Todas as músicas, absolutamente todas, me fizeram ter uma experiência sonora única, num clima apocalíptico e pesado! Até hoje as músicas desse álbum influenciam em minhas composições.

Nesse momento definitivamente minha vida mudou. O Heavy Metal, estilo que para mim era recém-descoberto estava tomando proporções muito maiores! Em cada novo álbum que comprava eu via inúmeras possibilidades de composição, a música levava minha imaginação para qualquer lugar do universo! Quando ouvi Malmsteen pela primeira vez, percebi finalmente que a música clássica da minha mãe, e o rock do meu pai, podiam andar juntos, formando algo realmente revolucionário!
Bom, esses foram os álbuns que realmente mudaram minha vida, depois dessa introdução explosiva ao estilo muita coisa veio e me trouxe influências, todas as bandas que ouvi a partir daí mudaram minha forma de compor e pensar. Hoje em dia estou tentando voltar às origens e a partir disso levar minhas composições para novos lugares nunca antes explorados... me desejem sorte!
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