Álbuns ao vivo: 10 grandes registros da história do rock

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Álbuns ao vivo: 10 grandes registros da história do rock


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O ano era 1972. O Deep Purple estava no auge de sua carreira, graças principalmente à mudança de estilo que coincidiu com a mudança em sua formação três anos antes, com a entrada de Ian Gillan nos vocais e Roger Glover no baixo. A musicalidade da banda fluiu como nunca, incorporando peso e técnica na medida certa. Em pouco tempo, a banda havia lançado uma obra prima após outra: “In Rock” (1970), “Fireball” (1971) e, principalmente, “Machine Head” (1972). E durante a tour deste último, no Japão, foram registrados, pelo engenheiro de som Martin Birch, quatro shows que serviriam de base para um álbum ao vivo. Da primeira apresentação quase nada se aproveitou, dada a timidez dos músicos com o fato de estarem sendo gravados. Tal timidez desapareceu na segunda noite, e a perfomance elétrica de sempre tomou conta do palco. Nascia “Made In Japan”, que inicialmente seria lançado apenas em terras nipônicas, mas dada a qualidade inegável das gravações, acabou sendo lançado também no resto do mundo para a felicidade geral da nação rockeira. Versões arrasadoras de “Child In Time”, “Highway Star”, “Lazy” e, principalmente, “Smoke On The Water” ajudam a compor este, que na opinião de muitos especialistas, é o álbum ao vivo definitivo na história do rock and roll. A versão mais recente em CD traz a adição de “Speed King”, “Black Night” e a cover de “Lucille”, de Little Richards, servindo para incrementar ainda mais o que já era perfeito.

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Três anos depois, era a vez dos americanos mascarados do Kiss tomarem de assalto o cenário. Com três bons lançamentos de estúdio, mas que pouco chamaram a atenção, os quatro resolvem arriscar junto à sua gravadora, e partem para um tudo ou nada: levam os equipamentos de gravação para Detroit, na arena Cobo Hall, e registram seus concertos, tidos como incendiários, para compor o que viria a ser o duplo ao vivo e legendário “Alive!”, sob a tutela de ninguém menos do que Eddie Kramer, lendário produtor de Jimi Hendrix. Ok, hoje em dia todos sabemos da quantidade de “correções” feitas em estúdio pela banda (os famosos “overdubs”), mas ainda assim é inegável a qualidade e a energia das gravações. Destaque para as empolgantes “Nothin’ To Lose”, “Cold Gin”, a grande “Black Diamond” e a versão de “Rock and Roll All Nite”, que cumpriu a função de a transformar em hino. No lançamento da versão em CD, em que não há nenhum “extra”, há de se destacar que o conteúdo caberia em um único disco, mas para não perder o “charme” (leia-se lucro) de ser um duplo ao vivo, optou-se pela versão com dois discos.

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Chegamos à década de 1980. O heavy metal vinha ganhando cada vez mais destaque, graças principalmente a grandes nomes como Ozzy Osbourne (em sua fase solo), Scorpions, Judas Priest e Iron Maiden. Após os lançamentos do genial “The Number Of The Beast”, que marcou a entrada de Bruce Dickinson nos vocais, e do ótimo “Piece Of Mind”, o Maiden lança o fantástico “Powerslave”, que marcou o auge da banda, e sua maior turnê até hoje, a “World Slavery Tour”, que rendeu até uma passagem pelo Brasil, no primeiro “Rock In Rio”. Era o momento certo para lançar um duplo ao vivo, e “Live After Death”, de 1985, foi registrado em disco e vídeo, numa sequência de várias noites de ingressos esgotados na Long Beach Arena, na Califórnia. A produção, excelente por sinal, ficou a cargo do já citado Martin Birch, que já trabalhava com a banda desde “Killers”, e o resultado foi o melhor álbum ao vivo da história do heavy metal. A versão em CD, a princípio, vinha com 5 faixas a menos que o vinil: “Wrathchild”, “22 Acacia Avenue”, “Children Of The Damned”, “Die With Your Boots On” e a insuperável “Phantom Of The Opera”, gravadas no Hammersmith Odeon, em Londres, ficaram de fora. Algum tempo depois foi lançada uma versão com 3 faixas a mais (“Losfer Words”, “Murders In The Rue Morgue” e “Sanctuary”, originalmente lançadas como lado B de singles), e, posteriormente, a versão idêntica ao vinil.

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Se “Live After Death” foi o melhor da história do metal, em todo o rock, de modo geral, qual seria o melhor de todos os tempos? Conforme dito anteriormente, para muitos, o título fica com “Made In Japan”, do Purple. Mas há pelo menos dois grandes rivais para o posto: “Live at Leeds” (1970), do The Who, e “The Song Remains The Same” (1976), do Led Zeppelin. O primeiro traz o lendário quarteto britânico na turnê do não menos lendário álbum “Tommy”, de 1969, e registrou em apenas um show tudo aquilo que o The Who era capaz, em uma performance, no mínimo, alucinante. Anos mais tarde, já na era do CD, ganhou uma edição estendida, com direito à execução de “Tommy” na íntegra. Outros grandes destaques são as clássicas “A Quick One While He’s Away” (numa versão perfeita), “My Generation”, e a singela “Tattoo”. Conforme dito por Pete Townshend no encarte: “não sei explicar, apenas aconteceu de ser uma performance muito boa”... e põe muito boa nisso! Sem falar que o “lunático” Keith Moon toca tudo redondinho, e John Entwistle quase chega a roubar a cena, com seu baixo absurdamente bem tocado...

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No caso do Zeppelin, “The Song Remains The Same” se tratava, na verdade, da trilha sonora do filme lançado pela banda, com o mesmo nome. E o que temos no vinil são algumas das grandes canções de sua história, ora em versões excelentes (como “Rock and Roll”, o hino “Stairway to Heaven” e “Dazed and Confused”), ora em versões que poderiam ser melhores (como a faixa título, ou mesmo “The Rain Song”). Muitos reclamaram que o álbum não chegou a retratar fielmente o poder de fogo que o Led tinha ao vivo, e, de fato, com o lançamento mais recente do excepcional “How The West Was Won”, isso fica comprovado. Mas foi um marco, virou clássico absoluto (afinal, mesmo com algumas ressalvas, é um excelente trabalho) e recentemente, na versão comemorativa e estendida, ganhou faixas a mais que o enriqueceram e aperfeiçoaram: temas como “Black Dog”, “Since I’ve Been Lovin’ You” e “The Ocean”, mostram-se mais uma vez clássicos incontestáveis, que jamais poderiam ter ficado de fora do original (que fosse lançado um vinil triplo, ora...).

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Nenhum dos trabalhos destas grandes bandas citadas até agora, entretanto, atingiu o feito conseguido por um artista solo, oriundo de uma banda de hard rock da virada dos anos 1960/1970. Oriundo do Humble Pie, o guitarrista e vocalista Peter Frampton lançou em 1976 aquele que viria a ser o álbum ao vivo mais vendido da história do rock: “Frampton Comes Alive”. A grande curiosidade é que ele, a exemplo do Kiss, vinha de uma carreira mediana em termos comerciais, com bons álbuns de estúdio, mas sem maiores repercussões. Bastou lançar este álbum, com a estratégia de marketing adequada – que incluía até mesmo vendas pelo correio nos EUA, algo inédito até então – e Frampton foi catapultado à estratosfera das maiores estrelas do rock do momento. Sobre o disco em si, trata-se de um grande registro, que traz a clássica “Show Me The Way” (com o famoso “talk box” usado por ele) e a balada “Baby, I Love Your Way” – que tocou à exaustão, diga-se de passagem – em versões definitivas, além de uma bela versão de “Jumpin’ Jack Flash”, dos Rolling Stones.

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Também a exemplo do Kiss, podemos citar outro grande álbum que foi alvo de críticas e controvérsias, principalmente com relação ao excesso de “overdubs”: “Live And Dangerous” (1977), dos irlandeses do Thin Lizzy. Comandados pelo baixista, vocalista e poeta Phil Lynnott, o Lizzy vinha de uma sucessão regular de bons discos, culminando com os excelentes “Johnny The Fox” e “Jailbreak”. E é da turnê deste último que foram extraídas as gravações deste grande trabalho, produzido por Tony Visconti, parceiro de longa data de David Bowie. “The Boys Are Back In Town” virou clássico nos EUA, como tema dos combatentes da guerra do Vietnã, que à época retornavam para casa. Isso sem falar em “Jailbreak”, “Emerald”, “Rosalie” (excelente cover de Bob Seger), “Massacre” (mais tarde regravada pelo Iron Maiden)... A tour da banda pela América ia a pleno vapor, até que Lynnott adoeceu e a excursão teve que ser abortada. E o Lizzy, infelizmente, nunca mais teve o mesmo sucesso e reconhecimento de público e crítica...

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Não menos controverso, “Live Killers” (1979), do Queen, foi registrado ao longo da tour européia do álbum “Jazz”, mais notadamente na França. As críticas por parte da mídia especializada desta vez se direcionavam à performance morna da banda em muitas canções, fato contestado pelos fiéis seguidores da banda (dentre os quais, este que vos escreve). Outro ponto foram algumas discussões internas e o perfeccionismo da banda, que acabaram por gerar alguns “overdubs” (sempre eles), probleminhas de mixagem em uma ou outra faixa, e a exclusão de alguns temas até então obrigatórios em todos os shows da banda, como a grande “Somebody To Love”, que só foi ter sua primeira versão ao vivo oficial em disco quando do lançamento do CD “Queen On Fire”, gravado em Milton Keynes em 1982. O álbum foi, contudo, responsável pela versão que todos conhecemos de “Love Of My Life”, que se tornou clássico instantâneo nos shows, especialmente no Brasil. E tem ainda “Bohemian Rhapsody”, “Don’t Stop Me Now”, “Brighton Rock” (incluído aí o solo do grande Brian May), a dobradinha “We Will Rock You”/“We Are The Champions”... Apenas anos mais tarde, após o falecimento de Freddie Mercury, com o lançamento póstumo de “Live At Wembley ‘86”, a banda conseguiu unanimidade entre fãs e crítica...

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E os grandes nomes do rock progressivo, que dominaram o cenário dos anos 1970, com seus shows épicos e apoteóticos? Eles não poderiam ficar de fora da lista, correto? Pois bem, os britânicos do Yes, talvez a banda que mais sintetize tudo aquilo que os fãs de progressivo gostam, está presente na lista, com um vinil triplo (sim, eles ousaram!): “Yessongs”, lançado em 1973, e gravado na tour do grandioso “Close To The Edge”. O disco traz Rick Wakeman em sua melhor forma, mostrando porque é considerado o grande mago dos teclados. O resto da banda, obviamente, não deixa por menos e arrebenta tudo. Os destaques são muitos (afinal, temos um disco triplo em mãos): “Heart Of The Sunrise”, “Siberian Kathru”, “And You And I”, “Roundabout”, “I’ve Seen All Good People”, “Starship Trooper” e, claro, “Close To The Edge”. Além dos magníficos solos de Wakeman e Steve Howe. “Yessongs” foi também filmado, obviamente com bem menos canções, e recentemente seu DVD podia ser encontrado até em bancas de jornais.

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Outro grande nome do progressivo, embora muitos relutem em rotular a banda, é o Rush. Mesmo já tendo se aventurado pelo terreno na década de 1970, com “All The World’s A Stage”, foi apenas na década seguinte que conseguiram lançar um registro ao vivo antológico: “Exit Stage Left”, cujo título é uma referência ao bordão de um famoso personagem de desenho animado da Hannah Barbera, o Leão da Montanha (no Brasil era “saída pela esquerda...”). Também foi alvo de lançamento em vídeo, com as filmagens feitas em Toronto, no Canadá, de onde vem o trio. Grande parte do sucesso se deve, claro, à qualidade indiscutível dos músicos, em especial do deus das baquetas, Neil Peart, que arrebenta tudo no solo de bateria em “YYZ”. Outros grandes momentos estão em “La Villa Strangiatto”, “Tom Sawyer”, “Freewill”, “The Trees” (com uma bela introdução ao violão – “Broon’s Bane”, de Alex Lifeson) e na grande “Xanadu”. Pena que a produção e mixagem de Terry Brown deixem um pouco a desejar, como pode ser notado especialmente na abertura da clássica “Spirit Of Radio”.

Finalizando, vale ressaltar mais uma vez para o leitor que a presente lista não visa listar os melhores da história. Muitos podem reclamar: “Cadê o “Live Bootleg”, do Aerosmith?”, ou “mas e o “Get Yer Ya-Ya’s Out” dos Stones?”, ou ainda “mas como o “Tokyo Tapes”, do Scorpions ficou de fora?”. Não houve ainda a intenção de fazer uma lista pessoal de favoritos (e aí entrariam “Live In The Heart Of The City”, do Whitesnake, “Tribute”, do Ozzy Osbourne, “Seconds Out”, do Genesis...). O intuito aqui foi apenas relembrar os grandes álbuns ao vivo que marcaram época. Obviamente alguns deles são unanimidade, outros não. Fica então a pergunta para o fórum: quais os seus álbuns ao vivo favoritos na história do rock?

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Sobre Doctor Robert

Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.

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