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Má influência: álbuns clássicos que estragaram a música

Traduzido por Ricardo André Schuh | Fonte: Spike |

Em uma lista montada pelo baluarte jornalístico da boa música Spike.com (Spike TV), o icônico álbum ao vivo duplo de PETER FRAMPTON, “Frampton Comes Alive!” foi nomeado o número 1 dos álbuns clássicos que “acidentalmente estragaram a música”

Abaixo alguns álbuns e os motivos por trás das escolhas:

"Rage Against the Machine" - RAGE AGAINST THE MACHINE

A cena nu metal rap-rock que explodiu no final dos 90 é facilmente uma das piores vertentes de música já vistos. De LIMP BIZKIT a LINKIN PARK, essas bandas de alguma maneira pegaram influências de algumas obras muito sólidas e geraram um máquina a vapor de música cansativa. O primeiro esforço verdadeiro e oficial de rap-rock foi provavelmente o dueto RUN-DMC e AEROSMITH em “Walk This Way” mas, na minha opinião, a banda mais influente que veio a moldar o gênero foi o RAGE AGAINST THE MACHINE.

Do rap gritado de Zack de La Rocha à guitarra cheia de truques enlouquecedores de Tom Morello, o som do Rage pode ser ouvido em praticamente qualquer canção de rap-rock que tocou na MTV no fim dos anos 90 e início dos 2000. Infelizmente para nós, fãs, eles eram apenas um rascunho da fórmula original. Eu realmente amo o auto-intitulado álbum do Rage e acho que é uma obra-prima por ele mesmo, mas é onde bandas como LIMP BIZKIT, PAPA ROACH e, até mesmo ICP, pegaram influência para fazer coisas bem típicas (e ridículas) para a música comercial.

Depois de ver a multidão na reunião do RAGE AGAINST THE MACHINE no Coachella, alguns anos atrás, comecei a entender o quão horrível as coisas realmente ficaram. A maioria dos fãs era de idiotas de fraternidades agressivas que só foram atraídos pela agressividade da música e nada mais. Eles não tinham interesse pela mensagem da música, tudo que importava para eles era gritar “F*** you, I won’t do what you tell me” (“F***-se, não vou fazer o que você me diz”), simplesmente porque eles acharam que soava legal.

"Appetite for Destruction" - GUNS N' ROSES

Indubitavelmente um dos melhores álbuns dos 80, "Appetite for Destruction" chutou os merdinhas metaleiros de cabelo desajeitado para a sarjeta e mostrou ao mundo como uma verdadeira banda de rock deveria ser. Do vocal maravilhoso de Axl ao virtuosismo de Slash na guitarra, o Guns foi, sem dúvidas, uma das bandas mais importantes daquela época.

O único lado negativo disso foram as bandas geradas pelo som, estilo e atitudes do Guns. De alguma maneira, coisas como BUCKCHERRY e HINDER pegaram fortes influências dessa banda e criaram alguns dos pop-rocks mais horrorosos e sem intensidade já ouvidos. Graças ao GNR, o rock-idiota foi oficialmente criado. Até o sucesso dessa gravação transformou Axl de um dos melhores frontmen de todos os tempos em um enorme egomaníaco que perdeu completamente o foco de sua arte. O resto da banda não foi diferente. E vocês já ouviu o VELVET REVOLVER? Nem me fale.

"Never Mind The Bollocks, Here's The Sex Pistols" - SEX PISTOLS

Como um projeto mimado do gerente de banda e designer de moda Malcolm McLaren, os Sex Pistols foram basicamente os Backstreet Boys do punk rock. Não estou dizendo que o "Never Mind The Bollocks" não era punk em sua raiz da perspectiva da banda, mas é como o mais importante elemento que ajudou a comercializar o gênero e o tornou uma marca. Sid Vicious é o principal exemplo disso. A sua contribuição ao punk teve mais a ver com o estilo ‘heroin chic’, jaquetas de couro e escárnio fotográfico do que com o movimento e o seu mérito artístico.

Onde o punk rock começou como uma loja para crianças expressarem sua criatividade e individualidade, a popularização do "Never Mind the Bollocks", terminou, de fato, caracterizando o som e o visual punk, transformando o movimento inteiramente contra o seu propósito original.

"Van Halen" - VAN HALEN

Todos nós sabemos que "Van Halen I" é um dos mais importantes e influentes álbuns de todos os tempos e que sozinho ajudou a introduzir o glam metal/hair metal que marcaram inteiramente os anos 80. Mesmo que o VAN HALEN destrua praticamente qualquer banda desse gênero, a sua inegável influência ajudou a criar um monte de porcarias que só degeneraram o rock.

Um dos maiores fatores a culpá-los nessa situação é a guitarra rápida tocada por Eddie e sua atitude adolescente. Seu estilo de tocar enviou ondas de choque através do mundo do rock ‘n’ roll e fez zilhões de outros guitarristas e bandas acharem que deveriam tentar e fazer igual. Seria maravilhoso se a maioria dessas coisas fosse metade do que é o VAN HALEN, mas sabemos que isso está bem longe da verdade. Hair metal/glam metal foi mais decadência do que conteúdo e quase arruinou a música popular durante o processo. Ah, e se alguém tentar dizer que os BULLETBOYS eram incríveis, minha cabeça pode realmente explodir, ok?!

"Nevermind" – NIRVANA

Como poderia algo grande como o Nevermind não estragar as coisas tanto quanto ajudar? Não poderia. Ele se tornou um monstro que nem mesmo Kurt em pessoa conseguiu controlar.

O sucesso devastador do álbum, sozinho, destruiu o hair metal e introduziu um movimento musical completamente novo conhecido como grunge. Eu poderia ter colocado álbuns de bandas como ALICE IN CHAINS ou PEARL JAM nessa lista por terem ajudado a parir coisas como NICKELBACK e GODSMACK, mas se não fosse pelo NIRVANA arrebentando e invadindo o mainstream, bandas como essas nunca teriam tido tão pesada divulgação, em primeiro lugar. "Nevermind" atingiu um patamar tão elevado que hoje é tão óbvio que tantos artistas populares tenham pegado coisas tão diferentes de Kurt e gravado. PUDDLE OF MUDD e STAIND são ótimos exemplos de bandas que simplesmente jogaram isso na m****. Apenas por estar deprimido não significa que você possa escrever uma boa canção.

"Frampton Comes Alive!" – PETER FRAMPTONN

“Frampton Comes Alive!” literalmente mudou a música da noite pro dia e tornou a industrial musical em um negócio gigantesco. Pense como se ele fosse o “Guerra nas Estrelas” ou “Tubarão” da indústria da música. "Rumours" (1977) do FLEETWOOD MAC fica por pouco no segundo lugar, mas foi o “Frampton Comes Alive!” que oficialmente deu ao mundo da música o gosto do sucesso arrasador.

"I'm In You", a sequência de Frampton do sucesso estrondoso de 1976, é um perfeita demonstração de para onde a música pop estava indo depois desse marco musical. Da pressão da gravadora para lançar um sucesso como "Comes Alive!" à capa com pose de garoto do álbum, o mundo da música havia mudado e nunca mais seria o mesmo.

O fato de "Frampton Comes Alive!" ter se tornado o álbum ao vivo mais vendido de todos os tempos em tão pouco tempo mostrou que muito dinheiro poderia ser feito através da música. Isso fez com que as gravadoras repensassem totalmente seus negócios e afastassem a música das duas raízes artísticas, levando-a a um cara-a-cara com Wall Street. Isso deu início a era dos pop-stars e tornou músicos em produtos e marcas da noite para o dia.

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